Projeto da Secretaria de Educação reúne equipe multidisciplinar e já realiza mais de mil atendimentos mensais com o CAEIzinho
O Centro de Atendimento à Educação Inclusiva (CAEI) de Araxá completa 10 anos de atuação em 2026, consolidado como referência regional no atendimento especializado a crianças e adolescentes com necessidades educacionais específicas. Vinculado à Secretaria Municipal de Educação, o serviço atende atualmente cerca de 700 crianças e adolescentes por mês, enquanto o CAEIzinho, voltado à primeira infância, acompanha aproximadamente 450 crianças.
Durante entrevista à Rádio Imbiara, a psicopedagoga Gisele Sara e a coordenadora Vivian Mendes destacaram a trajetória do projeto, que teve origem em 2011, quando tiveram início os trabalhos voltados à inclusão escolar no município. A partir de 2014, foram implantados os professores de apoio nas escolas e, em 2016, o CAEI foi oficialmente criado, ampliando o suporte oferecido por meio de uma equipe multidisciplinar. “O CAEI nasceu da necessidade de oferecer um acompanhamento mais próximo, com profissionais especializados e recursos pedagógicos acessíveis para garantir uma educação cada vez mais inclusiva”, explicou Gisele.
Atualmente, o CAEI funciona na Avenida Rosália Isaura de Araújo, em frente ao Fórum, atendendo crianças e adolescentes de 7 a 17 anos. Já o CAEIzinho, localizado na Avenida João Paulo II, em frente ao Ecoponto, recebe crianças de 8 meses a 6 anos e 11 meses, fase considerada fundamental para o desenvolvimento infantil.
Os atendimentos são realizados por uma equipe formada por psicólogos, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, psicopedagogos, assistente social, psiquiatra e neurologista. Segundo as profissionais, a escassez de fonoaudiólogos no mercado tem sido um desafio para a ampliação dos serviços.
Antes de iniciar os atendimentos, cada criança passa por uma triagem realizada por profissionais especializados para identificar suas necessidades. A frequência dos atendimentos varia conforme a avaliação da equipe. Além do acompanhamento das crianças e adolescentes, o CAEI também oferece suporte às famílias, incluindo grupos de acolhimento e acompanhamento psicológico para pais e responsáveis. “Quando a família recebe um diagnóstico, muitas vezes passa por um processo de aceitação. Por isso, também precisamos olhar para os pais e oferecer apoio para que eles consigam enfrentar os desafios do dia a dia”, ressaltou Vivian.
O acesso ao CAEI e ao CAEIzinho ocorre por meio de encaminhamento das escolas. A equipe pedagógica realiza estudos de caso para identificar as necessidades dos estudantes e definir os encaminhamentos adequados. Embora o serviço seja aberto a alunos das redes municipal, estadual e particular, a prioridade é dada às famílias em situação de maior vulnerabilidade social, conforme avaliação socioeconômica realizada pela assistente social.

O programa Imbiara Notícias é transmitido de segunda a sexta-feira na Rádio Imbiara 91,5 FM. Foto: Caio César/Portal Imbiara
O projeto também oferece transporte para parte dos usuários, por meio de uma van que busca e leva as crianças para os atendimentos. Como a demanda é elevada, a concessão do benefício é definida a partir da análise socioeconômica das famílias. Segundo as profissionais, a equipe busca organizar os horários dos atendimentos para facilitar a rotina dos usuários e reduzir os custos com deslocamentos.
Ao longo da última década, o trabalho desenvolvido em Araxá passou a servir de modelo para outros municípios. De acordo com Vivian Mendes, representantes de cidades da região visitam frequentemente o CAEI para conhecer sua estrutura e os projetos desenvolvidos. “Hoje somos referência em educação inclusiva. Recebemos visitas de profissionais, gestores e vereadores que buscam conhecer nosso trabalho para implantar iniciativas semelhantes em seus municípios”, afirmou.
As profissionais também destacaram que o município estuda a implantação de uma sede própria para o CAEI. A proposta prevê a utilização do prédio atualmente ocupado pela Escola Municipal Leonilda Montandon, após a transferência da unidade para outro local. A mudança permitirá ampliar a estrutura física e reunir, em um mesmo espaço, os atendimentos do CAEI e do CAEIzinho.
Atualmente, os dois centros realizam mais de mil atendimentos mensais e funcionam até as 21h para atender famílias que não conseguem comparecer durante o horário comercial.
Ao celebrarem os 10 anos do projeto, Gisele e Vivian destacaram que os resultados alcançados pelas crianças e adolescentes são a maior motivação para a continuidade do trabalho. “Cada conquista, por menor que pareça, faz toda a diferença. Ver uma criança desenvolver a fala, ganhar autonomia ou superar dificuldades é algo extremamente gratificante para toda a equipe”, concluíram.