Postado em: 30/06/2026 - 11:05 Última atualização: 30/06/2026 - 11:41
Por: Manoelita Chagas/Caio César - Portal Imbiara

Projeto de biometano pode transformar matriz energética industrial de Araxá a partir de 2028

Município foi incluído no projeto regional da Gasmig e participará do levantamento de empresas interessadas em substituir o GLP por combustível renovável

O biometano será produzido a partir dos resíduos gerados no processamento da cana-de-açúcar. Foto: Caio César

Araxá foi incluída no projeto de implantação da nova rede de distribuição de biometano no Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, iniciativa que prevê o fornecimento de gás renovável para indústrias da região a partir de 2028. O tema foi detalhado durante entrevista concedida à Rádio Imbiara pelos secretários municipais de Governo, Rick Paranhos, e de Desenvolvimento Econômico, Ítalo Borges, após a assinatura do protocolo de entendimento realizada na última semana, em Uberaba.

O empreendimento faz parte de um acordo entre a Gasmig, a GEOMIT e a Companhia Mineira de Açúcar e Álcool (CMAA), responsável pela instalação de uma planta de produção de biometano em Uberaba. Segundo o projeto, serão investidos cerca de R$ 1 bilhão na construção da unidade industrial e da infraestrutura de distribuição por gasodutos. A previsão é que a planta produza aproximadamente 50 mil metros cúbicos de biometano por dia, com operação comercial prevista para maio de 2028. 

Araxá entrou no projeto pelo potencial industrial

Segundo Rick Paranhos, a inclusão de Araxá não ocorreu apenas pela proximidade geográfica com Uberaba, mas principalmente pela relevância econômica do município e da região.

Segundo ele, o conjunto formado por Araxá, Uberaba, Uberlândia e Indianópolis reúne características estratégicas para o consumo do novo combustível, tanto pela presença de grandes indústrias quanto pelo crescimento econômico regional. O secretário destacou que o protocolo de entendimento representa um compromisso entre os municípios e as empresas responsáveis pelo empreendimento para identificar potenciais consumidores e viabilizar a chegada da infraestrutura.

Durante a entrevista, Rick explicou que a participação do município consiste em levantar a demanda das empresas locais interessadas em utilizar o combustível. "Nós nos encarregamos de fazer o levantamento da indústria para saber quantos metros cúbicos por dia serão consumidos. A partir disso, eles conseguem dimensionar o investimento necessário para trazer o gasoduto até Araxá", afirmou.

Combustível renovável substituirá gradualmente o GLP

O biometano será produzido a partir dos resíduos gerados no processamento da cana-de-açúcar. Após a fabricação do etanol, o material remanescente passa por um processo de aproveitamento para geração de biogás, que posteriormente é purificado até se transformar em biometano.

Rick Paranhos explicou que a proposta é substituir gradualmente combustíveis fósseis utilizados atualmente pela indústria, como o GLP. "O biometano vai substituir aos poucos esse gás. Primeiro nas indústrias e, futuramente, a ideia é chegar também às residências e aos veículos", ressaltou.

Segundo informações divulgadas pela Gasmig e pela CMAA, o combustível renovável poderá reduzir em aproximadamente 90% as emissões de gases de efeito estufa em comparação ao diesel, além de contribuir para a economia circular por meio do aproveitamento dos resíduos da produção sucroenergética. 


A assinatura da participação do projeto foi feita pelo secretário Rick Paranhos, que representou o prefeito Robson Magela, em evento regional. Foto: Ascom Prefeitura de Araxá

Economia, segurança e competitividade

Para o secretário de Desenvolvimento Econômico, Ítalo Borges, além dos benefícios ambientais, o projeto representa um ganho de competitividade para as empresas instaladas em Araxá.

Segundo ele, muitas indústrias hoje precisam manter grandes estoques de GLP, o que exige áreas específicas para armazenamento e rígidos sistemas de segurança. Com a chegada do gasoduto, o fornecimento será contínuo, reduzindo custos operacionais.

Como exemplo, Ítalo citou uma indústria cerâmica instalada no município. "A Santa Clara consome cerca de 160 toneladas de gás por mês. Para uma empresa desse porte, receber o combustível diretamente pelo gasoduto representa mais eficiência, menos necessidade de armazenamento e redução de custos", explicou.

Próxima etapa será mapear empresas interessadas

Após a assinatura do protocolo, o próximo passo será identificar as empresas de Araxá que utilizam gás em seus processos produtivos e que poderão aderir ao novo sistema de abastecimento.

Rick Paranhos afirmou que esse levantamento será conduzido pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e posteriormente encaminhado à Gasmig. "O próximo passo é identificar quais empresas utilizam gás e têm possibilidade de migrar para o biometano. Esse levantamento será entregue à Gasmig para acelerar o processo de implantação em Araxá", destacou.

Ainda segundo o secretário, o volume previsto de produção demonstra o potencial de expansão do projeto. Pelas estimativas apresentadas durante a entrevista, a capacidade diária da futura planta seria suficiente para abastecer milhares de empresas com consumo semelhante ao da indústria utilizada como referência.

Mais informações sobre o projeto de produção de biometano e a iniciativa da Gasmig podem ser consultadas no portal oficial da CMAA: CMAA – Projeto de Biometano.