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ARAXÁ CACHAÇA FESTIVAL
Postado em: 14/07/2026 - 16:42 Última atualização: 14/07/2026 - 16:57
Por: Caio César/Carlos Nunes/Natália Fernandes - Portal Imbiara

Julho Amarelo: Infectologista alerta para a importância do diagnóstico precoce e da prevenção das hepatites virais

Especialista reforça que testes rápidos e gratuitos estão disponíveis na rede pública de Araxá

A Dra. Jaqueline Ribeiro foi a convidada do programa Imbiara Notícias, da Rádio Imbiara. Foto: Caio César/Portal Imbiara

As hepatites virais, muitas vezes silenciosas e sem sintomas nas fases iniciais, podem causar graves complicações ao fígado quando não são diagnosticadas e tratadas precocemente. Durante entrevista ao programa Imbiara Notícias, da Rádio Imbiara FM 91,5, a médica infectologista Jaqueline Ribeiro destacou, nesta terça-feira (14), a importância da campanha Julho Amarelo, voltada à conscientização sobre a prevenção, o diagnóstico e o tratamento dessas doenças.

Segundo a especialista, as hepatites mais comuns na região são os tipos A, B e C, cada uma com formas distintas de transmissão e evolução. "São doenças que, muitas vezes, são assintomáticas. O paciente só descobre por meio dos testes. Quando fazemos o diagnóstico precoce e iniciamos o tratamento, conseguimos evitar complicações como cirrose e câncer de fígado", explicou.

A médica ressaltou que o Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) de Araxá oferece testes rápidos, anônimos e gratuitos para hepatites B e C, HIV e sífilis. O atendimento não exige encaminhamento médico e os exames também podem ser realizados em diversas Unidades de Saúde e Estratégias Saúde da Família (ESFs) do município.

Durante a entrevista, Jaqueline explicou que a hepatite A é transmitida principalmente por via fecal-oral, estando relacionada à higiene e ao consumo de água ou alimentos contaminados. Geralmente, não evolui para a forma crônica e possui vacina disponível. Já a hepatite B é transmitida principalmente por relações sexuais desprotegidas e pelo contato com sangue contaminado. Embora a maioria dos pacientes elimine o vírus naturalmente, uma pequena parcela desenvolve a forma crônica da doença. A hepatite C, por sua vez, é transmitida principalmente pelo sangue e pode permanecer silenciosa por muitos anos. Atualmente, conta com tratamento oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS), com índices de cura superiores a 95%.


A infectologista Jaqueline Ribeiro foi entrevistada por Carlos Nunes e Natália Fernandes. Fotos: Caio César/Portal Imbiara

A infectologista reforçou que a vacinação continua sendo a principal forma de prevenção contra a hepatite B. A vacina contra a hepatite A também está disponível para os públicos previstos no calendário vacinal. Ela orientou ainda que a população evite compartilhar objetos que possam entrar em contato com sangue, como alicates de unha, barbeadores e escovas de dente, além de procurar estabelecimentos que sigam as normas de biossegurança para procedimentos como tatuagens e colocação de piercings. O uso de preservativos também permanece como uma importante medida de prevenção contra as hepatites B e C, além de outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs).

Além da prevenção contra os vírus, a médica chamou a atenção para a necessidade de cuidar da saúde do fígado por meio de hábitos saudáveis. Ela explicou que doenças como a esteato-hepatite não alcoólica, popularmente conhecida como gordura no fígado, têm se tornado cada vez mais frequentes em razão da obesidade e da alimentação rica em gorduras e açúcares. Para quem já possui hepatite, a recomendação é evitar o consumo de bebidas alcoólicas, já que o álcool aumenta significativamente o risco de evolução para cirrose.

Jaqueline Ribeiro destacou que o preconceito ainda impede muitas pessoas de realizarem os exames, especialmente aqueles relacionados às infecções sexualmente transmissíveis. "O mais importante é fazer os exames. Muitas dessas doenças têm tratamento e, quanto mais cedo descobrimos, maiores são as chances de evitar complicações. Hoje temos medicamentos eficazes, e pessoas com HIV ou hepatites podem ter qualidade de vida quando fazem o acompanhamento adequado."

A médica finalizou reforçando que qualquer pessoa pode procurar o CTA ou uma unidade de saúde para realizar gratuitamente os testes rápidos, mesmo sem apresentar sintomas. Segundo ela, o diagnóstico precoce é fundamental para interromper a cadeia de transmissão das hepatites virais, ampliar as chances de sucesso no tratamento e garantir mais qualidade de vida aos pacientes.