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Postado em: 27/07/2026 - 16:57 Última atualização: 27/07/2026 - 17:00
Por: Manoelita Chagas - Portal Imbiara

Reformas e educação inclusiva estão entre os desafios da rede municipal de ensino em Araxá no segundo semestre

Secretaria Municipal de Educação aproveita recesso escolar para manutenção das unidades e planeja continuidade de ações pedagógicas, alfabetização e atendimento especializado

A secretária destacou que mesmo pequenas melhorias podem produzir uma mudança significativa quando as atividades forem retomadas. Foto: Caio César

O período de recesso escolar está sendo utilizado para a realização de manutenções e adequações em unidades da rede municipal de ensino de Araxá. Enquanto os estudantes estão fora das salas de aula, equipes trabalham na organização dos prédios, avaliação de necessidades estruturais e preparação para o retorno das atividades. A Secretaria Municipal de Educação também concentra esforços no planejamento pedagógico e na continuidade das ações voltadas à alfabetização e à educação inclusiva.

Em entrevista à Rádio Imbiara nesta segunda-feira (27), a secretária municipal de Educação, Zulma Moreira, explicou que o intervalo entre os semestres é estratégico para executar serviços que não poderiam ser realizados com crianças e adolescentes dentro das escolas. Pinturas internas, reparos em pisos, muros, portões e outros pontos da estrutura estão entre as intervenções previstas.

A secretária destacou que mesmo pequenas melhorias podem produzir uma mudança significativa na percepção dos estudantes e dos profissionais quando as atividades forem retomadas. "Quando as crianças, os alunos, voltam para a escola, os próprios servidores, qualquer coisa que a gente fez, pintou uma parede, pintou um banco, pintou um portão, já dá um efeito de coisa nova", explicou.

A manutenção, porém, não se limita ao período de férias. De acordo com Zulma, a Secretaria acompanha permanentemente as condições dos prédios e trabalha com uma lista de prioridades, atualizada conforme surgem novas necessidades.

Cinco escolas municipalizadas recebem intervenções

Entre as unidades contempladas neste momento estão as escolas Pio XII, Padre João Botelho, Lia Salgado, Eduardo Montandon e Delfim Moreira. Os prédios foram municipalizados, mas pertencem originalmente ao Estado. Por isso, as intervenções realizadas atualmente pelo município são consideradas adequações, enquanto a Secretaria busca posteriormente recursos para obras de maior porte.

O investimento informado durante a entrevista é de aproximadamente R$ 1,2 milhão. Os serviços incluem pintura, ajustes e troca de pisos, reparos em muros e outras intervenções identificadas pelas equipes como necessárias para melhorar as condições das unidades.

A escolha das escolas não ocorreu de forma aleatória. A Secretaria utiliza como referência a situação estrutural de cada prédio e estabelece prioridades de acordo com o grau de urgência. A rede municipal conta com mais de 55 unidades, considerando escolas e anexos, o que exige um planejamento contínuo para atender às diferentes demandas.

A comparação feita pela secretária ajuda a explicar a dinâmica desse trabalho. Assim como acontece em uma residência, em que diferentes ambientes precisam de manutenção em momentos distintos, as escolas também apresentam necessidades que surgem ao longo do tempo. "Nós temos uma lista grande de escolas. A gente fala que é a mesma coisa da casa, né? Você arruma a cozinha, a sala tem que arrumar. Então, nós estamos sempre olhando", afirmou Zulma.

Entre os critérios avaliados estão problemas em telhados, cozinhas, muros e demais estruturas que possam comprometer o funcionamento da unidade ou a segurança da comunidade escolar. A secretária lembrou que o levantamento utilizado atualmente também considera uma relação de prioridades elaborada anteriormente, que passou a orientar parte das intervenções realizadas pela administração.

O histórico de problemas estruturais também influenciou a definição das primeiras grandes reformas. Zulma citou o CAIC e o CMEI Balão Mágico como exemplos de unidades que apresentavam situações consideradas precárias e que, por isso, foram colocadas entre as primeiras prioridades.

CEMEI Delica Pereira Vale teve reforma antecipada após chuvas

O planejamento das obras também pode ser alterado quando surgem situações emergenciais. Foi o que aconteceu com o CEMEI Delica Pereira Vale, que já estava na relação de unidades que precisavam de intervenção, mas inicialmente não seria reformado de imediato.

O cenário mudou depois das fortes chuvas registradas no início do ano. Problemas no telhado provocaram infiltrações e fizeram com que a reforma passasse a ser considerada urgente, principalmente porque a unidade atende bebês.

A situação exigiu a transferência temporária das crianças para outro espaço. Segundo Zulma, a própria comunidade escolar ajudou a encontrar uma alternativa que permitisse manter os estudantes próximos da unidade original e sem grandes mudanças na logística das famílias.

O Centro de Convivência acabou sendo utilizado durante o período de obras. Embora o espaço não apresentasse as mesmas condições de uma escola estruturada para o atendimento cotidiano das crianças, a alternativa possibilitou que as atividades continuassem enquanto o prédio passava pelos reparos. "Ficou confortável? Não. Mas ficou a situação que dava para ficar três, quatro meses? Deu. Então, foi uma coisa bacana que ficou perto de todo mundo, não alterou a logística", relatou a secretária.

A expectativa apresentada por Zulma é de que o CEMEI Delica Pereira Vale seja reinaugurado nos dias 3 e 4 de agosto, permitindo que as crianças retornem ao espaço após a conclusão da reforma.

Pequenos reparos podem ser resolvidos diretamente pelas escolas

Além das reformas de maior porte, as escolas municipais também contam com recursos para solucionar problemas cotidianos. A proposta é evitar que situações simples permaneçam pendentes por longos períodos até que seja possível realizar uma intervenção maior.

A secretária citou como exemplos a substituição de vidros quebrados, fechaduras danificadas e outros reparos que podem afetar a segurança ou o funcionamento do prédio. Nesse modelo, os próprios gestores conseguem providenciar determinadas soluções de maneira mais rápida.

A medida representa uma mudança em relação ao antigo modelo de arrecadação interna das escolas, que permitia iniciativas como vendas para composição de um caixa próprio. Segundo Zulma, esse sistema não é mais utilizado.

A ideia é que a escola tenha condições de solucionar imediatamente pequenos problemas, especialmente aqueles que podem representar risco para os estudantes.

Alfabetização permanece como prioridade pedagógica

Se a infraestrutura é uma das frentes de trabalho durante o recesso, o planejamento pedagógico é apontado pela Secretaria como o principal eixo da educação municipal. A preocupação para o segundo semestre é manter os resultados alcançados e continuar avançando na aprendizagem.

A alfabetização ocupa posição de destaque nesse planejamento. Segundo dados apresentados pela secretária durante a entrevista, 85% das crianças de Araxá estão alfabetizadas na idade considerada adequada, com a expectativa de que os estudantes concluam o segundo ano do Ensino Fundamental sabendo ler.

O resultado também aumenta a responsabilidade da rede, já que a manutenção de um desempenho elevado exige acompanhamento constante. Para Zulma, é mais difícil preservar resultados quando o município já parte de um patamar considerado alto. "Chegar assim, você sair de um IDEB 5 e crescer, não é difícil. Mas se você sair de um patamar já alto, que é o resultado do trabalho das escolas, dos professores, de todo mundo, aí você fica com a situação mais apertada", avaliou.

Para sustentar os indicadores, a Secretaria aposta na formação continuada dos profissionais. O trabalho envolve capacitações em serviço e acompanhamento das equipes pedagógicas, com foco na aprendizagem e nos resultados dos estudantes.

Expectativa pelo IDEB e por novos reconhecimentos

O segundo semestre também será marcado pela expectativa em torno de avaliações e premiações relacionadas à educação. Um dos principais indicadores é o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), que combina informações sobre desempenho dos estudantes e fluxo escolar.

A rede municipal de Araxá alcançou 6,6 na edição anterior do IDEB, segundo a informação apresentada durante a entrevista. Como a avaliação ocorre a cada dois anos, a Secretaria aguarda o novo resultado e trabalha para manter ou superar o índice.

A preocupação não se restringe à nota. Os resultados educacionais também podem influenciar o acesso do município a recursos adicionais vinculados ao desempenho da educação.

Além do IDEB, a Secretaria aguarda a avaliação de outros programas de reconhecimento. Entre eles está o Selo Ouro do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, relacionado ao desempenho dos municípios na política de alfabetização.

Outro reconhecimento mencionado por Zulma é o Selo Crescer Juntos, iniciativa do Ministério Público de Minas Gerais voltada à ampliação do atendimento de crianças em creches. A secretária afirmou que Araxá atingiu as metas necessárias e trabalha com a expectativa de receber a certificação.

O calendário do segundo semestre ainda prevê uma premiação para professores que desenvolvem práticas consideradas exitosas nas escolas. A iniciativa deve reconhecer experiências pedagógicas que apresentem resultados positivos e possam servir de referência para outros profissionais da rede.

Educação inclusiva exige acompanhamento individualizado

Outro dos principais desafios da Secretaria está relacionado à educação especial e inclusiva. O crescimento da demanda por atendimento de estudantes com necessidades específicas exige não apenas a presença desses alunos na escola regular, mas também estrutura, profissionais capacitados e estratégias que permitam o desenvolvimento de cada criança.

Zulma destacou que o município conta com o CAE e o CAEzinho, estruturas que dão suporte às escolas e concentram parte das decisões relacionadas ao atendimento especializado.

A equipe atua, por exemplo, na orientação e capacitação dos professores, na avaliação sobre a necessidade de acompanhamento individual e na definição de estratégias para cada estudante. Também são oferecidos atendimentos especializados fora do horário regular de aula, conforme a necessidade de cada criança.

A secretária ressaltou ainda que o atendimento começa cedo. Segundo ela, os centros conseguem receber crianças a partir dos sete meses, o que representa uma frente importante de atuação da rede. "Nós temos hoje os dois centros, que é o CAE e o CAEzinho, que é um atendimento que nós conseguimos atender crianças hoje a partir de sete meses. E poucas cidades conseguem isso", afirmou.

Atualmente, conforme informado na entrevista, a rede possui mais de 400 professores de apoio. A estrutura, entretanto, envolve um desafio permanente de organização, já que cada estudante apresenta características e necessidades próprias.

Inclusão vai além da matrícula na escola regular

A discussão sobre inclusão também envolve a forma como os estudantes são inseridos no cotidiano escolar. Na avaliação de Zulma, a convivência entre crianças com diferentes características pode beneficiar toda a comunidade, desde que existam condições adequadas para que o aluno participe efetivamente das atividades.

A experiência da secretária como gestora escolar, segundo ela, mostrou que a convivência entre estudantes com e sem deficiência pode contribuir para o desenvolvimento de todos. Ao mesmo tempo, a inclusão exige preparação dos profissionais e acompanhamento individualizado. "Não adianta só colocar ele na escola. Você tem que colocar ele na escola e integrá-lo e desenvolver os potenciais dele", afirmou.

O desafio também aparece na relação entre os estudantes e os professores de apoio. Como algumas crianças desenvolvem forte vínculo com determinado profissional, mudanças na equipe podem gerar resistência e exigir um processo de adaptação.

A situação se torna ainda mais complexa quando se considera que o professor responsável pela turma precisa acompanhar todos os estudantes e, simultaneamente, trabalhar em conjunto com o profissional de apoio para atender às necessidades específicas de determinada criança.

Para a Secretaria, portanto, a educação inclusiva exige um processo permanente de formação, adaptação e diálogo com as famílias. A procura por informações e o conhecimento dos direitos dos estudantes também aumentaram nos últimos anos, ampliando a cobrança sobre o poder público.

Transporte escolar é parte da estrutura de inclusão

A educação inclusiva também está relacionada ao transporte escolar. O serviço atende estudantes que moram distante das unidades onde estão matriculados e também crianças que necessitam de condições específicas de deslocamento.

Zulma classificou a organização do transporte como uma operação complexa, que envolve logística, planejamento de rotas e segurança. O serviço precisa considerar desde a distância entre a residência e a escola até as necessidades individuais de cada estudante.

A secretária reforçou que essa estrutura costuma ser pouco percebida por quem não acompanha o funcionamento da rede, mas representa uma parte importante do trabalho necessário para garantir o acesso à educação.

Última semana do recesso concentra preparativos para o retorno

Com a proximidade da volta às aulas, a Secretaria entra em uma etapa de organização das unidades. Diretores e demais profissionais retornam antes dos estudantes para verificar as condições dos prédios e identificar o que ainda precisa ser ajustado.

As equipes também trabalham na preparação da alimentação escolar. O setor de nutrição acompanha a organização da merenda, enquanto os profissionais das escolas fazem os últimos ajustes para receber as turmas.

A movimentação provocada pelo retorno das aulas, segundo Zulma, vai muito além dos portões das escolas. O funcionamento da rede interfere diretamente na rotina de diversos setores da cidade, incluindo transporte, comércio e serviços.

Papelarias, lanchonetes, transporte coletivo e motoristas de aplicativo estão entre as atividades que recebem impacto direto da circulação de estudantes e profissionais. "A escola é vida", resumiu a secretária, ao destacar a dimensão social e econômica da rede de ensino.

Ensino médio no Pão de Açúcar depende da rede estadual

Durante a participação dos ouvintes na entrevista, também surgiu uma pergunta sobre a possibilidade de implantação de uma escola de Ensino Médio na região do bairro Pão de Açúcar, em razão do crescimento populacional daquela área.

Zulma explicou que o Ensino Médio não é de responsabilidade da rede municipal e que a demanda está relacionada à construção de uma unidade da rede estadual na região do Jardim Natália. A proposta prevê uma escola de grande porte nas proximidades do ginásio do bairro.

A unidade deverá atender moradores daquela região, reduzindo a necessidade de deslocamento dos estudantes para áreas mais distantes de Araxá.

Segundo a secretária, houve uma interrupção no andamento do projeto em razão de questões relacionadas ao período eleitoral, mas a expectativa é de retomada e avanço da construção.

Com o início do segundo semestre, a Secretaria Municipal de Educação terá pela frente uma agenda que combina manutenção da infraestrutura, acompanhamento dos resultados de aprendizagem, formação de professores e ampliação das estratégias de inclusão. O desafio, segundo Zulma, é manter os avanços já alcançados sem perder de vista as necessidades que continuam surgindo diariamente nas escolas.