BEM BRASIL
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Postado em: 03/09/2026 - 15:45 Última atualização: 03/09/2026 - 15:47
Por: Caio César/Carlos Nunes/Silvio Gonçalves - Portal Imbiara

Alta do café aumenta oportunidades, mas produtores enfrentam desafios com clima e crédito

Diretor de indústria de torrefação de Araxá destaca profissionalização do setor, preocupação com o fenômeno climático e dificuldades para obtenção de crédito

O diretor da Gran Minas, Marcelo Rios Júnior, nos estúdios da Rádio Imbiara. Foto: Caio César/Portal Imbiara

O mercado do café vive um momento de valorização, mas produtores e empresas do setor também enfrentam desafios relacionados ao clima, aos custos de produção e às dificuldades de acesso ao crédito. A avaliação é do diretor da Grã-Minas Café Especiais, Marcelo Rios Júnior, que participou de entrevista no programa Conexão Imbiara – Economia e Negócios, da Rádio Imbiara 91,5 FM.

Segundo Marcelo, a valorização do café tem contribuído para movimentar o agronegócio e aumentado a rentabilidade da atividade. Ao mesmo tempo, o cenário exige mais planejamento por parte dos produtores.

Para o diretor, o produtor de café precisa administrar a propriedade cada vez mais como uma empresa, com controle de custos, fluxo de caixa e estratégias de comercialização.

O ciclo produtivo da cultura também exige planejamento de longo prazo, já que o café é uma cultura perene e ocupa a área por vários anos.

Preocupação com o clima

Outro ponto de atenção para os produtores é o comportamento do clima. Marcelo destacou que as lavouras já apresentam floradas e que períodos de estiagem podem comprometer o desenvolvimento das plantas.

Segundo ele, produtores que contam com irrigação têm maior capacidade de enfrentar períodos de falta de chuva, enquanto aqueles que dependem exclusivamente das condições climáticas ficam mais expostos aos riscos.

Marcelo afirmou que alguns produtores já estão adotando estratégias de manejo, como podas e renovação de lavouras, diante das incertezas climáticas.

Ele também observou que as mudanças no comportamento das estações têm provocado alterações no ciclo das plantas, com floradas e produção ocorrendo de maneira menos uniforme.

Crédito mais caro

O cenário financeiro também é considerado um desafio para o setor. De acordo com Marcelo, empresas enfrentam dificuldades para captar recursos devido às taxas elevadas de juros.

Na atividade de torrefação, existe ainda um desafio específico de fluxo de caixa: a indústria precisa comprar o café do produtor normalmente à vista, enquanto a venda do produto industrializado pode ocorrer a prazo.

“Você compra à vista e vende a prazo. Essa é a maior dificuldade de uma torrefação de café”, explicou.

O diretor afirmou que o custo de capital de giro e de operações de antecipação de recebíveis tem pesado sobre as empresas, exigindo maior organização financeira.

 

Recuperações judiciais no agronegócio

Marcelo também comentou o aumento dos pedidos de recuperação judicial entre produtores e empresas ligadas ao agronegócio.

Na avaliação dele, em alguns casos, a recuperação judicial acaba sendo utilizada como uma estratégia para dar fôlego financeiro a produtores que enfrentam dificuldades para renegociar dívidas e manter as operações.

Ele destacou, porém, que o impacto pode se espalhar por toda a cadeia produtiva, atingindo revendas, oficinas, fornecedores e outros negócios que dependem do agronegócio.

Segundo Marcelo, esse efeito cascata pode aumentar a cautela das empresas na concessão de crédito e dificultar ainda mais as negociações.

Produtor busca mais qualidade

Apesar das dificuldades, o diretor vê uma evolução na profissionalização dos produtores de café da região.

Segundo Marcelo, muitos produtores estão investindo em equipamentos para beneficiamento e classificação dos grãos dentro das próprias propriedades, buscando entregar um café de maior qualidade e com maior valor agregado.

Para ele, a tendência é que o produtor busque cada vez mais qualidade e organização para aproveitar as oportunidades do mercado.

A região do Cerrado Mineiro, considerada uma das principais áreas produtoras de cafés de qualidade do país, aparece como um dos principais polos desse movimento. Municípios como Patrocínio, Campos Altos e Carmo do Paranaíba também foram citados como referências na produção.

Para Marcelo, o momento positivo do café deve ser aproveitado pelos produtores, mas acompanhado de planejamento, profissionalização e atenção aos riscos climáticos e financeiros.