De educadores a comerciantes, religiosos e personagens que marcaram a história da cidade, nomes conhecidos estão presentes nas escolas de Araxá
As escolas fazem parte da vida de gerações de araxaenses. Mas, além das salas de aula, dos professores e das histórias de estudantes, muitas delas carregam em seus nomes a memória de pessoas que tiveram participação na educação, na ação social, na religião, na vida pública, na cultura ou que deixaram uma marca na comunidade.
Nesta segunda matéria da série “Escolas de Araxá e sua gente”, a história passa por educadores, pessoas que se dedicaram à ação social do município, religiosos e até uma importante figura da Igreja Católica. Cada homenagem revela um pouco das diferentes áreas que ajudaram a construir a história e a identidade de Araxá.
São trajetórias de diferentes épocas e áreas de atuação, mas que permanecem presentes no cotidiano da cidade por meio das instituições de ensino que receberam seus nomes.
Conheça as histórias por trás dos nomes das escolas de Araxá e descubra quem foram essas pessoas e qual foi a contribuição de cada uma para a comunidade.
AS PESUISAS FORAM FEITAS COM A AJUDA DO PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO (PPP) DE CADA ESCOLA. QUALQUER EQUÍVOCO SOBRE A PEQUENA BIOGRAFIA DE CADA PERSONAGEM AS FAMILÍAS PODEM SE MANIFESTAR A REPORTAGEM DO GRUPO IMBIARA DE COMUNICAÇÃO.

Francisco de Assis Braga (1938–1970) foi um dedicado pai, profissional e cidadão de Araxá, conhecido por sua religiosidade, caridade e atuação comunitária. Ele faleceu precocemente em um acidente automobilístico na rodovia Araxá–Franca. Em sua homenagem, a cidade imortalizou seu nome na Escola Municipal Francisco Braga, uma das instituições de ensino mais tradicionais do município, com mais de 50 anos de história.

Magdalena Lemos foi uma mulher reconhecida em Araxá por sua dedicação à família e pelo trabalho social desenvolvido junto à comunidade. Esposa e mãe dedicada, era conhecida pelo carisma, pela generosidade e pela disposição em ajudar outras pessoas, participando de diversas ações sociais.
Magdalena faleceu ainda jovem e deixou dois filhos, Virgínia e Antônio Leonardo Lemos de Oliveira, este último posteriormente tendo exercido o cargo de prefeito de Araxá.
Em homenagem à sua trajetória e ao vínculo com a comunidade, seu nome foi escolhido para denominar a Creche Municipal Magdalena Lemos, inaugurada em abril de 1988, durante a administração do prefeito Aracely de Paula. A unidade foi criada para atender crianças do bairro Urciano Lemos e de regiões próximas, com capacidade inicial para 80 crianças.

Maria das Dôres Faria da Fonseca ("Dôra") foi pedagoga, psicopedagoga e assistente social em Araxá. Atuou como professora em diversas escolas, foi a primeira diretora da E. M. Professora Leonilda Montandon e coordenou iniciativas como o Programa AABB Comunidade e o antigo CSU. Por sua forte dedicação à inclusão social e à educação, dá nome ao CEMEI do setor oeste da cidade.

Maria Auxiliadora Paiva (1930–1993) foi uma dedicada educadora que iniciou sua carreira lecionando em Uberaba após se formar em História e Geografia. Em 1960, retornou a Araxá, onde lecionou por mais de 40 anos nas redes pública e particular, incluindo o Seminário do Colégio Dom Bosco, até falecer tragicamente em um acidente de trânsito.

Dona Anna Boaventura Mesquita (conhecida como Anita Mesquita) nasceu em Santa Juliana em 5 de junho de 1900, filha de Bernardino Boaventura e Letícia Rodrigues Boaventura.
Ela foi a homenageada que deu nome ao Centro Municipal de Educação Infantil (CEMEI) Anita Mesquita, construído em 1988 na cidade de Araxá durante a gestão do prefeito Aracely de Paula, que era seu genro.

Delfim Moreira da Costa Ribeiro (1868–1920) foi um advogado e político mineiro que serviu como o 10º Presidente do Brasil (interinamente, 1918–1919) e presidente do estado de Minas Gerais (1914–1918). Assumiu a presidência da República devido ao falecimento do presidente eleito Rodrigues Alves, exercendo a função até novas eleições e tornando-se depois vice-presidente até sua morte em 1920. Seu legado dá nome a escolas, ruas e um município em Minas Gerais.

Padre João Botelho foi um ilustre araxaense ligado à história religiosa e social do município, lembrado pelos serviços prestados à comunidade. Seu nome foi dado à escola criada em 22 de março de 1972, como forma de homenagear sua trajetória.
A homenagem também se relaciona a Dona Norma, sua mãe adotiva, conhecida pela atuação na caridade e pela preocupação com crianças órfãs. Ela foi fundadora do Lar Santa Terezinha.
Inicialmente, a escola funcionava em duas casas, nas ruas Almeida Campos e Dr. Franklin de Castro. Em outubro de 1978, foi transferida para a sede no bairro Santa Terezinha, onde passou a funcionar na Rua Dezenove de Dezembro, nº 97.

O Papa Pio XII (1876–1958) chefiou a Igreja Católica entre 1939 e 1958, liderando o Vaticano durante o período da Segunda Guerra Mundial e o início da Guerra Fria. Em Araxá, seu nome homenageia a Escola Estadual Pio XII, fundada em maio de 1960 sob a liderança de sua primeira diretora, a professora Áurea Leda. A instituição funcionou inicialmente na Rua Dom José Gaspar, transferiu-se para a Rua Calimério Guimarães em 1965 e, desde 1981, está sediada na Avenida Joaquim Porfírio Botelho, no Bairro Santo Antônio, consolidando-se como uma tradicional escola do ensino fundamental na cidade, que atende inclusive alunos em tempo integral.

Lia Salgado (1914–1980) foi uma renomada cantora lírica (soprano) brasileira, reconhecida por sua interpretação e divulgação da música erudita e folclórica nacional, especialmente obras de compositores como Heitor Villa-Lobos e Camargo Guarnieri. Em homenagem ao seu legado cultural, o então Governador do Estado de Minas Gerais, Juscelino Kubitschek de Oliveira, assinou um decreto em 4 de janeiro de 1955, no Palácio da Liberdade, nos termos da lei nº 408 de 1949, criando um grupo escolar na cidade de Araxá sob a denominação especial de "Lia Salgado", instituição que deu origem à atual Escola Estadual Lia Salgado, localizada no bairro Vila Silvéria.

Aziz Jacob Chaer foi um influente comerciante e empresário de origem libanesa que se estabeleceu em Araxá em meados do século XX, integrando o movimento migratório árabe que impulsionou o comércio no interior mineiro. Na cidade, consolidou sua atuação econômica ao oficializar, em agosto de 1966, a firma comercial em seu próprio nome (Aziz J. Chaer), que permaneceu ativa no município por décadas. Como reconhecimento de sua contribuição ao crescimento da economia local e do prestígio de sua família na comunidade, foi homenageado em junho de 1987, durante a gestão do prefeito Aracely de Paula, dando nome à Escola Municipal Aziz J. Chaer, no bairro Orozino Teixeira.