Declarações foram dadas durante o Encontro Estadual do Novo, em BH, evento que marcou o lançamento de pré-candidaturas do partido para as eleições de 2026
O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência da República, Romeu Zema, afirmou neste sábado (16), durante o Encontro Estadual do Partido Novo, em Belo Horizonte, que ficou “muito decepcionado” com recentes episódios envolvendo a família Bolsonaro, mas negou qualquer rompimento político com o grupo. As declarações foram dadas em entrevista coletiva após o evento que reuniu lideranças, apoiadores e pré-candidatos da legenda para as eleições de 2026.
A fala de Zema acontece em meio à repercussão de mensagens atribuídas ao senador Flávio Bolsonaro envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao caso do Banco Master. Nos últimos dias, o episódio gerou tensão entre integrantes do Novo e aliados do PL, ampliando especulações sobre possíveis impactos nas articulações da direita para 2026. “Eu fui duro porque fiquei muito decepcionado, mas agi de acordo com os meus princípios e valores”, declarou Zema durante a coletiva.
Relação com Bolsonaro
Apesar das críticas, Zema afirmou que continua respeitando o ex-presidente Jair Bolsonaro e relembrou sua participação ativa na campanha presidencial de 2022 em Minas Gerais. Segundo ele, o episódio não altera a perspectiva de união da direita em um eventual segundo turno das eleições presidenciais.
O ex-governador ressaltou que há vários nomes colocados como pré-candidatos no campo conservador, mas defendeu que os grupos permaneçam unidos contra a esquerda e o PT. “Não houve nenhuma ruptura. Houve uma manifestação dura da minha parte”, afirmou.
Nos bastidores políticos, aliados de Bolsonaro reagiram negativamente às declarações de Zema. Reportagens apontam que integrantes do PL passaram a questionar futuras alianças com o Novo após as críticas públicas feitas pelo mineiro ao senador Flávio Bolsonaro.
Críticas ao STF e denúncia da PGR
Durante a coletiva, Zema também comentou a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) envolvendo declarações direcionadas ao ministro Gilmar Mendes. O ex-governador afirmou enxergar a medida como uma tentativa de “retaliação”.
Nos últimos meses, Zema intensificou críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente após a repercussão de vídeos publicados em suas redes sociais com ataques a ministros da Corte. Na entrevista deste sábado, ele voltou a afirmar que o Supremo deixou de atuar como “poder moderador” e passou a ser uma “fonte de crise” no país. “O Supremo tem sido quase um poder incendiário”, disse.
Trabalho infantil e Jovem Aprendiz
Outro ponto abordado foi a investigação anunciada pelo Ministério Público do Trabalho após declarações de Zema sobre trabalho infantil e empregabilidade de adolescentes. O ex-governador manteve o posicionamento de que o programa Jovem Aprendiz ainda é limitado no Brasil.
Segundo ele, muitos jovens acabam mais vulneráveis à criminalidade pela falta de oportunidades de qualificação e inserção profissional.
As falas sobre trabalho infantil vêm gerando repercussão nacional desde o início de maio, quando Zema defendeu ampliar oportunidades de trabalho para menores de idade em entrevistas e publicações nas redes sociais.
Caso Banco Master entra no debate político
A coletiva também foi marcada por questionamentos sobre o escândalo envolvendo o Banco Master, investigado pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero. O caso apura suspeitas de fraudes financeiras e possíveis relações entre o banco e agentes públicos.
Zema rebateu acusações feitas por adversários políticos de que teria favorecido o banco em operações ligadas ao crédito consignado. O ex-governador classificou as denúncias como “fake news” e afirmou nunca ter tido contato com Daniel Vorcaro. Nos últimos dias, o caso ganhou ainda mais repercussão após novas fases da investigação atingirem nomes ligados ao cenário político nacional.