BEM BRASIL
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Postado em: 05/05/2026 - 07:48 Última atualização: 05/05/2026 - 08:00
Por: Alex Sander Xexéu - Portal Imbiara

Instituto Afrobeja inicia mapeamento de territórios sagrados e pontos culturais tradicionais em Araxá

Projeto “Mapa do Axé e do Rosário” já reúne 43 pontos culturais cadastrados e busca fortalecer políticas públicas para comunidades afro-brasileiras e tradicionais

Instituto Afrobeja lança mapeamento cultural em Araxá. Foto: Comunicação Afrobeja

O Instituto Afrobeja, em parceria com o Coletivo Cultural Axé Araxá, está realizando um mapeamento voltado aos territórios sagrados, pontos culturais de matriz africana, cultura popular e povos indígenas em Araxá. A iniciativa recebeu o nome de “Mapa do Axé e do Rosário” e foi apresentada durante entrevista ao programa Imbiara Notícias.

O presidente do Instituto Afrobeja, Rodrigo Fonseca, explicou que o projeto surgiu após reuniões internas da equipe com o objetivo de aproximar o Instituto das comunidades culturais da cidade e também oferecer suporte para os grupos tradicionais.

Na foto, Jhobert Rodrigues, Rodrigo Fonseca e Givago Domingos falaram sobre a iniciativa, que já reúne 43 pontos culturais cadastrados e busca fortalecer o acesso às políticas públicas, qualificação e reconhecimento das comunidades tradicionais da cidade. Foto: Alex Xexéu 

Segundo Rodrigo, o trabalho vai além do levantamento dos dados culturais.

“Esse projeto dentro do Instituto Afrobeja veio sendo criado através de uma reunião com toda a equipe do Instituto para levar até essas casas, esses pontos de cultura da cidade de Araxá, informações sobre cursos que nós vamos estar oferecendo dentro do Instituto”, afirmou.

Ele destacou que serão ofertados cursos de culinária, corte e costura, além de orientações para elaboração de projetos culturais e inscrições em editais públicos.

“Vamos estar ensinando e ajudando esses locais, essas pessoas, a se inscreverem para editais e grandes projetos. O Instituto Afrobeja abre um leque muito grande dentro da cidade de Araxá para apoiar e também mapear esses pontos de cultura”, disse.

Rodrigo Fonseca informou ainda que o mapeamento já conta com 43 pontos culturais cadastrados.

“Atualmente nós temos em mãos 43 pontos de cultura registrados inicialmente conosco e todos eles estão de portas abertas para nos receber. Aceitaram muito bem a nossa proposta e estão junto conosco”, destacou.

Durante a entrevista, Rodrigo também explicou a origem do nome Afrobeja.

“O Afrobeja vem aí numa junção da terra de Beja com toda a cultura afrodescendente e afro-indígena. Nós fazemos essa junção dentro da cultura de Beja e chegamos nesse nome”, explicou.

O produtor cultural Joberth Rodrigues afirmou que o cadastramento já está disponível no site oficial do Instituto.

“Nós já estamos com o site www.afrobeja.com.br, onde grupos, coletivos culturais, pontos de cultura, mestres e agentes culturais podem se inscrever representando seus segmentos”, disse.

Segundo ele, o formulário busca identificar a realidade atual dessas comunidades culturais.

“Estamos realizando inicialmente um diagnóstico para entender até onde esses coletivos conseguiram chegar em relação à legalidade jurídica, se já possuem associação, se já são registrados como pontos de cultura e se já acessaram mecanismos públicos”, afirmou.

Joberto explicou ainda que os dados levantados vão ajudar o Instituto a identificar as principais necessidades dos grupos culturais.

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“A gente quer preencher lacunas que percebemos, como a questão da qualificação, assistência jurídica e assistência técnica, para contemplar essas necessidades em projetos futuros”, ressaltou.

Ele confirmou que os primeiros resultados do levantamento serão apresentados durante a 3ª Feijoada dos Pretos Velhos, marcada para o próximo dia 9 de maio, na Fundação Cultural Calmon Barreto.

“Além do evento cultural, teremos esse momento institucional onde será lançado oficialmente o projeto com o resultado inicial desse mapa”, explicou.

Jhobert destacou também que os 43 pontos já cadastrados representam apenas o início do levantamento.

“Se a gente for olhar estatisticamente, esse número é muito maior. Por isso, pedimos para que cada vez mais pontos de cultura e terreiros façam adesão ao programa”, afirmou.

O integrante institucional do Instituto Afrobeja, Givago Domingos, destacou que o projeto busca construir dados concretos sobre as comunidades tradicionais da cidade para fortalecer políticas públicas.

“Não se ouve, ou nunca se ouviu falar, até onde sabemos, de um mapeamento cultural relacionado aos povos de matrizes africanas em Araxá”, comentou.

Segundo Givago, o levantamento permitirá identificar a realidade social e cultural dessas comunidades.

O lançamento oficial do projeto acontece no dia 9 de maio, durante a 3ª Feijoada dos Pretos Velhos, na Fundação Cultural Calmon Barreto. Foto: Comunicação Afrobeja

“Nós precisamos saber do que realmente necessitam esses povos na cidade de Araxá. O mapeamento surgiu justamente para alinhar junto com essas comunidades o quantitativo, a história, quem são as pessoas e quais são suas necessidades”, afirmou.

Ele ressaltou ainda que o objetivo é valorizar a diversidade existente dentro das comunidades afrodescendentes e tradicionais.

“Hoje dentro do Instituto tem vários segmentos de profissões, pessoas até com doutorado. Então, por que não unir isso e levar aos outros povos?”, questionou.

Givago afirmou que os dados do levantamento serão utilizados para buscar apoio junto ao poder público.

“Quando a gente tem os dados em mãos, a gente tem argumento. E através desse argumento nós vamos chegar às administrações municipal, estadual e federal mostrando o valor que esses povos têm na cidade de Araxá e também na região”, destacou.

 Rodrigo Fonseca reforçou o convite para participação da comunidade nas ações do Instituto e no evento do próximo dia 9.

“Estamos aguardando toda a comunidade afrodescendente e também não afrodescendente. Todas as pessoas de boa fé fiquem à vontade para participar conosco dessa trajetória”, finalizou.