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t zeus 30
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Postado em: 27/05/2021 - 10:13 Última atualização: 27/05/2021 - 10:14
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O vai e vem das aulas presenciais e o emocional dos alunos

Desde o início da pandemia, as escolas estão fechadas e os alunos, cada qual dentro das suas possibilidades socioeconômicas e culturais, precisaram adaptar-se ao modelo de ensino remoto. De lá para cá, os governantes emitiram sucessivos decretos estaduais e municipais, divulgando ou revogando, em um espaço curto de tempo, o retorno às aulas. Isto apontou a instabilidade do momento e, mais ainda, tem dissipado o sossego dos pais e alunos, que anseiam pela “normalidade”.

A transposição do modelo presencial para o remoto causou sofrimento nos alunos, pois as condições de estudo não são as mesmas que nas aulas presenciais dentro da escola. Estudando em casa, a distração é garantida pelos jogos de smartfones, pelas conversas paralelas em aplicativos, pela entrada e saída dos pais no local de estudo, pela chegada ou partida do cachorrinho e do papagaio. No estudo remoto, o tempo para a realização das atividades compete com a qualidade da internet, com a variação do clima e com a boa vontade da CEMIG. Enfim, é difícil estudar à distância, porque se exige maturidade, paciência, foco constante na agenda e muita disciplina.   

Conforme dito acima, no ensino remoto, os alunos compartilham o espaço e o tempo de estudo com uma série de acontecimentos. Na palavra deles: “dentro de casa, a escola tem muita concorrência”. E, se não bastasse, o vai e vem das aulas presenciais contribui para um considerável desconforto emocional (aumento da ansiedade), pois geram expectativas em um futuro incerto, senão falso e, politicamente, tendencioso. O fato é que os pais têm recorrido aos orientadores pedagógicos, aos psicólogos e aos psiquiatras na tentativa de diminuir os impactos emocionais do momento na vida dos seus filhos.  

Com emocional em baixa, o desempenho acadêmico é comprometido, já que boa parte da energia dos alunos está canalizada para as perguntas como: “Professor, será que as aulas voltarão mesmo? Como será a escola na pandemia? Queria muito que as aulas voltassem”. A pandemia mostrou que o aprendizado passa pelo coração e tem a ver com acolhida, interação, empatia e alteridade. É preciso cuidar do emocional dos alunos estabelecendo uma rotina de estudo que seja leve e capaz de gerar conhecimento; é preciso fomentar espaços de interação social dentro das famílias com jogos que fortaleçam vínculos afetivos; é preciso flexibilizar prazos diante das condições de estudo dos alunos.

Os decretos, antes da sua publicação, precisam ser questionados, amadurecidos e confrontados com a taxa de ocupação dos leitos de UTI e com o ritmo da vacinação.  As medidas administrativas devem respeitar as orientações e os dados contabilizados pelas equipes de saúde, visto que, ao contrário, provocarão uma realidade repleta de ilusões e, por conseguinte, contribuirão para o aumento do grau de ansiedade nos alunos.

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