BEM BRASIL
BEM BRASIL
Postado em: 24/05/2026 - 10:23 Última atualização: 24/05/2026
...

Urgência de Viver

por Rogério Farah

A vida raramente segue o roteiro que imaginamos, enquanto fazemos planos apressados para o futuro. Basta algum fato inesperado, um aborrecimento repentino ou um problema de saúde, para que toda a rotina precise ser reorganizada. Nessas horas, percebemos que o tempo não pede licença para passar, apenas segue correndo diante dos nossos olhos, tanto quanto a própria vida que, segundo a opinião de algumas pessoas, capota de uma hora para outra, diante das pedregosas estradas do mundo…

Vivemos ocupados tentando ganhar tempo, mas quase nunca aprendemos verdadeiramente a habitá-lo integralmente. Adiamos encontros, economizamos abraços e deixamos palavras importantes para depois, como se o depois fosse uma promessa garantida. Porém, a existência tem o estranho hábito de nos lembrar que o relógio não desacelera para ninguém.

Os imprevistos, apesar de dolorosos em muitos momentos, também possuem uma capacidade silenciosa de despertar consciências adormecidas. Eles nos obrigam a rever prioridades, enxugar excessos e valorizar aquilo que realmente sustenta a alma humana. De repente, percebemos que algumas presenças valem mais do que muitos patrimônios acumulados ao longo da vida.

Existe uma urgência invisível em viver que poucas pessoas conseguem compreender enquanto tudo parece estável. A correria diária nos convence de que viver é apenas cumprir tarefas, pagar contas e atravessar semanas inteiras esperando pelo próximo descanso. Entretanto, viver de verdade talvez seja justamente aprender a enxergar beleza nos instantes simples que insistimos em ignorar.

O tempo passa depressa demais para que alguém permaneça apenas como espectador da própria história. Cada escolha feita no presente constrói silenciosamente os caminhos que serão lembrados no futuro. Por isso, assumir o protagonismo da própria existência exige coragem para decidir, mudar, recomeçar e até abandonar aquilo que já não faz sentido.

Ser autor da própria vida não significa controlar tudo, porque ninguém possui domínio absoluto sobre o destino. Significa, acima de tudo, não entregar aos outros o comando dos próprios sonhos, afetos e decisões. Mesmo diante das perdas e das mudanças inesperadas, ainda podemos escolher a maneira como iremos continuar caminhando.

Talvez a maior lição que os imprevistos nos imponha seja a necessidade de viver com mais presença e menos adiamentos. O tempo continuará passando com a mesma velocidade inquietante, independentemente das nossas distrações ou medos. E, no fim das contas, serão as histórias vividas com intensidade, amor e verdade que darão sentido à breve passagem de cada um de nós pelo mundo.

 

Mais colunas de Rogério Farah - Advogado e Educador Previdenciário

Ver todas