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Postado em: 17/04/2019 - 08:17 Última atualização: 17/04/2019 - 08:17
Por: Natália Souza - Portal Imbiara

Santa Casa retoma atendimentos hospitalares em Araxá

O Provedor interino do hospital,informou que na medida em que os recursos aparecem, os serviços são retomados de forma gradual

Santa Casa de Araxá retoma atendimentos de forma gradual. Foto: Reprodução

Os atendimentos hospitalares da Santa Casa de Araxá que foram interrompidos em março durante mais de 20 dias, aos poucos voltam a funcionar.  A UTI está em funcionamento integral, com todos os leitos em uso. Pelas características da atividade, esta unidade não teve interrupção em nenhum momento. Todos os pacientes internados tiveram assistência integral.

De acordo com o Provedor interino, Antônio Ribeiro, na medida em que os recursos aparecem, os serviços são retomados de forma gradual.

Nem mesmo a greve parcial dos técnicos de enfermagem ocorrida durante sete dias, afetou a proteção aos internados. O mesmo ocorreu com a maternidade e o berçário do convênio SUS e com os casos de emergência.

Aos poucos, voltam a ser realizadas as internações eletivas (programadas) de cirurgia. Na Clínica Médica, os atendimentos ocorrem de forma parcial, mediante a disponibilidade de insumos, materiais e medicamentos.

 

Motivo da suspensão dos serviços

A causa foi a falta de recursos financeiros, que atingiu situação insustentável. Nem mesmo a folha de pagamento dos funcionários de fevereiro havia sido paga na data de seu vencimento (7 de março), o que veio a ocorrer somente no dia 26.

O atraso gerou situação de aflição em alguns colaboradores uma vez que lhes faltou até alimentos em casa e a situação somente foi abrandada por uma ação de voluntários que conseguiram cestas básicas para distribuir.

A farmácia interna também estava com estoque mínimo de medicamentos e materiais hospitalares (seringas, agulhas hipodérmicas, escalpes, kits de curativo, luvas, sondas, etc.). O que havia nas prateleiras era suficiente somente para atender aos pacientes internados e para emergência, conforme protocolos médicos.

A reserva de alimentos, era suficiente apenas para nutrição dos que já se encontravam internados e dos empregados que, em decorrência de sua atividade profissional, precisam tomar suas refeições no hospital.

Devido a falta de objetos para trabalho, alimentos, a solução de suspensão foi inevitável. Sem condições de prestar atendimento, não poderiam ser admitidas novas internações.

 

Como a situação foi contornada.

A folha de pagamento, sem encargos, no valor de R$529 mil foi paga com recursos extraordinários passados pela Prefeitura, conforme acertado em reunião no Ministério Público, ocorrida em Belo Horizonte, em 18 de março.

Junto com o montante da folha, a Prefeitura repassou recursos para outras duas finalidades: ajuste do quadro de pessoal (R$ 471mil) e reforma das instalações do antigo Pronto Atendimento Municipal - PAM, que funcionou desde 2009 nas dependências da Santa Casa.

Para a aquisição de medicamentos e itens de alimentação, lavanderia e de limpeza foi utilizada verba de emenda parlamentar do Deputado Weliton Prado- PROS, de agosto de 2018 – somente foi liberada no final do mês passado, no montante de R$ 100 mil; valor suficiente somente para itens mínimos de regulagem de estoque.

A produção que o hospital teve em março - embora com serviços parcialmente suspensos- gerou um faturamento que foi aplicado no pagamento da folha dos funcionários de março.

Também foram pagas algumas parcelas atrasadas de fornecedores estratégicos como serviços de exames laboratoriais, materiais e medicamentos, insumos e outros.

Quando for liberada a segunda parte da verba anunciada pela Prefeitura, no valor de R$ 1.050,00 (de um total de R$ 2.167 mil), mais o repasse contratual de R$ 50 mil mensais para a aquisição de materiais de órtese e próteses, alimentação e exames de laboratório, a situação dos atendimentos deve se regularizar momentaneamente.

 

Perspectiva dos 90 dias

Conforme acertado com o Ministério Público, a Federassantas iniciou os estudos de apuração de custo e custeio SUS.Os dados contábeis solicitados já foram repassados.  

Enquanto isso, a Mesa Provedora está atenta aos aspectos de custo e procura suprir o hospital dentro do atual modelo de financiamento do sistema de saúde pública.

É aguardada por todos a avaliação da sustentabilidade do hospital, até mesmo para ver se dentro do quadro de associados surge alguém que tenha interesse em assumir a direção da Provedoria. 

 

Readequação do quadro de pessoal

Nas mudanças internas ocorridas neste mês, o quadro de pessoal passou por reformulações. Áreas de trabalho foram incorporadas umas  às outras, concedida maior autonomia às funções das coordenadorias internas, valorização do potencial dos funcionários que demonstraram bom desempenho e comprometimento. Todas essas mudanças geraram até o momento redução de 10% no custo da folha de pagamento. Neste contexto, surgiu o nome da nova Diretora-Superintendente, Larissa Borges de Resende, prata da casa, com uma folha de serviços de 18 anos dedicados à Santa Casa. Ela é graduada em Enfermagem, especialista em Gestão Hospitalar e mestra em Promoção de Saúde, entre outros títulos. Larissa tem o respeito do corpo clinico, admiração dos colegas e a confiança da Mesa Provedora.

 

Sobre a reforma do antigo PAM

O montante da verba de R$ 117 mil repassada pela Prefeitura cobre parcialmente o orçamento mínimo apresentado por fornecedores locais. Além disso, o telhado sobre essa ala do hospital está danificado, com expressivas infiltrações e goteiras, o que resulta que as obras internas não poderão ser feitas no momento.

A recuperação do telhado e da parte interna tem orçamento de R$250 mil. Ainda não foi identificada a fonte de recursos complementar à verba repassada pela Prefeitura.

As instalações depois de reformadas serão ocupadas com remanejamentos internos para melhoria de atendimento e até mesmo para suprir demandas de vazios assistenciais.