Essa planta possui a capacidade de produzir 2 mil toneladas por ano de XNO®, equivalente a 1 GWh de células de íons de lítio
Uma parceria formalizada entre a Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM) e a Echion Technologies LTD, de Cambridge, no Reino Unido, resultou na primeira planta de produção de de ânodos de Nióbio de Minas Gerais e do mundo. Situada na sede da companhia, em Araxá, a planta foi inaugurada nesta terça-feira (12) com a capacidade de produção de 2.000 toneladas por ano de XNO®, equivalente a 1 GWh de células de íons de lítio, e faz parte de investimentos de R$ 250 milhões no programa de tecnologia.
O CEO da Echion Technologies, Jean De La Verpilliere. Foto: Caio César/Portal Imbiara
A XNO® é o nome dado ao material de ânodo à base de nióbio fornecido aos fabricantes de células que buscam construir baterias de íons de lítio com segurança, ciclo de vida prolongado e recursos de carregamento rápido. "Powered by XNO®" significa baterias de íons de lítio que podem ser carregadas de maneira ultrarrápida com segurança, mantendo altas densidades mesmo em temperaturas extremas e fornecendo alta potência em um ciclo de vida de mais de 10.000 ciclos.
“As tecnologias de bateria tradicionais são boas para eletrificar eletrônicos de consumo, computadores, telefones, carros de passeio privados, mas não são adequadas para eletrificar aplicações industriais, como carros, trens, barcos e grandes equipamentos. As tecnologias de bateria antigas não funcionam para isso, porque essas aplicações requerem maior segurança, capacidade de carregamento rápido e vida útil prolongada das baterias. A XNO® é uma nova tecnologia de bateria que resolve esses problemas”, comenta o CEO da Echion Technologies, Jean De La Verpilliere.
O CEO da CBMM, Ricardo Lima. Foto: Caio César/Portal Imbiara
De acordo com o CEO da CBMM, Ricardo Lima, essa parceria surgiu em 2019, quando o gerente executivo de baterias da companhia, Rogério Ribas, identificou uma tecnologia interessante que poderia ser vencedora por meio do uso do nióbio. “Como engenheiro químico, ele rapidamente percebeu que a Echion estava realizando estudos que valia a pena conhecer mais de perto. Fomos até o Reino Unido, participamos de um seminário sobre materiais para baterias e tivemos contato com o time da Echion, que era uma startup formada por estudantes da Universidade de Cambridge. A CBMM resolveu apostar nessa tecnologia”, destaca Lima.
Lima também detalha que os resultados dos pré-testes enviados aos potenciais clientes da CBMM foram muito favoráveis para o desenvolvimento da planta de óxidos de nióbio. “Construímos a primeira planta com uma capacidade planejada para os primeiros três anos de colocação deste produto no mercado. Trata-se de um mercado global, e a produção será exportada para o mundo todo. À medida que tivermos uma comprovação da demanda, como planejado, precisaremos iniciar um novo projeto de expansão, pois três anos passam rápido. Para construir uma nova planta, precisamos de pelo menos dois anos. Estamos estudando um próximo módulo com capacidade de 20 mil toneladas de óxido de nióbio para baterias até 2030”.
O gerente executivo de baterias. Rogério Ribas, ao lado do diretor executivo da divisão de novos materiais em aplicação onde baterias estão inclusas da CBMM, Rodrigo Amado. Foto: Caio César/Portal Imbiara
Segundo o gerente executivo de baterias da CBMM, Rogério Ribas, atualmente a companhia possui 42 projetos de pesquisa e desenvolvimento em baterias em países como Japão, China, Estados Unidos, Coreia e Brasil, além de países europeus. “Hoje, temos cerca de 600 minas em operação só no estado de Minas Gerais. Essa tecnologia é extremamente adequada para a eletrificação das minas. Temos uma grande oportunidade de expandir o uso dessa tecnologia para a descarbonização das minas que operam em Minas Gerais”, pontua Ribas.
Ricardo Lima acrescenta que a produção de óxidos de nióbio com a tecnologia oriunda do Reino Unido beneficiará o cidadão comum devido à baixa emissão de gás carbônico (CO2). “Até o final do próximo ano, devemos ter os primeiros resultados de homologação na indústria automotiva. A indústria automotiva tem uma preocupação muito forte com segurança. Essas novas baterias estão sendo homologadas para que possamos iniciar a comercialização até o final do próximo ano ou a partir de 2026”, finaliza o CEO da CBMM, Ricardo Lima.
A inauguração contou com a participação do governador em exercício, Mateus Simões, atual vice-governador, do prefeito Robson Magela, do deputado estadual Bosco e de secretários municipais, além de representantes da imprensa local, estadual e nacional. Todos participaram do corte da fita que marcou a inauguração da primeira planta de produção de ânodos de nióbio do mundo.
Representantes da CBMM e autoridades prestigiam a apresentação na sede da companhia. Foto: Caio César/Portal Imbiara