Especialista explica quando a cirurgia é necessária, fala sobre inovações tecnológicas na área e destaca a importância do diagnóstico preciso para tratamentos eficazes
A neurocirurgia tem avançado a passos largos nos últimos anos, trazendo técnicas mais seguras e menos invasivas para o tratamento de doenças neurológicas e da coluna. Em entrevista à Rádio Imbiara nesta sexta-feira (7), o neurocirurgião Dr. Guilherme Augusto Leonel de Magalhães compartilhou sua trajetória profissional e falou sobre as inovações na área, além de esclarecer dúvidas comuns sobre cirurgias e tratamentos conservadores.
Com 20 anos de experiência, Dr. Guilherme formou-se na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e especializou-se em Belo Horizonte. Atuou por uma década em Patrocínio antes de ser convidado para Araxá, onde, há cerca de nove anos, ajudou a reestruturar o serviço de Neurocirurgia da cidade. Atualmente, atende tanto na rede pública quanto na privada, sempre buscando oferecer o que há de mais moderno na área.
A revolução tecnológica na Neurocirurgia
Nos últimos anos, a medicina tem sido transformada pelo desenvolvimento de novas tecnologias, e a neurocirurgia não é exceção. Um dos avanços citados pelo especialista é o Neuronavegador, um equipamento que funciona como um GPS para o cérebro. "Com essa tecnologia, conseguimos mapear o cérebro sem abrir a cabeça, planejar cirurgias com maior precisão e fazer incisões menores, reduzindo riscos", explicou. Outra inovação são os aspiradores ultrassônicos, que removem apenas o tecido tumoral, preservando as áreas saudáveis do cérebro.
Além das cirurgias cranianas, a Neurocirurgia também abrange a coluna, uma área que tem passado por transformações significativas. "Antes, as cirurgias exigiam grandes incisões e longos períodos de recuperação. Hoje, com técnicas minimamente invasivas, conseguimos reduzir cortes, perdas sanguíneas e riscos de infecção", destacou. Ele mencionou ainda a cirurgia endoscópica da coluna, uma técnica que aprendeu na USP há três anos e que trouxe para a região, permitindo procedimentos menos agressivos e com recuperação mais rápida.
Quando a cirurgia de coluna é necessária?
Muitos pacientes chegam ao consultório preocupados com a necessidade de uma cirurgia na coluna, principalmente devido ao mito de que se trata de um procedimento arriscado. O especialista esclareceu que, para profissionais experientes, a cirurgia da coluna não é necessariamente complexa. "Ela faz parte do nosso dia a dia. No entanto, nem todo paciente precisa passar por uma cirurgia", disse.
Segundo ele, grande parte das dores na coluna pode ser tratada com fisioterapia, pilates, osteopatia ou infiltrações. "De cada 10 pacientes que atendo, apenas um realmente precisa de cirurgia", revelou. Ainda assim, há casos em que a intervenção cirúrgica é indispensável, como em fraturas e tumores na coluna, além de hérnias de disco severas que comprimem os nervos.
O chamado "bico de papagaio", por exemplo, não é necessariamente um indicativo de necessidade cirúrgica. "Ele é uma projeção óssea que surge devido à degeneração da coluna, mas, sozinho, não é o principal causador de dor. O problema maior costuma ser a compressão dos nervos por hérnias ou artroses", explicou.
O futuro da neurocirurgia: inteligência artificial e cirurgia robótica
A medicina caminha para um futuro cada vez mais tecnológico, e a inteligência artificial já começa a ser incorporada às cirurgias. O Dr. Guilherme participou recentemente de um treinamento em São Paulo sobre cirurgia robótica, onde os médicos operam remotamente por meio de robôs. "No futuro, a IA poderá ser integrada a esses sistemas para tornar os procedimentos ainda mais seguros. No entanto, a presença do profissional continuará sendo fundamental para lidar com nuances que apenas o olhar humano pode perceber", pontuou.
Além disso, exames de imagem como raio-X, tomografia e ressonância são essenciais para o planejamento cirúrgico, mas a real dimensão do problema só pode ser confirmada durante a cirurgia. "Cada caso é único, e é por isso que a avaliação médica detalhada é indispensável", reforçou.
Hérnia de disco, osteoporose e cuidados com a coluna
Entre os problemas mais comuns da coluna, a hérnia de disco costuma ser uma grande preocupação para os pacientes. O Dr. Guilherme explicou que a necessidade de cirurgia depende de vários fatores, como a compressão do nervo e os sintomas apresentados. "Há casos em que a hérnia é grande, mas não causa dor intensa, permitindo um tratamento conservador com fisioterapia e analgésicos. Já em outros, uma hérnia menor pode estar em uma posição que causa grande desconforto, tornando a cirurgia necessária", detalhou.
Outro problema comum, especialmente entre idosos, é a osteoporose, que fragiliza os ossos e aumenta o risco de fraturas na coluna. "Já atendi pacientes que fraturaram a coluna apenas ao tossir ou espirrar", contou. O tratamento pode ser feito com medicamentos orais ou intravenosos, e a escolha depende das condições de saúde de cada pessoa.
Quando o assunto são dores nos membros superiores, a origem pode estar na coluna cervical. "Compressões na coluna cervical podem causar dormência nos braços e mãos, mas é preciso diferenciar se o problema vem da coluna ou de outra condição, como a síndrome do túnel do carpo", explicou. Uma avaliação neurocirúrgica pode indicar o tratamento mais adequado, que pode envolver desde fisioterapia até cirurgia na mão.
Atendimento em Araxá
O Dr. Guilherme Magalhães atende na rua Benedito Simões Borges, número 30, no bairro João Ribeiro, em Araxá. Os atendimentos ocorrem de segunda a sexta-feira, das 8h às 10h. Para mais informações ou agendamentos, os pacientes podem entrar em contato pelos telefones (34) 99870-7118 e (34) 99903-0657.