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Postado em: 28/03/2025 - 18:32 Última atualização: 28/03/2025
Por: Manoelita Chagas - Portal Imbiara

Casa do Pequeno Jardineiro: transformando vidas através do meio ambiente em Araxá

Projeto social celebra 20 anos de sucesso com foco na educação ambiental e inclusão de adolescentes em situação de vulnerabilidade social

Atualmente, o programa atende 60 adolescentes. Foto: Natália Fernandes

A Casa do Pequeno Jardineiro, projeto que há 20 anos transforma a vida de adolescentes em Araxá, segue com sua missão de promover a educação ambiental e a inclusão social. Iniciado em 2005, o programa não apenas ensina aos jovens sobre o meio ambiente, mas também os prepara para um futuro melhor, desenvolvendo habilidades essenciais para a vida e o mercado de trabalho.

Durante entrevista nesta sexta-feira (28) no estúdio da Rádio Imbiara, as coordenadoras Débora Cristina e Lilian Carvalho compartilharam os avanços do projeto, que já beneficiou mais de 500 jovens nos últimos três anos, e o impacto que ele tem gerado na cidade.

A transformação social através da Educação Ambiental

A Casa do Pequeno Jardineiro nasceu com a ideia de oferecer aos adolescentes uma formação que unisse práticas ambientais com o desenvolvimento pessoal. Débora Cristina, coordenadora do programa, destacou que o projeto é uma adaptação de um modelo criado em Juiz de Fora, que foi trazido para Araxá com a missão de fazer a diferença na vida dos jovens da cidade. “A ideia inicial, ela foi captada de Juiz de Fora. A equipe de Araxá viu essa ideia como algo inovador e trouxe para a cidade de Araxá”, contou Débora.

O programa oferece um acolhimento contínuo, onde cada adolescente é tratado com respeito, carinho e afeto. Para Débora, o segredo do sucesso do projeto é a proximidade com os jovens. “É o acolhimento, é o respeito, o carinho, o afeto que a gente cria por eles. E eu acho que eles com a gente também. Então isso faz uma grande diferença na vida do adolescente, assim como fez na minha”, disse ela, ressaltando a importância do trabalho que vai além da educação ambiental.

A coordenadora Lilian Carvalho, que iniciou como aluna do projeto e retornou em diferentes funções, falou sobre a transformação pessoal que o programa proporciona. “Foi lá que eu aprendi a ter responsabilidade, a saber ajudar em casa, porque às vezes o adolescente quer comprar alguma coisinha, não tem como a mãe tirar do salário dela para poder comprar. Então a bolsa que eu ganhava ali, eu ajudava em casa, comprava uma coisinha para mim, tinha a responsabilidade.”

O impacto de 20 anos de trabalho

A cada ano, o programa oferece bolsas sociais para os adolescentes que participam do projeto, além de apoio psicossocial e diversas atividades práticas e teóricas. Lilian explica que o trabalho desenvolvido no projeto vai muito além do conhecimento ambiental. “Transformar uma vida não é medida em número, né? É medido realmente nos impactos que a gente vê. A gente vê adolescente hoje na rua que para, a gente fala, olha, graças a vocês eu estou aqui hoje trabalhando, tenho minha família”, contou Lilian, emocionada com os resultados do projeto.

Atualmente, o programa atende 60 adolescentes, mas já passou por muitas turmas ao longo dos anos. O impacto é visível: “Hoje nós temos outros educadores também, né? Que foram ex-alunos nossos e que hoje estão lá como educadores transmitindo realmente o que é o programa.”

Desenvolvimento pessoal e profissional para o futuro

Além das práticas ambientais, a Casa do Pequeno Jardineiro oferece aos jovens a chance de desenvolver habilidades que serão úteis para o mercado de trabalho. “A gente faz essa parceria com o SINE, trazendo realmente palestras sobre marketing pessoal, elaboração de currículo, preparação para entrevista, para que esse adolescente, no fim da nossa jornada, consiga ser inserido no mercado de trabalho com mais facilidade”, explicou Lilian. O programa se dedica a garantir que os jovens não só adquiram conhecimentos, mas também estejam preparados para um futuro profissional mais seguro e promissor.

A formação teórica é acompanhada por atividades práticas em áreas como produção de ornamentais, arborização, horticultura e manejo de jardins, onde os adolescentes aprendem a cuidar da terra e a desenvolver habilidades que podem ser aplicadas em sua vida pessoal e profissional.

Os benefícios do projeto não se limitam aos jovens participantes. “A gente faz jardins fora, em escolas, em parceria com instituições, né? Então, todo esse processo de aprendizado é muito amplo para eles. E beneficia não só os adolescentes, mas toda a cidade também”, afirmou Débora. As mudas produzidas pelos jovens são doadas à comunidade, contribuindo para o embelezamento da cidade e para a conscientização ambiental.

Além disso, a Casa do Pequeno Jardineiro proporciona uma base sólida de apoio para os adolescentes e suas famílias. O programa oferece alimentação, transporte e até mesmo suporte psicossocial, para garantir que as necessidades básicas dos jovens sejam atendidas. “Eles têm todo o suporte, eles são assistidos ali integralmente. Tem a Bolsa Social no valor de meio salário mínimo, o Vale Transporte, as alimentações pertinentes”, explicou Lilian.

Sustentabilidade e parcerias: o futuro do programa

O financiamento do projeto vem de diversas fontes, incluindo o Fundo da Criança e Adolescente e parcerias com instituições públicas e privadas. Lilian destacou que o apoio da comunidade local é fundamental para a continuidade do trabalho. “Quem tem imposto a pagar, seja qualquer valor, pode destinar aos fundos da nossa cidade. Está aí um belo exemplo, que é a Casa do Pequeno Jardineiro, um projeto já de 20 anos, com grande sucesso”, afirmou.

O projeto também busca aumentar sua sustentabilidade, incentivando doações e parcerias, como as realizadas com universidades e outras instituições. “As universidades, no caso aqui o Uniraxá, acabam promovendo esse encontro para levar também para os adolescentes um conhecimento maior”, disse Débora.

O programa Casa do Pequeno Jardineiro segue firme em sua missão de transformar vidas e ensinar os jovens de Araxá sobre o valor da natureza e da responsabilidade social. “Eu vejo que os adolescentes também têm muito isso, né? Que é tudo para ontem, que é tudo para ontem. Mas serve até para trabalhar, né? A cabeça do jovem, que é muito imediatista, né? Tem que saber o tempo das coisas”, refletiu Lilian, destacando como o projeto também ajuda os jovens a desenvolver paciência e a aprender a respeitar o ritmo natural das coisas.

As inscrições para o programa são abertas anualmente, com critérios específicos para selecionar os jovens que irão participar. “Os critérios são ter entre 14 e 17 anos, não podem fazer 18 no período vigente do programa, e passam por uma avaliação socioassistencial”, explicou Débora.

Com 20 anos de história, o projeto segue impactando a vida de muitos jovens, promovendo a educação ambiental e a inclusão social em Araxá. É um exemplo de como o cuidado com o meio ambiente pode se tornar uma poderosa ferramenta para transformar a realidade de pessoas em situação de vulnerabilidade social.