Professor Maurício Carneiro afirma que fenômeno é raro, inusitado e não representa risco para a população
Os tremores de terra registrados em Araxá no último fim de semana seguem sendo assunto na cidade. Para esclarecer as dúvidas da população, o geólogo e professor Maurício Carneiro explica o que ocorreu e tranquiliza os moradores.
Segundo o professor, o tremor foi sentido claramente dentro de casa. Ele relata que, inicialmente, ouviu um ruído muito forte, semelhante ao impacto de algo pesado no solo. Logo depois, portas, janelas e móveis começaram a balançar. Num primeiro momento, ele não associou o fenômeno a um terremoto, já que Araxá não está localizada em uma área de risco sísmico.
Após sair à rua e perceber que não havia nenhum acidente aparente, o geólogo passou a buscar informações e constatou que o tremor também foi sentido em cidades da região, como Sacramento, Ibiá, Perdizes e Uberaba. Com a chegada de novos dados, confirmou-se que se tratava, de fato, de um terremoto.
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Por que houve tremor em Araxá?
Maurício Carneiro explica que Araxá está localizada praticamente no centro da Placa Sul-Americana, longe de margens continentais ativas. Por isso, a explicação mais provável é uma acomodação de camadas profundas do subsolo.
Um ponto que chamou atenção foi o forte ruído percebido pela população. De acordo com o professor, isso indica que o tremor foi raso, com profundidade estimada entre 1 e 10 quilômetros. Tremores mais profundos geralmente não produzem barulho audível na superfície.
A confirmação exata da profundidade e do epicentro depende da análise de dados de pelo menos três sismógrafos, que ainda estão sendo avaliados por instituições especializadas.
Tremor raro e sem risco
O terremoto registrado teve magnitude 4 na escala Richter, considerada elevada para uma região tranquila como Araxá. O professor destaca que esse tipo de ocorrência é extremamente raro no Brasil e ainda mais incomum na região.
Segundo ele, não há motivo para medo ou preocupação. Araxá não apresenta características de zona sísmica e a chance de novos tremores desse tipo é muito baixa. O episódio deve ser encarado como um fato isolado e histórico.
“O susto acontece na hora, mas não houve danos nem riscos. É mais uma história para contar no futuro: eu vivi um terremoto em Araxá”, resume o geólogo.
Ele acrescenta que as estações sísmicas do país devem acompanhar a região com mais atenção, apenas para monitoramento. Caso ocorram novos registros, a tendência é que sejam de baixa intensidade e sem capacidade de causar danos.
A orientação final é de tranquilidade. O fenômeno foi inusitado, raro e não altera a segurança da população.