Estudo nacional aponta pressão nas contas municipais, enquanto Araxá destaca controle de gastos para manter serviços e salários em dia
Um levantamento divulgado pela Confederação Nacional de Municípios aponta um cenário fiscal desafiador para as prefeituras brasileiras no encerramento do exercício financeiro. O diagnóstico anual ouviu 4.172 municípios, o equivalente a 75% das prefeituras do país, e analisou a situação das contas públicas, o pagamento do décimo terceiro salário e as expectativas dos gestores para a economia em 2026.
Segundo o estudo, cerca de 29% dos municípios brasileiros encerram o ano com atraso no pagamento de fornecedores. Outros 31% informam que deixarão despesas empenhadas para o exercício seguinte, os chamados restos a pagar. A crise financeira aparece como a principal preocupação dos gestores para 2025, apontada por aproximadamente 80% dos entrevistados. Apesar do cenário de pressão, menos de 20% das prefeituras acreditam que não conseguirão fechar o ano de forma regular.
Repasses decisivos para os municípios
Em Minas Gerais, o levantamento reforça a importância do repasse adicional de 1% do Fundo de Participação dos Municípios, pago tradicionalmente em dezembro. Quase 96% das prefeituras mineiras afirmam que o recurso foi decisivo para garantir o pagamento do décimo terceiro salário dos servidores. A pesquisa também indica que a maioria dos municípios conseguiu manter a folha de pagamento em dia, resultado de planejamento e controle rigoroso das despesas.
O presidente da Associação Mineira de Municípios e prefeito de Patos de Minas, Luís Eduardo Falcão, destaca que os municípios seguem cumprindo suas obrigações mesmo recebendo a menor parcela dos recursos públicos. Ele defende a necessidade de um pacto federativo mais equilibrado, com melhor distribuição de responsabilidades e receitas.
Situação em Araxá
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A realidade apresentada pelo estudo nacional também reflete o cenário vivido em Araxá. Em recente entrevista à Rádio Imbiara, o prefeito Robson Magela destacou os desafios enfrentados pelos municípios diante do aumento das despesas e das limitações orçamentárias.
Segundo o prefeito, o planejamento financeiro tem sido fundamental para garantir o pagamento em dia dos servidores e a manutenção dos serviços essenciais, como saúde, educação e infraestrutura. Ele ressaltou ainda a importância dos repasses constitucionais para o equilíbrio das contas municipais, especialmente no fim do ano, quando as despesas se intensificam.
Robson Magela afirmou que a administração municipal de Araxá tem adotado medidas de controle de gastos e organização fiscal para enfrentar o cenário de incertezas econômicas, buscando manter o equilíbrio financeiro sem comprometer o atendimento à população.
Expectativas para 2026
O diagnóstico da Confederação Nacional de Municípios aponta expectativas divididas para o próximo ano. Em nível nacional, 44,6% dos gestores acreditam que a economia será boa ou muito boa em 2026, enquanto 35,8% demonstram pessimismo. O cenário reflete incertezas fiscais e preocupação com os rumos da economia.
Diante desse quadro, entidades municipalistas reforçam a defesa de um pacto federativo mais justo, com distribuição adequada de recursos entre União, Estados e municípios. A avaliação é de que fortalecer as prefeituras é essencial para garantir a continuidade dos serviços públicos e melhorar a qualidade de vida da população.