Paralisação atinge o superfosfato simples e pode ser reavaliada em até 30 dias; funcionários entram em férias e empresa fará manutenções
A Mosaic anunciou a paralisação temporária da produção de superfosfato simples (SSP) em sua unidade de Araxá, no Alto Paranaíba, e também no complexo de Fospar, em Paranaguá (PR). A medida foi tomada devido ao aumento expressivo no preço do enxofre, insumo essencial no processo de fabricação do fertilizante. Além da suspensão da produção, a empresa informou que interrompeu as compras futuras da matéria-prima.
Segundo a companhia, a decisão é preventiva e específica para o superfosfato simples. A expectativa é que a situação seja reavaliada após um período de 30 dias, conforme a evolução do mercado. Durante a paralisação, os funcionários diretamente ligados às operações entrarão em regime de férias, e serão realizadas manutenções pontuais nas unidades. O número de colaboradores impactados não foi divulgado.
O enxofre, que por muitos anos teve preço relativamente estável, passou a registrar forte valorização no mercado internacional. A mudança está ligada, principalmente, ao crescimento da demanda do setor de baterias para veículos elétricos, onde o insumo é utilizado no processamento de níquel e na produção de baterias do tipo lítio-ferro-fosfato (LFP). Outro fator relevante foi a restrição da oferta global após a Rússia limitar exportações de enxofre, em meio a reparos em refinarias do país.
Dados da Argus Media indicam que o preço do enxofre, que historicamente variava entre cerca de US$ 80 e US$ 180 por tonelada FOB no Oriente Médio, alcançou níveis próximos a US$ 500 por tonelada. Essa alta tem impacto direto sobre a cadeia de fertilizantes em vários países, incluindo o Brasil.
A paralisação em Araxá ocorre em um contexto recente de ajustes operacionais da Mosaic no país. Em outubro, a empresa já havia interrompido temporariamente as atividades do complexo de mineração em Salitre de Minas, distrito de Patrocínio, por cerca de dois meses, alegando necessidade de melhorar a gestão de estoques e cumprir contratos já firmados. À época, a companhia afirmou que não haveria impacto relevante no mercado nem na produção local.
Nos últimos meses, a Mosaic também promoveu mudanças em seu portfólio de ativos no Brasil. Em janeiro, vendeu uma unidade de mineração de fosfato inativa em Patos de Minas por US$ 111 milhões, como parte da estratégia de concentrar investimentos em áreas consideradas mais rentáveis. Além disso, em agosto, negociou a venda da operação da mina de potássio Taquari-Vassouras, em Sergipe, concluída em novembro.
Apesar das especulações de mercado que costumam acompanhar paralisações desse tipo, a empresa reforça que a interrupção em Araxá é temporária e motivada exclusivamente pelo cenário atual dos preços do enxofre. A Mosaic afirma que seguirá monitorando o mercado e ajustará seus planos de produção conforme necessário.