Sílvio Gonçalves analisa dados do Datafolha e alerta para dependência do crédito e juros altos
Mesmo diante de um cenário econômico desafiador para os próximos meses, os brasileiros demonstram maior disposição para consumir neste Natal. Pesquisa do Instituto Datafolha, encomendada pela Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), aponta que os gastos natalinos devem crescer 13% em relação ao ano passado, com ticket médio estimado em R$ 503.
Os dados foram comentados nesta quinta-feira (18) pelo economista Sílvio Gonçalves, durante o programa Conexão Imbiara – Economia e Negócios, da Rádio Imbiara 91,5 FM. Segundo ele, o levantamento revela um comportamento típico do consumidor brasileiro no fim de ano, mesmo em um ambiente econômico mais restritivo.
“O Natal é um período em que as pessoas se permitem gastar um pouco mais, mesmo com juros altos e incertezas no cenário econômico. O consumidor fica mais otimista no curto prazo”, avaliou Sílvio Gonçalves.
O levantamento, realizado em novembro em todas as regiões do país, ouviu cerca de 2 mil pessoas. De acordo com os dados, 71% dos consumidores pretendem realizar compras em lojas físicas, enquanto 31% devem optar pelo comércio online. O cartão de crédito aparece como o principal meio de pagamento, citado por quase metade dos entrevistados, seguido pelo Pix e pelo dinheiro.
Entre os presentes mais procurados estão roupas, brinquedos, perfumes e cosméticos, além de alimentos, bebidas e eletrônicos. O estudo também revela que oito em cada dez consumidores que utilizarem o cartão de crédito pretendem parcelar as compras.
Para Sílvio Gonçalves, esse dado acende um sinal de alerta. “O parcelamento mostra como o consumo ainda depende fortemente do crédito. Com a Selic elevada, isso pode trazer reflexos negativos para o orçamento das famílias nos próximos meses”, destacou.
Apesar do otimismo no curto prazo, o cenário para 2025 inspira cautela. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) projeta crescimento de apenas 1,8% do Produto Interno Bruto (PIB) no próximo ano, enquanto o Banco Central estima avanço ainda menor, de 1,6%, indicando desaceleração da economia brasileira.
Segundo Sílvio Gonçalves, a combinação de juros elevados, política fiscal restritiva e incertezas econômicas tende a impactar o consumo ao longo do próximo ano. “O desafio será equilibrar o entusiasmo do presente com a responsabilidade financeira, tanto para as famílias quanto para o setor produtivo”, concluiu.
O contraste entre o aumento do consumo no Natal e as projeções mais cautelosas para 2025 evidencia um ambiente de incertezas, especialmente para setores dependentes de crédito, como o varejo.