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Postado em: 19/12/2025 - 12:05 Última atualização: 20/12/2025 - 13:01
Por: Caio César - Portal Imbiara

Paraíso Hospitaleiro: Araxá celebra 160 anos com olhar para a história, a cultura e os desafios da preservação

Data marca reflexão sobre a formação da cidade, o desenvolvimento econômico e os desafios da valorização da memória

Das águas minerais ao turismo, trajetória da cidade reforça identidade cultural e vocação histórica. Foto: Ascom Prefeitura Municipal de Araxá

Araxá comemora 160 anos de emancipação política nesta sexta-feira, 19 de dezembro. A data, mais do que festiva, é um convite à reflexão sobre o passado, o presente e os caminhos futuros do município. Em entrevista à Rádio Imbiara, a historiadora Glaura Teixeira destacou os principais marcos da formação da cidade, a importância das águas minerais e fez um alerta sobre a necessidade de preservar o patrimônio histórico e cultural.

Segundo Glaura, as celebrações cumprem um papel fundamental ao permitir que a sociedade volte o olhar para a própria trajetória. “Mais do que comemorar, essas datas nos dão a oportunidade de refletir sobre como Araxá se construiu ao longo do tempo e por que ela tem as características que apresenta hoje”, afirmou.

A historiadora ressaltou que Araxá é uma cidade que “nasceu das águas”. A descoberta das águas minerais do Barreiro, no final do século XVIII, por volta de 1785, foi decisiva para atrair os primeiros moradores, impulsionando a ocupação do território, o desenvolvimento da pecuária e, posteriormente, a urbanização. A partir desse processo, vieram a primeira capela, a condição de freguesia, de julgado, de vila e, finalmente, em 19 de dezembro de 1865, a elevação à categoria de cidade.


Glaura Teixeira é uma renomeada historiadora que defende a preservação da memória de Araxá. Foto: Caio César/Portal Imbiara

Glaura também lembrou que a história de Araxá antecede a emancipação política. Antes de 1865, a região já era habitada por populações indígenas e quilombolas, heranças culturais que, segundo ela, ainda precisam ser mais valorizadas. “Somos frutos dessa diversidade cultural indígena, negra e rural, que moldou a identidade da cidade”, destacou.

Com o passar do tempo, as águas do Barreiro deixaram de ser utilizadas apenas na pecuária e passaram a ser estudadas cientificamente. A partir do final do século XIX, surgiu a perspectiva de Araxá se tornar uma estância termal, voltada à cura de doenças. Esse movimento impulsionou a hotelaria e, mais tarde, consolidou o turismo como um dos eixos do desenvolvimento local, culminando na construção do Complexo do Barreiro e do Grande Hotel, a partir da década de 1930.

Paralelamente, a cidade se modernizava. A chegada da ferrovia em 1926, a expansão do comércio em áreas centrais, a abertura de escolas e cinemas e a melhoria das vias de acesso ao Barreiro marcaram o início do século XX. Na década de 1950, além do auge do Complexo Termal, a descoberta do nióbio direcionou Araxá para um novo ciclo econômico, com a instalação de indústrias ligadas à mineração e à produção de fertilizantes.


Imagens mostram como era a rua Presidente Olegário Maciel, a avenida Antônio Carlos e o Hotel Cassino (atual Grande Hotel Termas de Araxá). Fotos: Reprodução Site Câmara de Araxá / Acervo Reprodução 

Outro aspecto destacado pela historiadora foi a hospitalidade, marca reconhecida de Araxá desde o final do século XIX. Essa característica, aliada à gastronomia típica, baseada em produtos das fazendas, como queijos, doces, leite e derivados da cana-de-açúcar, consolidou a reputação do município como “Paraíso Hospitaleiro”.

Apesar dos avanços, Glaura fez um alerta. Para ela, o crescimento das últimas décadas não tem sido acompanhado pela preservação do patrimônio histórico edificado. “Araxá olha muito para o futuro e deixa de olhar para o passado. Preservar a história não é retrocesso. Pelo contrário, é um caminho comprovado para fortalecer o turismo e gerar riqueza”, afirmou.

Ao final, a historiadora parabenizou Araxá pelos 160 anos, mas reforçou a necessidade de investir na preservação da memória, das tradições culturais e das origens indígenas e negras, como o Quilombo do Ambrósio. “Cultura, tradição, história e memória geram riquezas, inclusive materiais. Valorizar isso é valorizar a população e garantir um futuro mais próspero para a cidade”, concluiu.