Balanço mostra média de uma ocorrência a cada três dias; em dois anos, mais de 220 denúncias já foram registradas
A Polícia Militar de Meio Ambiente registrou 125 denúncias de maus-tratos contra animais em 2024 e já contabiliza 96 ocorrências em 2025, até o momento, em Araxá e região. O balanço aponta uma média de uma denúncia a cada três dias, número considerado alto pelo comando do 2º Grupamento.
Os dados foram destacados pelo sargento Marco Túlio da Silva durante entrevista ao programa Vida de Pet, da Rádio Imbiara 91,5 FM. Segundo ele, embora a participação da população seja fundamental, parte das denúncias não se confirma após a averiguação, muitas vezes por falta de informações ou por situações que não configuram crime.
De acordo com o comandante, os maus-tratos são caracterizados quando o animal é submetido à falta de água, alimento, abrigo adequado, ambiente insalubre, ferimentos aparentes ou doenças sem tratamento veterinário. Ele explicou que nem todo animal magro ou doente está sendo vítima de maus-tratos, ressaltando que existem biotipos diferentes e que o acompanhamento veterinário descaracteriza o crime.
Nos casos em que a infração é confirmada, o tutor é responsabilizado criminalmente. A pena para maus-tratos contra cães e gatos varia de dois a cinco anos de prisão, além de multa, e o animal é recolhido pelo Canil Municipal, onde recebe atendimento veterinário e, posteriormente, é encaminhado para adoção. Há ainda projetos em tramitação que buscam ampliar as penalidades para animais de grande porte, como cavalos e bovinos.
O balanço da PM de Meio Ambiente também evidencia que muitas ocorrências estão ligadas ao abandono e à superpopulação de cães e gatos. Segundo o sargento Marco Túlio, a falta de castração contribui diretamente para o aumento de animais nas ruas. “Cada ninhada pode gerar vários filhotes, o que acaba refletindo no número de denúncias atendidas pela polícia”, afirmou.
As denúncias podem ser feitas de forma anônima pelo telefone 181, e fotos ou vídeos podem auxiliar no trabalho policial, desde que encaminhados diretamente às autoridades competentes. A orientação é evitar a divulgação em redes sociais, para não comprometer a apuração dos fatos.
Além dos maus-tratos a animais domésticos, o balanço inclui atendimentos relacionados a animais silvestres. A PM de Meio Ambiente reforça que matar cobras ou outros animais silvestres é crime ambiental e que a população deve acionar os órgãos competentes para a captura e soltura em local apropriado.
Segundo o comando do grupamento, o enfrentamento aos maus-tratos passa não apenas pela repressão, mas também por educação ambiental, posse responsável e conscientização da população, medidas que podem contribuir para a redução dos números nos próximos anos.