BEM BRASIL
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Postado em: 22/12/2025 - 09:22 Última atualização: 22/12/2025
Por: Alex Sander Xexéu - Portal Imbiara

Natal mais caro em 2025: Ceia pesa no bolso e exige pesquisa de preços em Araxá

Pesquisas nacionais apontam alta em proteínas e itens sazonais; supermercados de Araxá confirmam aumento no movimento e reajustes em produtos natalinos

Aves natalianas estão com aumento no preço neste ano de 2025. Foto: Alex Xexéu

Com a proximidade do Natal e do Ano Novo, os consumidores intensificam a corrida aos supermercados para garantir os itens da ceia. Em dois mil e vinte e cinco, no entanto, o cenário é de atenção redobrada aos preços. Pesquisas nacionais indicam aumento no custo dos produtos típicos da data, realidade que também já é sentida em Araxá.

Levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) mostra que 98% dos brasileiros pretendem celebrar o Natal. O gasto médio previsto com a ceia e o almoço natalino é de R$ 338, valor que pode não ser suficiente diante dos reajustes registrados neste ano.

De acordo com a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), a cesta natalina composta por dez itens tradicionais — como aves natalinas, panetone, pernil, peru, tender, azeite e bebidas — custa, em média, R$ 351,80, valor superior ao registrado em dois mil e vinte e quatro.

Segundo a Abras, o aumento é esperado por se tratar de produtos sazonais, com maior demanda no fim do ano, custos logísticos elevados e, em alguns casos, influência do câmbio, como ocorre com o bacalhau.

Alta nas proteínas e nos itens tradicionais

Dados da empresa VR, que analisou milhões de notas fiscais entre dois mil e vinte e quatro e dois mil e vinte e cinco, mostram que o bacalhau lidera a alta de preços, com aumento superior a 80%. Outras proteínas também ficaram mais caras, como lombo suíno e aves festivas, enquanto o peru teve reajuste mais moderado.

Apesar disso, alguns cortes registraram queda e se tornaram alternativas para a ceia, como o tender e o pernil, que apresentaram leve redução nos preços.

Itens doces e frutas típicas também ficaram mais caros. Panetones, chocotones, frutas secas, nozes, castanhas e frutas importadas registraram aumentos, reforçando a necessidade de pesquisa e planejamento por parte do consumidor.

Panetones, espumantes e outros produtos da cesta mantiveram preços. Foto: Alex Xexéu 

Queda do azeite ameniza a cesta

Em meio às altas, o azeite de oliva aparece como exceção. Levantamento da Fundação IPEAD aponta queda superior a 20% no preço do produto em dois mil e vinte e cinco, reflexo da normalização do mercado internacional e da redução da tarifa de importação.

Thiago Antunes  é gerente de uma rede supermercados em Araxá. Foto: Alex Xexéu

Cenário em Araxá

Em Araxá, os supermercados confirmam o reflexo desse cenário nacional. O gerente do supermercado Bernadão, Tiago Antunes, afirma que em relação a dois mil e vinte e quatro houve aumento no movimento dentro das lojas, especialmente na última semana antes do Natal.

Segundo ele, as carnes natalinas estão mais caras neste ano, principalmente devido a dificuldades na produção e na entrega por parte das indústrias. Já produtos como panetones e espumantes mantiveram preços semelhantes aos do ano passado, enquanto o chocolate registrou aumento expressivo.

Tiago Antunes também destaca a alta procura por cestas de Natal personalizadas, principalmente por empresas. Os valores variam, em média, entre R$ 60 e R$ 120, de acordo com os itens escolhidos.

O economista Silvio Gonçalves fala dos preços e economia do 13º salário. Foto: Alex Xexéu 

Análise econômica

Para o economista Silvio Gonçalves, do Grupo Imbiara de Comunicação, as perspectivas para as vendas de fim de ano são positivas. Ele destaca que o pagamento do décimo terceiro salário injeta recursos na economia e aumenta a intenção de consumo em relação ao Natal passado.

Silvio reforça, no entanto, que o consumidor deve agir com cautela, pesquisar preços, fazer listas e evitar compras por impulso, especialmente diante do alto nível de endividamento das famílias brasileiras.

Segundo o economista, apesar do otimismo e do aquecimento do comércio, é importante lembrar que o início do ano traz despesas fixas, como impostos e contas acumuladas, o que exige consumo responsável.

Tradição mantida, com adaptações

Mesmo com a alta nos preços, a tradição do Natal se mantém. A maioria dos brasileiros pretende comemorar em casa, adotando estratégias como divisão de despesas ou ceias compartilhadas, em que cada convidado leva um prato.

Em Araxá, assim como no restante do país, o Natal de dois mil e vinte e cinco é marcado pela celebração em família, mas também por mais planejamento, pesquisa de preços e adaptação ao orçamento.