Mercado financeiro acompanha o cenário geopolítico, mas petróleo e dólar mostram estabilidade
A operação dos Estados Unidos em solo venezuelano, realizada no último fim de semana e que resultou na prisão de Nicolás Maduro, ainda não provocou impactos significativos na economia mundial. A avaliação é do economista Silvio Gonçalves, que participou do programa Imbiara Notícias na manhã desta terça-feira (6).
Segundo ele, apesar de a Venezuela concentrar a maior reserva de petróleo do mundo, a produção do país é atualmente baixa, o que reduz efeitos imediatos sobre o mercado internacional. “Houve até uma queda inicial na cotação do petróleo, em torno de 2%, justamente pela expectativa de aumento da oferta, mas o barril do tipo Brent já se recupera”, explicou.
As ações da Petrobras chegaram a recuar, mas voltaram a subir no pregão desta terça-feira. Já o dólar apresentou apenas leve oscilação e segue próximo de R$ 5,39, sem influência direta da ação norte-americana. “O mercado, pelo menos neste momento, não reagiu com força à intervenção dos Estados Unidos”, destacou.
Silvio Gonçalves pondera que, politicamente, a saída de Maduro não representa uma mudança estrutural imediata. A vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu o comando do país e já sinaliza alinhamento com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. “O que os analistas comentam é que a ditadura continua, mas agora sob influência direta dos Estados Unidos”, avaliou.
O economista também chamou a atenção para o cenário geopolítico mais amplo, citando conflitos como Rússia e Ucrânia, Israel e Hamas, além das tensões entre China e Taiwan. “A ONU, mais uma vez, se mostra enfraquecida diante desses conflitos. As decisões unilaterais acabam aumentando a instabilidade global”, afirmou.
Apesar disso, Silvio reforça que, no curto prazo, não há previsão de grandes impactos econômicos globais decorrentes do episódio venezuelano, mas alerta que novas decisões do governo norte-americano devem permanecer no radar dos mercados.