Orianny Blanco fala sobre a crise na Venezuela, o processo de migração, adaptação no Brasil e a formação de sua família em Araxá
Moradora de Araxá há cerca de um ano, a venezuelana Orianny Blanco, de 29 anos, vive no Brasil há quase nove anos. Natural de Maturín, no estado de Monagas, ela deixou a Venezuela entre 2015 e 2017, período em que o país enfrentava forte escassez de alimentos e dificuldades econômicas.
Segundo Orianny, a saída do país ocorreu após uma sequência de problemas ligados ao abastecimento e à renda da população. Ela relata que, naquele período, era comum enfrentar longas filas para comprar produtos básicos, sem garantia de conseguir levar alimentos para casa.
Após deixar sua cidade, Orianny viveu por um tempo na região de fronteira entre Venezuela e Brasil. Com a chegada da pandemia, perdeu o trabalho e passou a auxiliar pessoas que tentavam entrar no território brasileiro. Diante dos riscos e das dificuldades, decidiu se estabelecer definitivamente no Brasil.
O primeiro destino foi Chapecó, em Santa Catarina, onde permaneceu por um período. Posteriormente, veio para Araxá, motivada por conhecidos que já viviam na cidade. Aqui, conseguiu oportunidades de trabalho e iniciou um novo ciclo de vida.

Orianny Blanco ao lado do filho Santiago, em Araxá, retrato de uma nova etapa da família construída no Brasil. Foto: Alex Xexéu
Ao comentar a situação atual da Venezuela, Orianny afirma que o abastecimento de alimentos melhorou, mas a renda da população continua baixa. De acordo com ela, o salário mínimo no país gira em torno de 3 dólares, valor que dificulta o acesso regular a alimentação, medicamentos e serviços essenciais.
Ela também aponta problemas estruturais na saúde pública e limitações à liberdade de expressão. Segundo o relato, críticas ao governo podem resultar em punições, o que leva muitos venezuelanos a se manifestarem apenas quando estão fora do país.
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Em Araxá, Orianny construiu novos vínculos. Durante o período em que planejava deixar a cidade, ela conheceu Pedro Silva, morador de Araxá. O relacionamento fez com que ela reconsiderasse a mudança e decidisse permanecer.
Pedro conta que conheceu Orianny por meio de um aplicativo de relacionamento e que, inicialmente, não imaginava iniciar um relacionamento com alguém de outro país. “Nunca imaginei conhecer alguém de fora, ainda mais da Venezuela”, afirmou. Segundo ele, a convivência e o diálogo fortaleceram a relação.

Maturín, capital do estado de Monagas, na região nordeste da Venezuela, terra natal de Orianny Blanco, às margens do rio Guarapiche, principal centro político, econômico e administrativo da região. Foto: Wikipédia
Da união nasceu Santiago, filho do casal, que está com poucos dias de vida. Orianny também é mãe de outra criança. Para ela, a chegada do novo filho representa a consolidação dessa nova fase no Brasil.
Apesar de viver atualmente em Araxá, Orianny mantém contato frequente com familiares que permanecem na Venezuela, como pais, irmãos e avó. Ela afirma que acompanha com atenção as mudanças políticas e econômicas no país e espera, no futuro, poder retornar para visitar a família com segurança.
A história de Orianny reflete a realidade de muitos venezuelanos que migraram para o Brasil nos últimos anos, buscando melhores condições de vida e estabilidade, enquanto mantêm laços com o país de origem.