Medos comuns durante a gravidez são esclarecidos por especialista em medicina felina
A toxoplasmose ainda gera medo e desinformação, especialmente entre gestantes e tutores de gatos. Durante o programa Vida de Pet, da Rádio Imbiara 91,5 FM, a médica-veterinária Letícia Maria Batista, especialista em medicina felina, esclareceu dúvidas frequentes e desmistificou a ideia de que os gatos são os principais responsáveis pela transmissão da doença aos humanos.
Segundo a veterinária, a toxoplasmose é uma zoonose, ou seja, uma doença que pode ser transmitida dos animais para o ser humano, causada pelo protozoário Toxoplasma gondii. O gato é o hospedeiro definitivo do parasita, mas isso não significa que ele represente o maior risco de contaminação para as pessoas.
“O gato acaba levando a culpa sem merecer. Na prática, as principais formas de transmissão da toxoplasmose para o ser humano estão relacionadas à alimentação, como o consumo de carne crua ou mal passada, leite cru, água contaminada e frutas e verduras mal lavadas”, explicou Letícia.
Gestantes e o medo infundado do convívio com gatos
A médica destacou que muitas gestantes são orientadas, de forma equivocada, a se desfazer dos gatos durante a gravidez. “Nem todo gato tem toxoplasmose e, mesmo quando tem, ele elimina o parasita nas fezes por um período curto, geralmente de uma a duas semanas”, afirmou.
Além disso, o simples contato com o animal não transmite a doença. Para que haja risco, seria necessário contato direto com fezes contaminadas e falta de higiene, como não lavar as mãos após a limpeza da caixa de areia.
“A chance de uma gestante se contaminar pelo gato, nos dias de hoje, com os cuidados de higiene que temos, é muito pequena. Muitas vezes, é menor do que o risco alimentar”, reforçou.
Estudo mostra que a contaminação ocorre, principalmente, pela alimentação
Durante o programa, Letícia relembrou um estudo realizado em 2018, em Uberaba, no Triângulo Mineiro, com mais de 100 gestantes diagnosticadas com toxoplasmose. O levantamento avaliou também cães e gatos dessas famílias.
“O resultado foi claro: os animais eram negativos para a doença. A maioria das gestantes tinha histórico de consumo de carne crua ou mal cozida e leite cru”, relatou a veterinária. O estudo também apontou maior incidência em mulheres entre 20 e 30 anos, principalmente de menor renda, associada à falta de informação sobre prevenção.

A médica-veterinária Letícia Maria Batista nos estúdios da Rádio Imbiara 91,5 FM. Foto: Caio César/Portal Imbiara
Exames, tratamento e prevenção
A toxoplasmose pode ser diagnosticada em gatos por meio de exames de sorologia, semelhantes aos realizados em humanos durante o pré-natal. Caso o resultado seja positivo, há tratamento com antibióticos, normalmente por um período de duas a quatro semanas.
Letícia também explicou que a doença, tanto em humanos quanto em animais, costuma ser silenciosa, sem sinais clínicos evidentes. Quando aparecem, podem incluir febre, apatia, diarreia, alterações oculares e, em casos mais graves, sinais neurológicos.
Como forma de prevenção, a veterinária orienta:
- evitar o consumo de carne crua ou mal passada;
- Não ingerir leite cru;
- Lavar bem frutas e verduras;
- Manter a higiene ao limpar a caixa de areia dos gatos;
- Realizar acompanhamento veterinário periódico, principalmente em gatos com acesso à rua.
Gatos de fazenda exigem mais atenção
Gatos que vivem soltos, especialmente em áreas rurais, têm maior chance de contato com o parasita devido ao hábito de caça de aves e roedores. “Nesses casos, o acompanhamento veterinário e a realização de exames periódicos são ainda mais importantes”, alertou.
Apesar disso, Letícia reforçou que o controle da toxoplasmose passa muito mais pela informação e pela prevenção correta do que pelo afastamento dos animais.
“Os gatos não são os vilões. Informação de qualidade salva vidas — humanas e animais”, concluiu.