Clarissa Nagri fala sobre o “novo idoso”, ativo, consciente e em movimento
O programa Vida Ativa 60+, da Rádio Imbiara, exibido nesta quarta-feira (14), promoveu um debate amplo e necessário sobre o envelhecimento na atualidade, com foco no conceito NOLT – New Older Living Trend, expressão que pode ser traduzida como o “novo idoso”. A conversa trouxe reflexões importantes sobre comportamento, saúde, cultura e consciência social, tendo como destaque a fala da consultora de bem-estar Clarissa Nagli.
Durante o programa, Clarissa explicou que o envelhecimento deixou de ser sinônimo de fim de ciclo. Ao contrário, passou a representar uma nova etapa de possibilidades. Segundo ela, o idoso de hoje não aceita mais o papel de espectador da própria vida. Ele participa, decide, se movimenta e busca qualidade de vida, mantendo-se ativo física, mental e socialmente.
A consultora ressaltou que por muitos anos a sociedade construiu a ideia de que, ao se aposentar, a pessoa deveria “ir para o aposento”, parar de produzir, evitar desafios e se limitar a uma rotina passiva. Esse modelo, segundo Clarissa, não corresponde mais à realidade atual e tampouco às necessidades do corpo e da mente humana.
Ela destacou que o corpo foi biologicamente projetado para o movimento. A falta de atividade física acelera dores, limitações, perda de força, problemas articulares e também impacta diretamente o funcionamento do cérebro. “O corpo em movimento sustenta a jovialidade. Quanto menos movimento, mais o cérebro entra em modo de economia, pedindo repouso e inatividade”, explicou.
Clarissa também chamou atenção para o papel da informação e da ciência no processo de envelhecimento saudável. Hoje, médicos, profissionais da saúde e educadores físicos reforçam a importância do exercício regular, inclusive para pessoas com dores articulares e doenças crônicas. A atividade física adequada melhora a circulação, protege as articulações e contribui para a autonomia na maturidade.
Outro ponto abordado foi a necessidade de mudança cultural. Clarissa destacou que ainda existe preconceito etário, inclusive no mercado de trabalho, onde pessoas acima dos 50 anos muitas vezes são descartadas, apesar de estarem no auge da experiência, da clareza mental e da capacidade produtiva. Para ela, envelhecer não significa perder valor, mas acumular conhecimento e vivência.
A analogia usada no programa para explicar o NOLT comparou o envelhecimento às ondas do mar. Diante das mudanças da vida, a pessoa pode escolher ser levada pela onda ou aprender a “surfar”, aproveitando o movimento para seguir em frente. O conceito do NOLT representa justamente essa escolha consciente de continuar vivendo de forma ativa, mesmo com limitações naturais da idade.
Clarissa reforçou que nunca é tarde para começar. Mesmo quem passou grande parte da vida sedentário pode iniciar uma nova rotina após os 60 anos e colher benefícios reais. Para ela, o mais importante é entender que cada manhã representa uma oportunidade de recomeço.
O Vida Ativa 60+ reafirma, com esse debate, seu compromisso com a informação, a cidadania e o bem-estar da geração prateada, mostrando que envelhecer é um processo natural, mas a forma de viver essa fase é uma escolha. O NOLT surge como um convite para seguir em movimento, com consciência, autonomia e protagonismo em todas as fases da vida.