Centro Pop manteve abordagens diárias na cidade e apontou fatores sociais, dependência química e o livre-arbítrio como principais desafios no acolhimento
A população em situação de rua aumentou em Minas Gerais em 2025 e manteve o estado como o terceiro com maior número de pessoas nessa condição no Brasil. Um levantamento da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) mostrou que o total passou de 30.244, em 2024, para 33.139 pessoas no ano passado, um crescimento de 9,57%.
Em Belo Horizonte, o aumento foi de pouco mais de 8%, chegando a 15.474 moradores em situação de rua. O estudo foi elaborado pelo Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua, com base em dados do Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico).
De acordo com os pesquisadores, a falta de moradia, a ausência de políticas públicas estruturantes, as emergências climáticas e os deslocamentos forçados explicaram o crescimento em todo o estado.

Em 2024, Minas tinha 30.244 pessoas vivendo nas ruas; em 2025, o número passou para 33.139, conforme dados do CadÚnico analisados pela UFMG. Foto: Alex Xexéu
Realidade também acompanhada em Araxá
Em Araxá, o tema foi acompanhado de perto pelo Centro Pop, que manteve um trabalho contínuo de acolhimento e abordagens sociais em diferentes regiões da cidade. Em entrevista ao programa Enviara Notícias, o coordenador do serviço, Rafael Madeira, explicou que a situação de rua esteve ligada a diversos fatores, como dificuldades socioeconômicas, conflitos familiares, rompimento de vínculos e, em muitos casos, o uso de álcool e outras drogas.
Segundo ele, as equipes realizaram abordagens praticamente todos os dias da semana, em horários variados, com apoio da Polícia Militar e da Guarda Patrimonial. O objetivo foi orientar, acolher e tentar reintegrar essas pessoas à sociedade.
Rafael destacou que um dos principais entraves enfrentados foi o livre-arbítrio. Muitas pessoas abordadas optaram por não aceitar o atendimento oferecido pelos serviços sociais.
O coordenador também chamou atenção para a presença de crianças e adolescentes em vias públicas, vendendo produtos ou pedindo dinheiro. Nesses casos, o trabalho foi realizado em conjunto com o AEPET, que acionou os responsáveis e avaliou cada situação de forma individual.

Rafael Madeira, coordenador do Centro Pop de Araxá, explica os desafios no acolhimento de pessoas em situação de rua e reforça a importância de direcionar doações para locais adequados. Foto: Alex Xexéu
Outro ponto ressaltado foi o pedido para que a população evitasse fazer doações diretamente nas ruas. Segundo ele, esse tipo de ajuda acabou contribuindo para a permanência das pessoas em situação de vulnerabilidade. A orientação foi para que as doações fossem direcionadas a locais adequados, onde o atendimento pudesse ser acompanhado.
Sobre a concentração de pessoas em determinados pontos da cidade, como o entorno da rodoviária, Rafael explicou que o problema esteve espalhado por várias regiões, embora alguns locais tenham recebido atenção especial devido ao impacto no comércio e na circulação de pessoas.
O Centro Pop de Araxá, localizado na Avenida Amazonas, contou com 40 vagas masculinas e 12 femininas, mas registrou baixa ocupação ao longo do período. De acordo com o coordenador, isso ocorreu porque muitos não aceitaram cumprir as regras do acolhimento.
Mesmo diante das dificuldades, Rafael afirmou que o trabalho continuou sendo realizado de forma permanente, com abordagens diurnas e noturnas, sempre com foco no atendimento humanizado.