Mulher com apenas 25% da função cardíaca aguarda há cinco dias definição para tratamento e afirma que não pode sair nem para realizar exame particular
Uma paciente internada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Araxá relata dificuldades para dar continuidade ao tratamento de um grave problema cardíaco. Janaine Aparecida Diniz Silva está internada há cinco dias e afirma que ainda não iniciou a medicação necessária por depender da realização de uma ressonância cardíaca, exame que não é ofertado no município.
Segundo Janaine, ela procurou atendimento médico após sentir dores no peito, falta de ar e fadiga intensa. Após passar por um cardiologista, foi solicitado um ecocardiograma, realizado na última sexta-feira. O resultado apontou que o coração está funcionando com apenas 25% da capacidade, além do diagnóstico de hipertensão pulmonar. Diante da gravidade, o próprio médico encaminhou Janaine diretamente para a UPA, com recomendação de internação imediata.
Desde então, ela aguarda a realização da ressonância do coração, exame essencial para definição do tratamento. Janaine conta que buscou o exame por conta própria em cidades como Uberaba, Uberlândia, Patos de Minas, Franca e Ribeirão Preto, e conseguiu vaga na rede particular. No entanto, ao informar a equipe da UPA, foi orientada de que não poderia deixar a unidade para realizar o exame particular sem pedir alta médica.
De acordo com o relato, caso opte pela alta, ela perde a vaga no Sistema Único de Saúde (SUS) e corre o risco de não ser readmitida se o quadro se agravar. A paciente afirma ainda que não foi disponibilizada ambulância ou transporte para o deslocamento até outra cidade.
Além do próprio caso, Janaine relata que outros pacientes enfrentam situação semelhante. Uma idosa identificada como Gilma está internada há 12 dias aguardando vaga em Uberaba para tratamento cardíaco. Outra paciente, Dayana, espera há cerca de 15 dias pela mesma transferência. Segundo ela, a UPA segue recebendo novos pacientes com indicação de encaminhamento, mas sem vagas disponíveis.
Janaine também destaca o impacto emocional da situação, já que é mãe de um bebê de oito meses. Enquanto permanece internada, o filho é levado até a unidade para amamentação. Ela relata que, em alguns momentos, precisa retirar o leite com bomba e descartá-lo.
Resposta da Secretaria de Saúde
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde esclarece que os tratamentos e exames de alta complexidade são ofertados por Uberaba, município que é referência não apenas para Araxá, mas também para outros 27 municípios da região.
A pasta informa que o acesso a esses serviços ocorre de forma regulada, conforme as diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS). Todos os casos encaminhados passam obrigatoriamente pela avaliação do médico regulador da Central de Regulação de Leitos de Uberaba.
Segundo a Secretaria, cabe ao médico regulador analisar cada solicitação com base na gravidade clínica, no risco à saúde do paciente e na disponibilidade de vagas, definindo as prioridades de atendimento de forma técnica, ética e equânime.
O processo, conforme a nota, tem o objetivo de garantir transparência, justiça no acesso aos serviços e a correta utilização da rede regional de saúde, assegurando prioridade aos casos mais graves, conforme os princípios do SUS.Apíos