BEM BRASIL
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Postado em: 29/01/2026 - 11:57 Última atualização: 29/01/2026 - 14:54
Por: Manoelita Chagas/Caio César - Portal Imbiara

Novos estudos indicam que Araxá pode abrigar um dos maiores depósitos de terras raras do mundo

Pesquisas ampliadas mostram que a área mineralizada é maior do que se imaginava e reforçam a importância estratégica do município no cenário internacional

A St George já aprovou uma nova campanha de pesquisas para aprofundar o conhecimento sobre o depósito e fechar as malhas de sondagem. Foto: Caio César

Araxá voltou ao centro das atenções do setor mineral após novos estudos apontarem que o município pode abrigar um depósito de terras raras de classe mundial. As pesquisas, conduzidas pela empresa St George, indicam que a área mineralizada é significativamente maior do que a estimada inicialmente, reforçando o potencial estratégico da região em um momento de crescente disputa geopolítica por esses minerais.

As terras raras são fundamentais para a produção de tecnologias modernas, como celulares, carros elétricos, turbinas eólicas e equipamentos militares. Atualmente, a China concentra a maior parte da produção mundial, o que tem levado outros países a buscarem alternativas. Nesse cenário, Araxá surge como um ponto-chave fora do território chinês.

Segundo Adriano Rios, diretor industrial e de Operações da St George, os estudos mais recentes ampliaram de forma significativa o conhecimento sobre o depósito. Ele explica que, quando o projeto foi adquirido da empresa Itafós, as pesquisas anteriores se concentravam em uma área limitada. A partir disso, a nova gestão decidiu expandir a malha de sondagem para entender melhor a extensão do depósito.

“Com essa ampliação, tivemos uma grata surpresa. Encontramos mineralizações ricas, inclusive com presença de nióbio, em áreas que chegam a quase um quilômetro além da região inicialmente estudada. Isso mostra que o depósito é maior do que imaginávamos”, afirmou.

Adriano Rios, diretor industrial e de Operações da St George. Foto: Caio César

Atualmente, a empresa já realizou cerca de 10 mil metros de sondagem, mas os trabalhos ainda não foram concluídos. Por isso, ainda não é possível apresentar números finais sobre o volume total do depósito. O projeto, quando foi adquirido, estimava cerca de 40 milhões de toneladas, número que, segundo Adriano, deve ser superado após a conclusão dos estudos.

Apesar do grande potencial, o diretor explica que ainda é cedo para estimar valores financeiros. Isso porque será necessário identificar quais elementos estão mais concentrados, analisar os preços de mercado e definir os processos de extração e beneficiamento, além dos custos envolvidos.

A St George já aprovou uma nova campanha de pesquisas para aprofundar o conhecimento sobre o depósito e fechar as malhas de sondagem. Paralelamente, a empresa trabalha com institutos de pesquisa em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro, incluindo o CETEM, para desenvolver a rota de produção das terras raras encontradas em Araxá.

A expectativa é que os primeiros resultados desses estudos comecem a ser divulgados entre março e abril. A partir disso, a empresa poderá avançar para a fase de modelagem, definição de processos e planejamento das futuras instalações.

Com esses avanços, Araxá se consolida como uma das regiões mais promissoras do Brasil no setor de terras raras, com potencial para ganhar destaque internacional e desempenhar um papel estratégico no futuro da mineração e da tecnologia.