BEM BRASIL
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Postado em: 29/01/2026 - 16:46 Última atualização: 29/01/2026 - 16:48
Por: Caio César/Carlos Nunes/Silvio Gonçalves - Portal Imbiara

Supermercados vendem menos alimentos mesmo com inflação menor, aponta comentarista Silvio Gonçalves

Endividamento, juros altos e mudança de prioridades explicam consumo mais cauteloso

Mercado de alimentos entra em fase de crescimento mais contido. Foto: Arquivo Portal Imbiara

Apesar da desaceleração da inflação dos alimentos, os supermercados brasileiros registraram queda nas vendas de comidas em dezembro — mês tradicionalmente marcado pelo aumento do consumo por causa das festas de fim de ano e do pagamento do 13º salário. A análise foi destacada pelo comentarista econômico Silvio Gonçalves durante o programa Conexão Imbiara – Economia e Negócios.

Segundo um levantamento da plataforma de inteligência de mercado Scanntech, que monitora bilhões de cupons fiscais no país, o volume de itens vendidos no varejo alimentar caiu 5,5% em relação a dezembro do ano anterior. Em faturamento, a retração foi de 2,5%.

“O que chama a atenção é que esses números vieram em um contexto em que a inflação de alimentos deu uma trégua. Normalmente, com os preços arrefecendo, o consumo tende a acelerar”, explicou Silvio. “Mas o consumidor brasileiro se mostrou mais cauteloso na hora de comprar.”

Cautela no consumo mesmo com preços mais baixos

Para Silvio, a queda nas vendas reflete uma combinação de fatores que vão além do comportamento típico de fim de ano.

“Temos hoje um alto nível de endividamento das famílias, juros ainda elevados e uma mudança clara no perfil de gastos”, disse o comentarista. “As pessoas estão destinando mais do orçamento para serviços e lazer e menos para a compra de bens, como os alimentos em supermercados.”

Ele também ressaltou a influência das apostas online no orçamento. “Gastos com plataformas de apostas acabam competindo diretamente com itens básicos no orçamento familiar. Isso impacta o consumo de alimentos de forma real, não é efeito psicológico.”

Perspectivas para 2026: consumo moderado

Apesar de estimativas de crescimento para o varejo alimentar nos próximos anos, Silvio avalia que esse movimento será mais moderado.

“A perspectiva é de expansão sim, mas com ritmo menos acelerado. O consumidor está mais seletivo, com orçamento pressionado, e a inflação, apesar de mais baixa, não basta para estimular uma compra mais vigorosa”, ponderou.

Ele lembrou ainda que o cenário econômico geral — com juros elevados e pressões sobre crédito — deve continuar condicionando o comportamento do mercado nos próximos meses.

“Os dados de dezembro surpreenderam porque fugiram ao padrão esperado. Isso nos dá um sinal claro: as famílias estão revendo prioridades e isso impacta diretamente o varejo de alimentos”, concluiu Silvio.