Tratamentos para emagrecimento passam a disputar espaço no orçamento doméstico, diz Silvio Gonçalves
Os medicamentos injetáveis para emagrecimento, conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras”, já começam a provocar efeitos no orçamento doméstico e até no padrão de consumo alimentar dos brasileiros. A avaliação é do comentarista econômico Silvio Gonçalves, que analisou a tendência durante o programa Conexão Imbiara – Economia e Negócios.
Levantamentos de empresas de pesquisa de mercado indicam que lares que passaram a utilizar esse tipo de medicamento reduziram significativamente as compras de alimentos e bebidas. Além da mudança de hábitos alimentares, o custo mensal do tratamento — que pode ser elevado — também pesa no bolso.
“Estamos falando de um gasto recorrente e alto. Quando esse tipo de despesa entra no orçamento da família, alguma outra área vai perder espaço — e muitas vezes é o consumo dentro do supermercado”, explica Silvio.
Mudança de hábitos e impacto no varejo
Segundo o comentarista, o impacto não vem apenas da restrição financeira, mas também da mudança de comportamento alimentar.
“Esses medicamentos reduzem o apetite e levam a uma reeducação alimentar. A pessoa passa a consumir menos volume e a escolher melhor o que compra. Isso tem reflexo direto nas vendas de alimentos, especialmente de itens considerados supérfluos”, analisa.
Especialistas apontam que essa nova despesa passa a competir com outros itens do orçamento familiar, contribuindo para um cenário de consumo mais contido, especialmente no setor de alimentos.
Para Silvio, o fenômeno se soma a outras transformações recentes no perfil do consumidor. “A gente já vinha observando uma maior preocupação com saúde, busca por dietas específicas e redução de ultraprocessados. As canetas aceleram esse processo e ainda adicionam pressão financeira.”
Experiências ainda resistem
Mesmo com a mudança no consumo doméstico, Silvio avalia que alguns segmentos continuam mostrando resiliência.
“O brasileiro pode até reduzir a compra do dia a dia, mas ainda valoriza momentos de lazer. A alimentação fora do lar e experiências gastronômicas continuam tendo espaço, principalmente em encontros sociais”, pontua.
A tendência, segundo ele, é que o varejo alimentar precise se adaptar a um consumidor mais consciente, seletivo e com o orçamento cada vez mais disputado entre diferentes prioridades.