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Postado em: 03/02/2026 - 15:46 Última atualização: 03/02/2026
Por: Caio César/Carlos Nunes - Portal Imbiara

Terça da Economia: Inflação dá trégua no mês, mas acumulado preocupa e mantém juros elevados

Inflação dá trégua no mês, mas acumulado preocupa e mantém juros elevados

Silvio Gonçalves é economista e participa quinzenalmente do programa Imbiara Notícias. Foto: Caio César/Portal Imbiara

A prévia da inflação de janeiro trouxe sinais de desaceleração nos preços, mas o cenário ainda inspira cautela. Apesar de o índice mensal ter vindo mais baixo que o de dezembro, a inflação acumulada em 12 meses voltou a atingir o teto da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional, o que mantém o Banco Central em alerta e os juros em patamar elevado.

O IPCA-15, considerado a prévia da inflação oficial, ficou em 0,20% em janeiro, abaixo do registrado no mês anterior. Para o economista Silvio Gonçalves, o resultado confirma uma perda de força no ritmo de alta dos preços no curto prazo, mas não representa alívio definitivo. “De fato, a inflação está desacelerando mês a mês, mas, quando a gente olha o acumulado de 12 meses, ela volta ao teto da meta, que é 4,5%. Isso gera uma certa confusão, porque parece que está tudo melhorando, mas o cenário ainda exige cuidado”, explicou.

Ele lembra que o centro da meta é de 3%, nível que historicamente o Brasil tem dificuldade de alcançar. “Uma inflação nesse patamar, aqui no país, só costuma acontecer em momentos de recessão muito forte. Mesmo assim, é fundamental ter uma meta. Tudo que tem meta se torna mais factível. O que não se mede, não se gerencia. A meta ajuda a orientar o mercado e as decisões do Banco Central”, afirmou.

Segundo Silvio, é justamente essa necessidade de controle que mantém a taxa básica de juros em nível elevado. “O Banco Central tem feito o papel dele, mesmo que isso seja doloroso. Juros altos desestimulam o consumo excessivo e ajudam a segurar a inflação. A expectativa é que, se os dados continuarem melhorando, a gente possa ver cortes graduais nos próximos meses”, disse.

Entre os itens que ajudaram a conter a inflação de janeiro está a energia elétrica, beneficiada pela bandeira tarifária verde, sem cobrança extra nas contas. Em contrapartida, os alimentos voltaram a pressionar o orçamento das famílias. “A alimentação no domicílio interrompeu uma sequência de quedas. Tomate, batata, frutas e carnes subiram. São itens que pesam muito mais no bolso do dia a dia do que, por exemplo, a passagem aérea”, observou o economista.

Ele reforça que a desaceleração da inflação não significa queda de preços. “Quando a inflação cai, quer dizer que os preços continuam subindo, só que em ritmo menor. Se você comparar o valor de muitos produtos hoje com o de um ou dois anos atrás, eles ainda estão bem mais caros”, pontuou.

No mercado de trabalho, os dados mais recentes trouxeram um contraste. A taxa de desemprego medida pela PNAD Contínua, do IBGE, ficou em 5,1% no trimestre encerrado em dezembro, a menor da série histórica iniciada em 2012. A renda média do trabalhador também avançou em termos reais. “Isso é importante porque sustenta o consumo. Com mais gente trabalhando e ganhando um pouco melhor, a economia continua girando”, destacou Silvio.
 


Por outro lado, os números do Caged, que medem apenas os empregos com carteira assinada, mostraram saldo negativo em dezembro no país, com mais demissões do que contratações. “A taxa de desemprego é baseada em pesquisa e capta também a informalidade. Já o Caged traz dados reais do emprego formal. Quando a gente olha só para dezembro, houve fechamento de vagas, o que pode indicar uma desaceleração mais à frente”, explicou.

Em Araxá, o movimento foi semelhante. O município registrou saldo negativo de 505 postos de trabalho formais em dezembro, com destaque para a construção civil, setor que mais perdeu vagas. Silvio avalia que fatores sazonais ajudam a explicar o resultado. “O fim de ano sempre traz ajustes, encerramento de contratos temporários e também paradas técnicas em empresas e mineradoras, que impactam prestadores de serviço. Não dá para analisar um mês isoladamente”, ponderou.

Sobre a atividade econômica, a prévia do PIB calculada pelo Banco Central indicou crescimento acima do esperado em novembro, mas a projeção para 2026 é de desaceleração em relação ao ano anterior. “O consumo das famílias ainda deve sustentar parte do crescimento, mas, com juros altos e a indústria mostrando perda de fôlego, o avanço da economia tende a ser mais moderado”, concluiu Silvio Gonçalves.

Assim, o início do ano combina inflação menos intensa no curto prazo, mercado de trabalho ainda resiliente e sinais de desaceleração na atividade. Um equilíbrio delicado que deve continuar no centro das decisões econômicas nos próximos meses.