Projetos e ações buscam garantir envelhecimento com autonomia, cidadania e qualidade de vida
A população com 60 anos ou mais cresce em ritmo acelerado em Araxá e já se torna um dos principais focos de atenção das políticas públicas do município. Dados apresentados pela Prefeitura e pelo Conselho Municipal da Pessoa Idosa mostram que o número de idosos ultrapassa 18 mil moradores, cenário que exige planejamento, serviços eficientes e ações contínuas de cuidado, inclusão e garantia de direitos.
O levantamento, elaborado a partir de um diagnóstico social, econômico e de saúde, serve como base para orientar decisões do poder público e fortalecer o controle social. De acordo com o presidente do Conselho Municipal da Pessoa Idosa, Marcos Rodrigues dos Santos, conhecer a realidade local é essencial para traçar políticas públicas mais eficazes e direcionadas às reais necessidades da população 60+.
O diagnóstico também aponta que a maioria dos idosos vive em imóvel próprio, o que reduz parte da vulnerabilidade social, mas não elimina outros desafios enfrentados diariamente, como acesso à saúde, mobilidade, renda, convivência social e apoio familiar. Especialistas alertam que vulnerabilidade não se resume apenas à pobreza, mas envolve fatores físicos, emocionais, sociais e culturais.
Outro ponto destacado é a baixa adesão de idosos ao Cadastro Único (CadÚnico), ferramenta fundamental para o acesso a programas e serviços sociais. Atualmente, apenas uma parcela dos idosos do município está cadastrada. O Conselho e a rede de assistência social reforçam que estar no CadÚnico não significa estar em situação de miséria, mas sim garantir que o poder público tenha informações suficientes para planejar e oferecer políticas adequadas.
Entre as ações em andamento, o município conta com projetos desenvolvidos por organizações da sociedade civil, em parceria com o poder público, que oferecem atividades físicas, culturais, educativas e de convivência. Além disso, programas como o “Mãos que Cuidam” capacitam cuidadores para atender idosos em situação de dependência, permitindo que permaneçam em casa com acompanhamento adequado, evitando a institucionalização precoce.
O acesso aos serviços ocorre por meio da rede de assistência social, dos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), das unidades de saúde e da Estratégia Saúde da Família, que orientam idosos e familiares sobre os atendimentos disponíveis. A recomendação é que a população 60+ e seus familiares procurem essas unidades para obter informações e garantir o acompanhamento necessário.
O tema também ganha espaço na comunicação local. O programa Vida Ativa 60+, exibido semanalmente pela Rádio Imbiara, reforça o debate sobre envelhecimento ativo, cidadania e bem-estar, aproximando informação de quem mais precisa. A proposta é valorizar a geração prateada, incentivar a autonomia e mostrar que envelhecer pode e deve ser sinônimo de participação social.
Com o avanço da longevidade, Araxá se vê diante do desafio de adaptar serviços, ampliar políticas públicas e fortalecer redes de apoio. Mais do que viver mais, a população 60+ busca viver melhor — com dignidade, informação e qualidade de vida.