Especialista em clínica e cirurgia de equinos, Sabrina Reis falou sobre manejo, alimentação e bem-estar na Rádio Imbiara
O programa Vida de Pet, da Rádio Imbiara 91,5 FM, recebeu a médica veterinária Sabrina Reis, especialista em clínica e cirurgia de equinos e sócia do Hospital dos Cavalos, em Araxá. Durante a entrevista, conduzida por Edvaldo Gomes e Emílio Borges, a profissional falou sobre sua trajetória na medicina veterinária, o funcionamento do hospital e alertou para os principais cuidados relacionados à saúde, ao manejo e ao bem-estar dos cavalos.
Apaixonada por cavalos desde a infância, Sabrina contou que cresceu em fazenda e nunca teve dúvidas quanto à escolha profissional. Segundo ela, a decisão pela medicina veterinária sempre esteve ligada ao trabalho com equinos. Com nove anos de formada, atua diretamente no setor clínico do hospital e também participa da gestão administrativa ao lado do sócio Emílio Borges.
Durante a conversa, um dos pontos destacados foi a diferença entre gostar de cavalos e trabalhar profissionalmente com eles. De acordo com os veterinários, a rotina exige preparo físico e emocional, já que a profissão envolve situações delicadas, como dor, sofrimento e até a necessidade de eutanásia. Sabrina reforçou que o médico veterinário precisa manter equilíbrio emocional para tomar decisões técnicas, mesmo tendo vínculo afetivo com os animais.
A veterinária também ressaltou que, apesar do porte robusto, o cavalo é um animal extremamente sensível. Ela explicou que se trata de uma espécie que adoece rapidamente e pode morrer em pouco tempo se não houver intervenção adequada. Fatores como estresse, manejo inadequado, confinamento excessivo e alimentação incorreta podem desencadear doenças graves, como gastrite, cólicas e estereotipias, que são comportamentos repetitivos associados à ansiedade.

A médica veterinária Sabrina Reis nos estúdios da Rádio Imbiara 91,5 FM. Foto: Caio César/Portal Imbiara
Segundo Sabrina, o cavalo foi feito para viver solto e em constante movimento, e a permanência prolongada em baias, viagens frequentes ou participação em provas sem descanso adequado impactam diretamente a saúde do animal. A alimentação inadequada, inclusive, é apontada como a principal causa de mortes, já que cerca de 95% dos casos de cólica têm origem alimentar. Ela alertou para erros comuns, como o fornecimento excessivo de milho, ração inadequada, doces ou restos de alimentos humanos, além do risco do consumo de manga, especialmente do caroço, que pode causar engasgo e exigir cirurgia.
Outro ponto enfatizado foi a importância do manejo sanitário, com vermifugação e vacinação regulares. Cavalos soltos em pasto devem receber acompanhamento veterinário pelo menos três vezes ao ano, enquanto animais mantidos em baias podem necessitar de até seis avaliações anuais. Doenças como tétano e raiva, segundo a veterinária, podem ser prevenidas com vacinação, evitando tratamentos mais caros e, muitas vezes, a perda do animal.
Sabrina explicou ainda que o Hospital dos Cavalos oferece atendimento tanto nas propriedades quanto internação, quando necessário, destacando que o acompanhamento 24 horas faz diferença em casos mais graves. Ela citou situações de potros órfãos que precisam permanecer internados por até 60 dias, recebendo alimentação a cada duas horas para garantir um desenvolvimento saudável.
Por fim, a veterinária falou sobre a forte conexão entre cavalos e humanos, destacando a sensibilidade do animal, que é capaz de reconhecer pessoas, rotinas e emoções. Essa característica, segundo ela, explica o sucesso da ecoterapia, método terapêutico que utiliza o cavalo para auxiliar no desenvolvimento físico e emocional de crianças e adultos. “O cavalo percebe energia, emoção e até mudanças fisiológicas no ser humano. É uma relação que vai além da explicação científica”, concluiu.