Mais de 52 mil mineiros deram entrada no processo em janeiro; redução de custos impulsiona demanda e pressiona autoescolas
O número de pedidos para emissão da primeira Carteira Nacional de Habilitação (CNH) disparou em Minas Gerais após a flexibilização das regras determinada pelo governo federal. Segundo dados do Departamento Estadual de Trânsito de Minas Gerais, foram cerca de 52,9 mil requerimentos em janeiro de 2026. No mesmo período de 2025, haviam sido registrados 21,8 mil pedidos — um aumento de 142,6%.
A principal mudança foi a redução dos custos obrigatórios do processo. Antes, o valor médio para tirar a CNH no Brasil podia chegar a R$ 5 mil. Com as novas regras, candidatos deixaram de pagar pelas aulas teóricas obrigatórias e tiveram redução nos valores dos exames médico e psicológico.
Quanto ficou tirar a CNH em Minas?
As taxas obrigatórias são tabeladas. Confira os valores atuais:
Abertura do processo: R$ 115,80
Exame médico: R$ 90
Avaliação psicológica: R$ 90
Prova de legislação: R$ 115,80
Prova prática de direção: R$ 115,80
Total: R$ 527,40
As autoescolas continuam oferecendo pacotes, mas agora o aluno precisa cumprir apenas duas aulas práticas antes de realizar os exames.
Aulas práticas ficam mais caras
Com a retirada da obrigatoriedade das aulas teóricas e a redução dos pacotes completos, o valor da hora/aula prática aumentou. Antes, os preços variavam entre R$ 40 e R$ 50. Agora, podem chegar entre R$ 80 e R$ 100.
De acordo com o presidente do Sindicato dos Centros de Formação de Condutores de Minas Gerais (Sindicfc-MG), Alessandro Dias, os custos das autoescolas continuam os mesmos, como folha de pagamento, manutenção de veículos e estrutura física. Com menos serviços incluídos nos pacotes, os valores passaram a ser cobrados de forma individual.
O sindicato também defende a revisão das exigências para funcionamento das autoescolas, como número mínimo de funcionários e tamanho do espaço físico, para reduzir despesas.
Impacto no setor
Antes da mudança nas regras, a estimativa era de que metade das cerca de 2 mil autoescolas de Minas pudesse fechar as portas. Até o momento, o número é menor, mas já há registros de encerramento de atividades: cerca de 10 unidades fecharam em Belo Horizonte e aproximadamente 100 em todo o Estado.
O setor emprega cerca de 20 mil pessoas. A previsão do sindicato é que até 5 mil trabalhadores possam perder o emprego. Instrutores podem atuar como autônomos, mas precisam investir em veículo próprio e deixam de ter vínculo formal. Além disso, funções como diretores de ensino e diretores gerais foram extintas com a nova legislação, afetando cerca de mil profissionais.
Apesar dos impactos no setor, os dados indicam que a redução de custos ampliou o acesso à primeira habilitação em Minas Gerais.