BEM BRASIL
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Postado em: 20/02/2026 - 15:54 Última atualização: 20/02/2026 - 16:01
Por: Caio César/Edvaldo Gomes/Emílio Borges - Portal Imbiara

Atendimento veterinário 24 horas pode salvar vidas e exige atenção dos tutores em situações de urgência e emergência

Atendimento noturno garante suporte imediato em casos de atropelamentos, intoxicações e convulsões

Médica-veterinária Andreza do Amaral nos estúdios da Rádio Imbiara. Foto: Caio César/Portal Imbiara

A importância do atendimento veterinário 24 horas e os cuidados que tutores devem ter diante de situações de urgência e emergência foram tema de entrevista com a médica veterinária Andreza Amaral, que atua em plantões noturnos no atendimento a cães e gatos. Durante a conversa, ela destacou que o tempo de resposta e a informação correta são fatores decisivos para aumentar as chances de recuperação dos animais.

Com cerca de nove anos de atuação profissional — sendo sete deles dedicados à urgência e emergência — a veterinária explica que muitos atendimentos ocorrem fora do horário comercial, não necessariamente por casos graves, mas pela necessidade de tutores que só conseguem buscar ajuda à noite. “A urgência e a emergência não têm hora para acontecer. O atendimento 24 horas garante segurança e acesso ao cuidado quando o animal precisa”, afirmou.

Um dos pontos abordados foi a distinção entre situações que podem aguardar e aquelas que exigem atendimento imediato. Segundo a especialista, urgência envolve quadros que devem ser resolvidos em até um dia, como episódios isolados de vômito, fezes amolecidas ou diminuição do apetite — desde que o animal permaneça ativo e sem sinais graves. Já a emergência ocorre quando há risco de vida, exigindo deslocamento imediato ao veterinário. Exemplos incluem atropelamentos, quedas, ingestão de substâncias tóxicas, suspeita de hemorragia interna, inchaços repentinos, dificuldades respiratórias ou convulsões.

Ela reforça que sinais aparentemente leves podem esconder problemas sérios. “O animal não fala. Às vezes sofre um acidente, levanta e anda, mas pode ter uma hemorragia interna. Quanto mais cedo chega ao hospital, maiores as chances”, explicou.

Outro alerta importante é contra a automedicação. Medicamentos usados por humanos podem ser tóxicos para pets e até agravar quadros clínicos. Além disso, a veterinária destaca que informações incompletas dificultam o diagnóstico. “Nosso papel não é julgar, mas tratar. Quanto mais sincero o tutor for, mais assertivo será o atendimento”, pontuou.


Andreza do Amaral com Emílio Borges e Edvaldo Gomes, apresentadores do programa Vida de PET. Foto: Caio César/Portal Imbiara

Entre as ocorrências frequentes estão animais debilitados após dias de sintomas em casa, atropelamentos, envenenamentos, brigas entre cães e ataques de animais peçonhentos. Picadas de escorpião e serpentes também são registradas com certa frequência, inclusive em áreas urbanas, devido à presença de lotes vagos e áreas verdes. Em picadas de escorpião, dor intensa e vocalização súbita são sinais comuns. Já em ataques de cobras, podem ocorrer prostração, vômitos e dificuldades locomotoras, nem sempre com marcas visíveis.

A intoxicação por sapos também é recorrente em períodos chuvosos. Nesses casos, a orientação é lavar a boca do animal com água corrente e procurar atendimento imediatamente, evitando receitas caseiras, como leite ou outras substâncias. Convulsões também exigem resposta rápida e podem se manifestar tanto com movimentos intensos e perda de consciência quanto com sinais mais sutis, como tiques ou olhar fixo. A recomendação é manter a calma, evitar que o animal se machuque e levá-lo rapidamente ao atendimento, sem alterar doses de medicação por conta própria.

A veterinária ressaltou ainda a importância da prevenção, como manter a vacinação em dia e adotar cuidados odontológicos. Doenças periodontais, por exemplo, podem favorecer problemas cardíacos e renais, especialmente em animais idosos. Por fim, a recomendação principal é planejamento e consciência: conhecer previamente locais de atendimento, agir rapidamente diante de sinais incomuns e evitar atrasos que possam comprometer o tratamento. “Cada minuto conta. Não espere piorar — procurar ajuda rapidamente pode fazer toda a diferença para salvar a vida do animal”, concluiu.