Representantes de plataformas locais defendem fiscalização mais rigorosa e cumprimento das regras municipais por todos os serviços que atuam na cidade
A regulamentação do transporte por aplicativo em Araxá voltou a ser tema de debate nesta segunda-feira (23), durante entrevista concedida no estúdio da rádio Imbiara. O assunto foi abordado pelos representantes de plataformas locais que atuam no município, que defenderam maior fiscalização e o cumprimento da legislação municipal por todos os aplicativos que operam na cidade.
Participaram da entrevista o representante do aplicativo Te Levo, Sérgio Brito, e o presidente da cooperativa Rota Araxá, Natalício Diniz Neto. Ambos comentaram a reunião recente realizada na Câmara Municipal, que discutiu a atuação de plataformas de mobilidade urbana e levantou questionamentos sobre a presença de aplicativos que estariam operando sem o devido credenciamento junto ao município.
Segundo os representantes, Araxá possui atualmente uma legislação específica que regulamenta o transporte por aplicativo, exigindo que os veículos passem por vistoria e que os motoristas apresentem documentação e antecedentes para exercer a atividade. Sérgio Brito explicou que, quando os aplicativos começaram a operar na cidade, ainda não havia fiscalização efetiva por parte do poder público, mas que as próprias plataformas locais apoiaram a implementação das regras.
De acordo com ele, a regulamentação passou a ser vista como uma forma de garantir maior segurança tanto para os motoristas quanto para os passageiros. Brito afirmou que os aplicativos locais passaram a exigir antecedentes criminais dos motoristas, além de verificar as condições dos veículos e acompanhar as corridas realizadas pelas plataformas. “A gente entendeu que seria mais seguro ter a prefeitura como órgão regulamentador. Hoje a fiscalização existe e funciona, o que traz mais segurança para quem dirige e para quem utiliza o serviço”, afirmou.
A preocupação apresentada pelos representantes está relacionada principalmente à atuação de plataformas que, segundo eles, estariam operando na cidade sem cumprir as regras estabelecidas pelo município. Brito disse que a discussão surgiu de forma preventiva, antes que algum problema mais grave venha a ocorrer. “Nós monitoramos todas as corridas e exigimos antecedentes dos motoristas. O nosso medo é esperar acontecer algo grave para depois discutir. A ideia é agir de forma preventiva”, disse.
Durante a entrevista, o representante do Te Levo afirmou que Araxá possui atualmente cerca de 700 veículos cadastrados em aplicativos regulamentados, enquanto aproximadamente 300 estariam operando de forma clandestina. Segundo ele, esse tipo de atividade pode representar riscos à população, já que não há garantia sobre as condições dos veículos ou sobre a situação dos motoristas.
Ele também destacou que os carros cadastrados nas plataformas regulamentadas possuem um selo emitido pelo município, que comprova que o veículo passou por vistoria e que o motorista está devidamente registrado. Caso haja denúncia de irregularidade envolvendo motoristas cadastrados em aplicativos locais, a exclusão do profissional pode ocorrer imediatamente.
Outro ponto levantado por Brito durante a entrevista foi o impacto das corridas com valores muito baixos, praticadas por algumas plataformas. Segundo ele, a redução excessiva dos preços pode comprometer o padrão de qualidade do serviço oferecido na cidade. “Hoje Araxá tem um padrão muito alto de transporte por aplicativo. A maioria dos veículos é nova ou muito bem conservada. Se começarem corridas de seis ou oito reais, isso pode levar à perda dessa qualidade”, afirmou.
O representante também citou experiências em outras cidades para comparar a situação local. Segundo ele, em grandes centros é comum encontrar veículos em condições precárias prestando serviço por aplicativos, algo que, na visão dele, ainda não acontece em Araxá.
Para Brito, o debate não está relacionado apenas à concorrência entre empresas, mas principalmente à segurança da população. Ele ressaltou que, até o momento, a cidade não registrou crimes relacionados ao uso de aplicativos de transporte, o que reforça a importância de manter regras e fiscalização.
Já o presidente da cooperativa Rota Araxá, Natalício Diniz Neto, destacou que os aplicativos locais seguem a legislação municipal e defendem que qualquer empresa interessada em atuar no município também cumpra as mesmas exigências. Segundo ele, o objetivo não é impedir a chegada de novos serviços, mas garantir condições iguais de funcionamento. “Nós vivemos em um livre mercado. Quem quiser trabalhar em Araxá pode vir, mas precisa se enquadrar na legislação do município. Caso contrário, acaba sendo uma concorrência desleal”, afirmou.
Natalício também ressaltou que a cidade vive um momento de crescimento econômico e urbano, o que naturalmente desperta o interesse de novas plataformas de mobilidade. No entanto, ele avalia que a falta de fiscalização pode gerar impactos negativos tanto para os motoristas locais quanto para os usuários.
De acordo com ele, motoristas de outras cidades estariam vindo para Araxá trabalhar por meio de aplicativos que não seguem as regras municipais, o que acaba reduzindo as corridas disponíveis para os profissionais da própria cidade. “Quando motoristas de fora começam a rodar aqui sem controle, isso tira renda de quem mora e trabalha em Araxá”, disse.
Outro ponto defendido pelo presidente da cooperativa é o reforço na fiscalização. Para ele, o município precisa ampliar a presença de agentes responsáveis por verificar a atuação das plataformas. “Se não há efetivo suficiente, é preciso buscar alternativas, contratar mais pessoas ou encontrar outras formas de fiscalização. Alguma medida precisa ser tomada antes que o problema cresça”, afirmou.
Os representantes também relataram que a reunião realizada na Câmara Municipal contou com a participação de vereadores e da secretária municipal de Segurança Pública, Naiara Pacheco. Segundo eles, o encontro serviu para apresentar as preocupações das plataformas locais e discutir possíveis medidas para reforçar a fiscalização.
Durante a entrevista, Brito e Natalício também reforçaram a importância da participação da população no processo. Segundo eles, os usuários podem contribuir para a segurança do sistema ao optar por aplicativos regulamentados e denunciar possíveis irregularidades.
Para os representantes, a discussão sobre o transporte por aplicativo em Araxá precisa ser conduzida com foco na segurança dos passageiros, na qualidade do serviço e na garantia de condições justas para os profissionais que atuam no setor.