Especialista destaca que parceria internacional pode ampliar aplicações tecnológicas e fortalecer projetos de mineração no município
O acordo firmado recentemente entre Brasil e Índia para cooperação no setor de minerais críticos, como as chamadas terras raras, pode ampliar o mercado internacional desses materiais e favorecer projetos em desenvolvimento no país. O tema foi discutido durante entrevista na rádio Imbiara com o diretor da empresa St George Mining no Brasil, Tiago Amaral.
Segundo ele, a parceria internacional ocorre em um momento em que diferentes países buscam fortalecer a cadeia de produção de minerais estratégicos usados em tecnologias modernas. A Índia tem ampliado investimentos em inovação e desenvolvimento industrial, enquanto o Brasil possui grandes reservas desses elementos e busca avançar na produção.
De acordo com Amaral, iniciativas desse tipo ajudam a criar novas aplicações para minerais produzidos no país e podem ampliar o mercado internacional para produtos extraídos em regiões como Araxá.
“Esse tipo de acordo é positivo porque aproxima países interessados em desenvolver tecnologias e ampliar o mercado de materiais críticos. Isso cria oportunidades para novos usos e aumenta a demanda por esses minerais”, afirmou.
Ele destacou que o movimento pode beneficiar diretamente a produção mineral em Araxá, que já possui tradição no setor com o nióbio e agora também chama atenção pelo potencial de terras raras.
A St George Mining, empresa australiana responsável por um projeto mineral no município, avalia que o crescimento da demanda global por esses elementos pode abrir novas oportunidades para o desenvolvimento da atividade na região.
Nos últimos meses, a empresa anunciou avanços importantes relacionados ao projeto em Araxá. Entre eles estão novos resultados de perfuração que indicam ampliação das reservas minerais identificadas na área de exploração.

Tiago Amaral, diretor da Saint George em Araxá, em entrveista à Radio Imbiara. Foto: Rogério Farah
O projeto, localizado próximo ao complexo mineral do Barreiro, reúne depósitos de nióbio e terras raras considerados de alto teor e com potencial relevante em escala internacional.
Além da exploração mineral, a empresa também vem estruturando etapas necessárias para o desenvolvimento da operação. Recentemente, foram adquiridas áreas no município que deverão ser utilizadas para a implantação de uma futura planta de processamento e também para áreas de compensação ambiental.
Outra medida citada pelo diretor envolve um acordo com o governo de Minas Gerais relacionado ao recolhimento de ICMS, que estabelece um regime de taxa preferencial para apoiar o desenvolvimento do projeto.
Para Amaral, o Brasil possui posição estratégica no cenário mundial de minerais críticos. O país detém uma das maiores reservas conhecidas de terras raras e, com investimentos e parcerias internacionais, pode ampliar sua participação nesse mercado.
Dentro desse contexto, ele avalia que Araxá tem potencial para se consolidar como um dos polos de produção desses minerais no futuro, caso os projetos em andamento avancem para as próximas etapas de desenvolvimento.