Castração em massa, clínica pública e participação da sociedade são considerados fundamentais
A situação dos animais em situação de rua em Araxá foi tema de debate no programa “Vida de Pet”, que recebeu a vereadora Fernanda Castelha. Durante a entrevista, foram discutidas alternativas para enfrentar o problema, que envolve abandono, superpopulação e impactos diretos na saúde pública.
De acordo com a vereadora, o número de cães e gatos nas ruas ainda é elevado e continua sendo agravado, principalmente, pela falta de conscientização da população. “Se há animal na rua, é porque alguém o abandonou”, afirmou. Ela também destacou que, embora menos visíveis durante o dia, os gatos fazem parte dessa realidade, já que costumam circular mais à noite, o que amplia a dimensão do problema no município.
Entre as soluções apontadas, a castração em massa aparece como uma das principais estratégias para conter a reprodução descontrolada. Aliada a isso, a educação da população é considerada fundamental para promover uma mudança de comportamento em relação aos animais. Segundo a vereadora, ainda é comum que pets sejam tratados como objetos, quando, na verdade, devem ser vistos como parte da família. A responsabilidade dos tutores, especialmente em manter os animais sob controle e devidamente castrados, também foi reforçada.
Outro avanço destacado durante a entrevista é a implantação de uma clínica veterinária municipal em Araxá. O projeto conta com recursos destinados pelo deputado federal Mário Heringer, incluindo a estrutura física, que será instalada em formato de contêiner, além de verba para equipar o espaço. A unidade deverá funcionar em uma área central da cidade, com apoio da Prefeitura, responsável pela cessão do terreno, e tem como objetivo ampliar o acesso da população, especialmente de baixa renda, aos serviços veterinários.
Apesar do avanço, a vereadora alertou que a implantação da clínica é apenas o primeiro passo. O funcionamento efetivo dependerá de manutenção contínua, com a contratação de profissionais, aquisição de medicamentos e garantia de estrutura adequada para os atendimentos.
Durante o programa, o advogado Rodrigo Cruvinel também participou da discussão e destacou aspectos legais envolvendo a causa animal. Segundo ele, o recolhimento de animais deve seguir critérios técnicos e legais. “Para que o animal seja recolhido por agressão, é necessário um fato concreto, como um boletim de ocorrência e a comprovação médica. Isso evita que animais sejam retirados das ruas apenas por incômodo de moradores”, explicou.

Os convidados do programa Vida de PET foram a vereadora Fernanda Castelha e o advogado Rodrigo Cruvinel. Foto: Caio César/Portal Imbiara
Ele também ressaltou que a responsabilidade pelos animais em situação de rua é coletiva. “A responsabilidade é da sociedade e, por consequência, do município. O fato de um protetor alimentar um animal não o torna responsável legal por ele”, afirmou.Cruvinel ainda destacou a importância de políticas públicas integradas entre os entes federativos. “É fundamental que haja atuação conjunta entre União, Estado e município para que as ações sejam realmente eficazes no controle populacional e na proteção animal”, completou.
Outro ponto importante abordado foi a identificação dos animais. Atualmente, os pets castrados no município já saem com microchip e cadastrados em programas federais, o que permite localizar os tutores em caso de perda. A ampliação dessas políticas públicas, segundo a vereadora, pode contribuir para reduzir o abandono e aumentar a responsabilização.
O debate também reforçou que a solução para o problema não depende apenas do poder público, mas da participação de toda a sociedade. Medidas como punição para o abandono, incentivo à adoção responsável, apoio a protetores independentes e ações educativas são consideradas essenciais para reduzir o número de animais nas ruas.
Durante a participação dos ouvintes, foram relatados casos de abandono e ataques envolvendo animais soltos. Nesses casos, a orientação é que a vítima procure atendimento médico, registre ocorrência e acione o canil municipal.
A vereadora também criticou o abandono de animais idosos e doentes, classificando a prática como cruel e reforçando que se trata de crime. Apesar dos avanços, como os mutirões de castração e a futura clínica veterinária, o cenário ainda é desafiador.
Para a vereadora, a solução passa por um esforço conjunto entre o poder público e a população. “Não adianta querer tirar o animal da rua sem resolver a causa. É preciso conscientizar e responsabilizar”, concluiu.