BEM BRASIL
BEM BRASIL
Postado em: 23/03/2026 - 16:48 Última atualização: 23/03/2026 - 17:50
Por: Manoelita Chagas - Portal Imbiara

Outono acende alerta para doenças respiratórias e pneumologista orienta população em Araxá

Especialista destaca aumento de casos, sintomas de alerta e importância da prevenção durante período de maior circulação de vírus

Um dos principais sinais de atenção é a tosse persistente. Foto: Caio César

Durante entrevista ao programa Imbiara Notícias, nesta segunda-feira (23), na Rádio Imbiara FM 91,5, o médico pneumologista José Márcio Antunes Júnior alertou para o aumento significativo dos casos de doenças respiratórias com a chegada do outono. Em Araxá, segundo ele, já há registro de crescimento de cerca de 40% nos atendimentos relacionados a síndromes respiratórias nos últimos meses, cenário que acompanha uma tendência observada em todo o país.

Formado em Medicina pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em 2009 e com residência no Hospital das Clínicas, o especialista atua há mais de uma década na cidade. Natural de Ouro Preto, ele explicou que fatores típicos da estação contribuem diretamente para a maior incidência dessas doenças.

“O período de outono, especialmente entre maio e julho, concentra maior circulação de vírus respiratórios. Somado ao frio, que facilita a entrada desses vírus no organismo, e aos ambientes mais fechados e pouco ventilados, isso resulta em um aumento expressivo das infecções”, destacou.

Principais doenças e agravamento de quadros crônicos

Entre os problemas mais comuns nesta época, o médico aponta as infecções respiratórias agudas, que podem agravar doenças crônicas como asma e Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC). Esses pacientes, segundo ele, estão entre os mais vulneráveis.

Além disso, ele explicou a diferença entre condições frequentes como resfriado, gripe e síndrome respiratória aguda grave. Enquanto o resfriado tende a ser mais leve, a gripe apresenta sintomas mais intensos, como febre alta e maior prostração. Já os quadros graves podem exigir internação e até cuidados intensivos.

Sintomas de alerta exigem atenção

Um dos principais sinais de atenção é a tosse persistente. De acordo com o pneumologista, quando o sintoma ultrapassa três semanas ou vem acompanhado de falta de ar, chiado no peito, febre contínua ou dor torácica, é fundamental buscar avaliação médica.

“O quadro gripal simples não deve causar falta de ar. Quando esse sintoma aparece, já indica que pode haver uma complicação”, ressaltou.

Outros sinais de alerta incluem secreção abundante, dor no peito ou nas costas e piora progressiva dos sintomas após alguns dias de evolução.

Prevenção passa por vacinação e hábitos simples

Entre as principais orientações, o especialista reforça a importância da vacinação contra gripe, pneumonia e outros vírus respiratórios, especialmente para grupos de risco. Ele também recomenda evitar ambientes fechados e pouco ventilados, manter hidratação adequada e seguir corretamente tratamentos em casos de doenças crônicas.

Dados do Ministério da Saúde mostram que doenças respiratórias estão entre as principais causas de internação no Brasil, especialmente em períodos sazonais. Informações e orientações atualizadas podem ser consultadas no portal oficial:

Ambientes domésticos e fatores de risco

Dentro de casa, a principal preocupação, segundo o médico, é o mofo, especialmente após períodos de chuva intensa como o registrado recentemente em Araxá. Ambientes úmidos e pouco ventilados favorecem crises respiratórias.

Manter a casa arejada, permitir entrada de luz solar e realizar limpeza adequada são medidas essenciais. O uso de ar-condicionado, por sua vez, não representa risco para a maioria das pessoas, desde que a manutenção esteja em dia.

Automedicação pode mascarar agravamentos

O pneumologista também fez um alerta sobre os riscos da automedicação. Embora muitos quadros sejam leves, o uso indiscriminado de medicamentos pode atrasar o diagnóstico de situações mais graves.

“O problema é mascarar sintomas importantes e procurar atendimento apenas quando a doença já evoluiu, o que pode exigir tratamentos mais intensos ou até internação”, explicou.

Apneia do sono: condição silenciosa e perigosa

Outro tema abordado na entrevista foi a apneia do sono, condição caracterizada por pausas na respiração durante o sono, geralmente associadas ao ronco. Segundo o especialista, o problema pode trazer consequências graves a longo prazo, como aumento do risco de infarto, AVC e arritmias.

Ele explica que fatores como idade e obesidade aumentam o risco, mas a condição também pode afetar pessoas magras. Entre os principais sinais estão ronco intenso, despertares frequentes, sensação de cansaço ao acordar e sonolência durante o dia.

“O ronco não deve ser ignorado. Quando associado a pausas respiratórias ou cansaço excessivo, é essencial buscar avaliação”, orientou.

Quando procurar um especialista

De forma geral, o médico recomenda procurar atendimento sempre que houver persistência ou agravamento dos sintomas, especialmente nos casos de falta de ar, dor no peito ou tosse prolongada.

Ele também reforça que pacientes com doenças respiratórias crônicas devem manter acompanhamento regular e tratamento atualizado, principalmente durante o outono e inverno.

Atualmente, José Márcio Antunes Júnior atende na Clínica Sararte, localizada na Rua Domingos di Mambro, 520, em Araxá, prestando atendimento à pacientes com idade a partir de oito anos de idade.

A orientação final do especialista é clara: prevenção, atenção aos sinais do corpo e busca por atendimento médico no momento certo são fundamentais para evitar complicações.