Tradição religiosa mantém alta demanda por peixes, com destaque para tilápia e cascudo; preços seguem estáveis em relação ao ano passado
A proximidade da Semana Santa tem impulsionado a procura por pescados em Araxá, mantendo uma tradição cultural e religiosa que atravessa gerações. Em entrevista concedida à Rádio Imbiara nesta quinta-feira (2), o empresário Joaquim Alves Ferreira Neto, da Central Peixaria, explicou que o período é um dos mais importantes do ano para o setor, especialmente por conta do consumo na Sexta-feira Santa.
Segundo ele, o movimento já é considerado aquecido, reflexo direto do costume de substituir a carne vermelha pelo peixe durante a quaresma. “A procura está aquecida nesse período, principalmente com a chegada da Sexta-feira da Paixão. O mercado cresce muito porque ainda existem as tradições de quem não consome outro tipo de carne nessa época”, afirmou.
Preferência do consumidor
Entre os produtos mais procurados, dois tipos de peixe lideram as vendas: a tilápia e o cascudo. De acordo com o empresário, ambos conquistaram espaço por oferecerem equilíbrio entre qualidade e preço. “Hoje o peixe mais procurado é o filé de tilápia e o cascudo. São peixes de preço médio, mas com qualidade superior a muitos outros”, explicou.
A tilápia, em especial, ganhou destaque ao longo dos anos e ajudou a ampliar o consumo de pescado entre os brasileiros. Dados da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR) mostram que a tilápia representa mais de 60% da produção nacional de peixes de cultivo, consolidando-se como a principal espécie consumida no país. Mais informações podem ser consultadas no relatório oficial da entidade: www.peixebr.com.br.
Preços e percepção do consumidor
Apesar da maior procura, os preços seguem estáveis em comparação com o mesmo período do ano passado, segundo o comerciante. Atualmente, o cascudo é vendido por cerca de R$ 36,50 o quilo, enquanto a tilápia está na faixa de R$ 59,00.
Ainda assim, há uma percepção recorrente entre consumidores de que o pescado encarece na Semana Santa. Joaquim avalia que isso ocorre porque muitas pessoas não compram peixe ao longo do ano. “Quando chega nessa época, elas acham que o preço subiu muito, mas na realidade não é verdade. Estamos trabalhando com os mesmos valores da Semana Santa passada”, destacou.

Joaquim Alves Ferreira Neto, dono da Central Peixaria. Foto: Caio César
Oscilações e desafios do setor
O empresário também explicou que a variação de preços pode ocorrer em períodos específicos, como durante o defeso — época em que a pesca de determinadas espécies é restrita para preservação ambiental. Nesses casos, a redução da oferta pode impactar diretamente o valor final ao consumidor.
No entanto, ele ressalta que essas oscilações não são positivas para o comércio. “É péssimo, porque além de não conseguir o produto, você precisa aumentar o preço e as vendas caem”, afirmou.
Atendimento na Sexta-feira Santa
Para atender à demanda de última hora, o estabelecimento funcionará em horário especial na Sexta-feira Santa, das 7h até pelo menos 12h, podendo se estender até 13h, conforme o movimento.
A orientação do comerciante é que os consumidores antecipem as compras para evitar filas. “Se puder adiantar para hoje, é melhor. Amanhã vai ter uma filinha com certeza”, alertou.
Com a tradição mantida e o consumo em alta, o período reforça não apenas aspectos culturais e religiosos, mas também a importância econômica do setor de pescados para o comércio local em Araxá.

Foto: Caio César