Programação começou nesta terça-feira (19) com palestra da médica psiquiatra Karina Cleto, que compartilhou experiências pessoais e destacou a importância da responsabilidade afetiva no processo de adoção
A abertura da Semana Municipal de Incentivo à Adoção, Adoção e Diversidade em Araxá trouxe à discussão um dos aspectos mais sensíveis e fundamentais do processo adotivo: a construção dos vínculos afetivos. Em entrevista à Rádio Imbiara nesta terça-feira (19), a médica especialista em psiquiatria Karina Cleto falou sobre a palestra “Construindo vínculos: saúde mental e afetividade na adoção” e reforçou a necessidade de olhar para a adoção além dos trâmites legais.
A programação da semana segue até o próximo dia 25 de maio e busca conscientizar a população sobre a importância da adoção responsável, do acolhimento familiar e da criação de ambientes afetivos seguros para crianças e adolescentes que aguardam por uma família.
Durante a entrevista, Karina destacou que a adoção exige preparo emocional, comprometimento e construção gradual dos laços familiares. Mãe adotiva de três filhos, entre eles uma adolescente neurodivergente diagnosticada com transtorno do espectro autista, a psiquiatra afirmou que a experiência transformou completamente sua vida.
Segundo ela, o amor construído no cotidiano é o que sustenta uma adoção saudável. Para a médica, o vínculo não surge instantaneamente, mas é desenvolvido com convivência, responsabilidade e afeto. Ao falar sobre o tema, ressaltou que a adoção não pode acontecer por impulso ou motivada apenas por idealizações. “O amor, o vínculo na verdade, ele é impossível nascer de repente. É um constructo, é uma coisa que vai acontecendo com o tempo”, afirmou.



A médica psiquiatra, Karina Cleto, em palestra proferida na abertura da Semana Municipal de Adoção. Fotos: Caio César
A psiquiatra também chamou atenção para a necessidade de ampliar a conscientização sobre crianças e adolescentes que ainda aguardam acolhimento familiar. Segundo ela, mais do que “adotar por adotar”, é essencial compreender o tamanho da responsabilidade emocional envolvida nesse processo. “Essa responsabilidade adotiva é que faz com que os laços sejam construídos com bastante critério principalmente. Você não pode ir na impulsividade de adotar”, destacou.
Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) mostram que milhares de crianças e adolescentes ainda aguardam adoção no Brasil, enquanto muitos pretendentes mantêm preferências restritas de perfil, principalmente relacionadas à idade, grupos de irmãos e condições de saúde. Especialistas apontam que debates públicos e ações educativas ajudam a ampliar a compreensão sobre adoção tardia, adoção de crianças com deficiência e adoção inter-racial.
Adoção como encontro afetivo
Ao compartilhar sua experiência pessoal, Karina descreveu a chegada da primeira filha adotiva como um “encontro de almas”. Emocionada durante a entrevista, ela afirmou que a maternidade adotiva trouxe mudanças profundas para sua vida pessoal e emocional.
A médica acredita que experiências positivas podem inspirar outras famílias a refletirem sobre a adoção de forma mais consciente e afetiva. “Pensa primeiro com o coração, segundo com responsabilidade e sempre vai dar certo se tiver o tempero do amor”, declarou.

