Coordenador artístico e promocional do Grupo Imbiara fala sobre a força do rádio, a transformação do mercado musical e os desafios da comunicação na era digital
Com 35 anos de experiência na comunicação e há 14 anos no Grupo Imbiara de Comunicação, o coordenador artístico e promocional Fábio Ferraz participou do programa Conexão Imbiara Economia e Negócios desta quinta-feira (4) e compartilhou sua trajetória profissional, os desafios do mercado radiofônico e a evolução da indústria musical. "O artista pode ficar até sem a TV, mas não sem o rádio", diz Ferraz durante entrevista na Rádio Imbiara 91,5 FM.
Natural de São Paulo e morando em Araxá há 22 anos, Fábio contou que se mudou para a cidade após uma série de visitas à região e também em busca de mais qualidade de vida. Segundo ele, um episódio de sequestro-relâmpago vivido na capital paulista foi determinante para a decisão de deixar a cidade.
“Cheguei a Araxá em 2002 e fui gostando da cidade. Aos poucos, fui ficando mais tempo aqui do que em São Paulo até criar raízes”, relatou.
Bastidores da programação e do relacionamento com artistas
No Grupo Imbiara, Fábio é responsável pelo relacionamento com gravadoras, escritórios artísticos e pela coordenação das ações promocionais das emissoras. Segundo ele, o trabalho envolve acompanhar lançamentos musicais, orientar a programação e desenvolver promoções que aproximem os ouvintes da rádio.
Ele explicou que o interior ganhou relevância estratégica para o mercado musical.
“Hoje, muitos lançamentos são avaliados primeiro em regiões como o Triângulo Mineiro e o Alto Paranaíba. As gravadoras observam como as músicas são recebidas e isso influencia diretamente na venda de shows”, afirmou.
Fábio destacou ainda que o rádio continua sendo uma ferramenta fundamental para os artistas, mesmo diante do crescimento das plataformas digitais.
“O artista pode até ficar sem a televisão, mas não fica sem o rádio. É no rádio que muitas pessoas conhecem a música antes de procurá-la no YouTube ou nos aplicativos de streaming”, disse.

O programa Conexão Imbiara Economia e Negócios é transmitido na Imbiara 91,5 FM todas as quintas-feiras. Foto: Reprodução Youtube Grupo Imbiara de Comunicação
Tecnologia e monitoramento em tempo real
Outro tema abordado foi a modernização do setor. Fábio lembrou que o Grupo Imbiara foi pioneiro em Araxá na implantação de sistemas de monitoramento de execução musical, permitindo que gravadoras e escritórios acompanhem, em tempo real, onde as músicas estão sendo tocadas.
“Hoje, quando uma música entra na programação, os escritórios conseguem visualizar instantaneamente em quais emissoras ela está sendo executada. Isso fortalece a relação entre rádios, artistas e promotores de eventos”, explicou.
Economia dos shows
Durante a entrevista, o coordenador também falou sobre os custos crescentes para a realização de eventos. Segundo ele, além dos cachês elevados dos artistas, os gastos com estrutura, montagem, mão de obra especializada e exigências de segurança impactam diretamente o valor dos ingressos.
“Um artista de médio porte já pode custar cerca de R$ 150 mil, enquanto grandes nomes chegam a cobrar mais de R$ 2 milhões por apresentação. Tudo isso influencia o preço final para o público”, observou.
Rádio e redes sociais como aliadas
Ao comentar a concorrência com as mídias digitais, Fábio defendeu que o rádio soube se adaptar às transformações tecnológicas e hoje atua de forma integrada às redes sociais.
“As redes sociais são nossas aliadas. O conteúdo produzido pela rádio ganha alcance nas plataformas digitais e ajuda a fortalecer o relacionamento com ouvintes e anunciantes”, afirmou.
Para ele, apesar das previsões recorrentes sobre o fim do rádio, o veículo segue relevante por sua capacidade de informar, entreter e manter proximidade com a comunidade.
“O rádio não morre. O que muda são as ferramentas que usamos para chegar até as pessoas. O rádio continua sendo uma companhia diária para milhões de brasileiros”, concluiu.