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Postado em: 10/06/2026 - 17:35 Última atualização: 10/06/2026 - 17:39
Por: Manoelita Chagas - Portal Imbiara

Conselho alerta para aumento da população idosa e reforça combate à violência contra idosos em Araxá

Durante entrevista ao programa Vida Ativa 60+, presidente do Conselho Municipal da Pessoa Idosa destacou casos de violência patrimonial, emocional e negligência, além da importância das denúncias e da rede de proteção

Ao abordar a realidade local, Marcos Rodrigues afirmou que Araxá também registra casos de violência contra idosos, embora muitos episódios não ganhem visibilidade. Foto: Manoelita Chagas

A violência contra a pessoa idosa continua sendo um desafio em todo o país e exige atenção constante da sociedade, das famílias e do poder público. O tema foi debatido nesta quarta-feira (10), durante o programa Vida Ativa 60+, da Rádio Imbiara FM, que recebeu nos estúdios o presidente do Conselho Municipal da Pessoa Idosa de Araxá, Marcos Rodrigues, em uma edição dedicada ao Junho Violeta, campanha nacional de conscientização e combate à violência contra os idosos.

Durante a entrevista, Marcos destacou que o envelhecimento da população brasileira torna o debate cada vez mais urgente. Segundo ele, o crescimento do número de idosos exige planejamento e fortalecimento das políticas públicas voltadas à proteção e à qualidade de vida dessa parcela da população.

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população idosa cresce em ritmo acelerado no país. O Brasil já possui mais de 32 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, e a tendência é de aumento nas próximas décadas. O entrevistado ressaltou que essa realidade exige um olhar mais atento para situações de vulnerabilidade e violência que muitas vezes permanecem invisíveis.

Violência vai além das agressões físicas

Ao abordar a realidade local, Marcos Rodrigues afirmou que Araxá também registra casos de violência contra idosos, embora muitos episódios não ganhem visibilidade.

Segundo ele, a violência não se limita às agressões físicas e pode ocorrer de diversas formas. Entre os casos mais preocupantes estão abusos financeiros, violência psicológica, abandono, negligência e até agressões sexuais. O presidente do conselho explicou que há situações em que o idoso permanece dentro do ambiente familiar, mas passa a ser excluído das decisões sobre sua própria vida.

Nesse contexto, ele observou que “à medida que ele vai ficando idoso, ele vai deixando de ser ouvido, ele vai sendo excluído de um lado, a família começa a tomar decisões sobre a vida dele sem ter ele na conversa”, situação que também configura uma forma de violência.

Marcos chamou atenção ainda para os casos de interferência indevida na administração do patrimônio dos idosos. Segundo ele, muitas famílias passam a controlar gastos ou questionar decisões pessoais de pessoas que permanecem plenamente lúcidas e capazes de gerir a própria vida financeira.

Violência patrimonial preocupa autoridades

Os números nacionais reforçam a preocupação. Dados divulgados pela Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos apontam que foram registradas 59.134 denúncias de violência patrimonial contra idosos em 2025. A maior incidência ocorreu entre pessoas de 70 a 79 anos, especialmente mulheres.

Para Marcos, o avanço da idade aumenta a vulnerabilidade e reduz a capacidade de reação das vítimas, tornando ainda mais importante a atuação da rede de proteção e dos órgãos de fiscalização.

Ele explicou que o Conselho Municipal da Pessoa Idosa acompanha os casos que chegam ao conhecimento da instituição, embora não tenha função investigativa ou poder de polícia. O trabalho do conselho está voltado para o acompanhamento das políticas públicas e a fiscalização dos serviços destinados à população idosa.

Papel da família é prioridade prevista em lei

Outro ponto destacado durante a entrevista foi a responsabilidade familiar no cuidado aos idosos. Marcos lembrou que o Estatuto da Pessoa Idosa estabelece uma ordem de responsabilidades envolvendo família, comunidade, sociedade e poder público.

Segundo ele, “o primeiro ingrediente aqui do nosso artigo é a família. É a pessoa que tem mais responsabilidade com o idoso”.

O entrevistado também ressaltou que filhos podem ter obrigações legais de assistência aos pais idosos, inclusive em situações relacionadas ao sustento financeiro, conforme previsto na legislação brasileira.

Rede de apoio e acolhimento

Durante a conversa, Marcos explicou que Araxá conta com uma rede de proteção formada por serviços da assistência social, unidades do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), equipes técnicas especializadas e instituições de acolhimento.

Ele destacou ainda iniciativas como o programa Mãos que Cuidam, que oferece suporte domiciliar para idosos em situação de vulnerabilidade. Segundo o presidente do conselho, em muitos casos a presença de cuidadores e o acompanhamento profissional conseguem evitar internações permanentes em instituições de longa permanência.

Como denunciar

A principal orientação do Conselho Municipal da Pessoa Idosa é que toda suspeita de violência seja comunicada às autoridades competentes.

Marcos reforçou que denúncias podem ser feitas de forma anônima por meio do Disque 100, canal nacional de proteção aos direitos humanos. Em situações de risco imediato ou flagrante, a recomendação é acionar a Polícia Militar pelo telefone 190.

Além disso, moradores podem procurar diretamente os CRAS, a Delegacia Especializada de Atendimento à Família ou outros órgãos da rede de proteção.

Ao final da entrevista, o presidente do conselho reforçou a importância da participação da sociedade no combate aos abusos contra idosos. Segundo ele, “a qualquer ato de violência, de negligência suspeita, denuncie”.

Mais informações sobre os direitos da pessoa idosa e os canais de denúncia podem ser consultadas no portal do Governo Federal: www.gov.br/mdh/pt-br/navegue-por-temas/pessoa-idosa.