Agro e construção lideraram a expansão; indústria de transformação ficou para trás
O primeiro semestre de 2026 terminou com sinais positivos para a economia brasileira, embora o crescimento tenha ocorrido de forma desigual entre os diversos segmentos produtivos. Os dados oficiais mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o Produto Interno Bruto (PIB) avançou 1,1% no primeiro trimestre em relação ao trimestre imediatamente anterior e 1,8% na comparação com o mesmo período de 2025, mantendo a trajetória de expansão da atividade econômica observada nos últimos anos. Como os números consolidados do segundo trimestre ainda não haviam sido divulgados até o encerramento do semestre, o desempenho dos seis primeiros meses é avaliado principalmente com base nos indicadores oficiais disponíveis e em projeções de mercado.
O grande destaque foi a Agropecuária, que apresentou crescimento de 2,0% frente ao trimestre anterior, impulsionada principalmente pela safra recorde de soja, favorecida por condições climáticas positivas e aumento da produtividade. A Indústria também registrou expansão de 1,0%, com forte contribuição da indústria extrativa mineral (3,6%) e da construção civil (2,9%), beneficiadas pelo aumento da produção de petróleo, gás natural e minério de ferro. Já o setor de Serviços, responsável por aproximadamente 70% do PIB brasileiro, cresceu 0,5%, sustentado pelo avanço das atividades de informação e comunicação, mercado imobiliário, comércio e prestação de serviços em geral.
Nem todos os segmentos, entretanto, acompanharam esse desempenho positivo. Entre as maiores retrações apareceram os setores de eletricidade, gás, água, esgoto e gestão de resíduos, com queda de 0,3% na comparação trimestral e de 1,7%, frente ao mesmo período do ano anterior. A indústria de transformação também apresentou dificuldades, permanecendo praticamente estagnada no trimestre (0,1%) e acumulando retração de 0,9% na comparação anual, reflexo da redução da produção em ramos como fabricação de máquinas e equipamentos e impressão gráfica.
Pela ótica da demanda, outro dado importante foi a recuperação do consumo interno. As despesas de consumo das famílias cresceram 1,0% em relação ao trimestre anterior, enquanto a Formação Bruta de Capital Fixo (investimentos) avançou 3,5% na comparação trimestral, embora ainda apresentasse queda de 1,4% frente ao primeiro trimestre de 2025. Em relação à estrutura da economia, os serviços continuaram respondendo por cerca de 70% do PIB, a indústria por aproximadamente 23% e a agropecuária por parcela menor, porém decisiva para impulsionar o crescimento observado no início do ano.
Para o segundo semestre de 2026, economistas apontam perspectivas favoráveis para atividades ligadas ao agronegócio, infraestrutura, construção civil, tecnologia da informação, comércio eletrônico, energia, logística e extração mineral, especialmente se houver continuidade dos investimentos privados e estabilidade do mercado de trabalho. Em contrapartida, permanecem como fatores de atenção o elevado custo do crédito, o ritmo ainda moderado dos investimentos produtivos, o cenário internacional e os efeitos da política monetária sobre o consumo das famílias. A expectativa predominante do mercado é de que o Brasil encerre 2026 com crescimento próximo de 2%, desde que não ocorram choques relevantes no ambiente econômico interno ou externo.
Em síntese, o primeiro semestre confirmou a resiliência da economia brasileira, mas também evidenciou diferenças importantes entre os setores produtivos. Enquanto agropecuária, indústria extrativa, construção e serviços ligados à tecnologia lideraram a expansão, segmentos industriais específicos e atividades relacionadas à infraestrutura de utilidades públicas perderam dinamismo. Para empresários, trabalhadores e investidores, acompanhar essas tendências será fundamental na tomada de decisões durante a segunda metade do ano, especialmente diante das oportunidades abertas pela transformação tecnológica, pela demanda internacional por commodities e pela gradual recuperação da atividade econômica.