Veterinários alertam que medicamentos administrados sem orientação podem provocar danos ao fígado, rins e comprometer o tratamento dos animais
A automedicação, um hábito comum entre muitos brasileiros, também tem colocado em risco a saúde dos animais de estimação. O alerta foi feito pelos médicos-veterinários Fabrício Vasconcelos e Letícia Cardoso durante o programa Vida de Pet, da Rádio Imbiara FM, ao destacarem que medicar cães e gatos sem orientação profissional pode provocar desde sintomas leves até complicações graves e irreversíveis.
Segundo o veterinário Fabrício Vasconcelos, a automedicação consiste na administração de medicamentos por iniciativa do próprio tutor, sem prescrição veterinária. Ele ressalta que essa prática é frequente nas clínicas e hospitais veterinários. "Recebemos diariamente animais com complicações decorrentes do uso inadequado de medicamentos. Em muitos casos, eles precisam ser internados e submetidos a tratamentos intensivos", afirmou.
Entre os principais riscos estão vômitos, diarreia, intoxicação, alterações neurológicas, lesões no fígado e insuficiência renal. Os especialistas explicam que cães e, principalmente, gatos possuem um sistema renal mais sensível que o dos seres humanos, tornando os danos ainda mais graves e, muitas vezes, permanentes.
Os veterinários reforçam que medicamentos comuns na medicina humana, como paracetamol, diclofenaco e nimesulida, jamais devem ser administrados em cães e gatos sem prescrição profissional. Essas substâncias podem causar intoxicações severas e até levar o animal à morte.
Mesmo medicamentos considerados seguros na rotina veterinária, como a dipirona, exigem cálculo preciso da dose de acordo com o peso, a idade e a condição clínica do animal. "O tutor não deve repetir uma receita antiga nem utilizar um medicamento prescrito para outro animal. Sintomas parecidos podem indicar doenças completamente diferentes", alertou Fabrício.
Outro problema destacado pelos profissionais é que o uso indiscriminado de medicamentos pode mascarar sintomas importantes, atrasando o diagnóstico correto e reduzindo as chances de sucesso no tratamento.
Além disso, o uso incorreto de antibióticos favorece o surgimento de bactérias resistentes, um problema crescente tanto na medicina veterinária quanto na medicina humana. "Já estamos encontrando bactérias resistentes aos antibióticos disponíveis no mercado. Se esse uso indiscriminado continuar, teremos cada vez menos opções de tratamento", explicou o veterinário.

Dr. Fabrício Vasconcelos nos estúdios da Rádio Imbiara 91,5 FM. Foto: Caio César/Portal Imbiara
Os primeiros sintomas de intoxicação costumam surgir logo após a administração do medicamento e podem incluir vômitos, diarreia, salivação excessiva, perda de equilíbrio, dificuldade para caminhar, tremores, alterações neurológicas e, em casos mais graves, desmaios.
Ao perceber qualquer um desses sinais, a orientação é procurar imediatamente atendimento veterinário.
Os especialistas também alertam que medicamentos vencidos ou armazenados de forma inadequada não devem ser utilizados. Outro cuidado importante é com os colírios. Alguns produtos vendidos sem receita contêm corticoides e, quando utilizados de maneira incorreta, podem agravar lesões oculares e até provocar a perda do olho do animal.
A recomendação dos veterinários é que qualquer alteração na saúde do pet seja avaliada por um médico-veterinário antes da administração de qualquer medicamento. "A intenção do tutor é ajudar, mas a automedicação pode agravar o quadro, dificultar o tratamento e colocar a vida do animal em risco. O melhor remédio é sempre procurar orientação profissional", concluíram os especialistas.