Com a chegada do inverno, médicos orientam a população a reconhecer os sinais de gravidade e buscar atendimento rapidamente
Com a chegada do inverno, hospitais e unidades de saúde em todo o Brasil registram aumento significativo dos casos de *Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), condição que representa um importante desafio para o sistema de saúde. A expressão SRAG é utilizada para descrever quadros respiratórios de maior gravidade, caracterizados por sintomas intensos, comprometimento da respiração e necessidade de atendimento hospitalar, podendo ser provocados por diferentes vírus e, em alguns casos, por bactérias. Dados recentes da Fundação Oswaldo Cruz, por meio do sistema InfoGripe, indicam que vírus como o Influenza A, o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) e, em menor proporção, a Covid-19, continuam entre os principais responsáveis pelas internações por SRAG no país durante o período de inverno.
O aumento dos casos nessa época do ano ocorre por diversos fatores. As temperaturas mais baixas levam as pessoas a permanecerem por mais tempo em ambientes fechados e com pouca ventilação, favorecendo a circulação de vírus respiratórios. Além disso, o ar mais seco compromete as defesas naturais das vias aéreas, facilitando a entrada e a multiplicação de microrganismos capazes de provocar infecções.
Os sintomas variam conforme o agente causador e a gravidade do quadro, mas geralmente incluem febre, tosse persistente, dor de garganta, coriza, dores no corpo e cansaço intenso. Nos casos mais graves, surgem falta de ar, dificuldade para respirar, queda da oxigenação, confusão mental e coloração arroxeada dos lábios ou das extremidades, sinais que exigem atendimento médico imediato. O diagnóstico precoce é fundamental para reduzir o risco de complicações e aumentar as chances de recuperação completa.
O tratamento depende da causa da doença e da intensidade dos sintomas. Em muitos casos, repouso, hidratação adequada, alimentação equilibrada e medicamentos para controle da febre e da dor são suficientes, enquanto situações mais graves podem exigir oxigenoterapia, medicamentos antivirais, internação hospitalar e, eventualmente, suporte em unidade de terapia intensiva. Antibióticos só devem ser utilizados quando houver confirmação ou forte suspeita de infecção bacteriana, sempre sob orientação médica.
Especialistas alertam que uma recuperação incompleta merece atenção. Algumas pessoas podem desenvolver complicações como pneumonia, agravamento de doenças cardíacas e pulmonares preexistentes, redução prolongada da capacidade respiratória, fadiga persistente e maior vulnerabilidade a novas infecções, especialmente quando retornam precocemente às atividades habituais ou interrompem o tratamento antes da completa recuperação. Por isso, respeitar o período de convalescença e manter o acompanhamento médico, quando indicado, é uma medida importante para evitar sequelas.
Os cuidados devem ser redobrados com os grupos mais vulneráveis, entre eles crianças pequenas, idosos, gestantes, pessoas com doenças crônicas, indivíduos imunossuprimidos e pacientes com deficiência. As autoridades de saúde recomendam manter a vacinação em dia contra a gripe e a Covid-19, higienizar frequentemente as mãos, manter os ambientes ventilados, evitar contato com pessoas doentes sempre que possível e utilizar máscara ao apresentar sintomas respiratórios ou em locais de maior risco. A prevenção continua sendo a estratégia mais eficaz para reduzir hospitalizações, proteger quem apresenta maior risco de complicações e preservar a capacidade de atendimento dos serviços de saúde durante os meses mais frios do ano.