Dados oficiais mostram os limites de qualidade estabelecidos pela ANEEL e registros apontam problemas recorrentes no município.
Após novo apagão atingir diversos bairros, indicadores da ANEEL e registros oficiais apontam que interrupções no fornecimento de energia já motivaram reclamações e cobranças por melhorias no município
A falta de energia registrada na noite desta terça-feira (28), que afetou bairros como Centro, São Pedro, Pão de Açúcar e outras regiões de Araxá, reacendeu um problema que já vem sendo alvo de reclamações de consumidores e de cobranças por melhorias no sistema elétrico.
Em nota enviada à reportagem, a Cemig informou que a interrupção foi provocada pelo rompimento de um cabo da rede de distribuição de energia elétrica na Avenida Imbiara. Segundo a companhia, cerca de 90% dos clientes afetados tiveram o fornecimento restabelecido em até uma hora após o início da ocorrência, enquanto a normalização completa ocorreu às 22h30.
Além do episódio desta semana, dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) mostram que Araxá possui indicadores específicos para avaliar a qualidade do fornecimento de energia.
Indicadores medem duração e frequência das interrupções
A ANEEL utiliza dois indicadores para acompanhar a continuidade do serviço prestado pelas distribuidoras.
O DEC (Duração Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora) mede o tempo médio que cada consumidor permanece sem energia ao longo do ano. Já o FEC (Frequência Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora) indica quantas interrupções, em média, cada unidade consumidora sofre durante o mesmo período.
Para o conjunto denominado "Araxá 1", que reúne aproximadamente 59 mil unidades consumidoras, a ANEEL estabeleceu os seguintes limites regulatórios:
| Ano | DEC (horas) | FEC (interrupções) |
|---|---|---|
| 2024 | 8 | 6 |
| 2025 | 8 | 6 |
| 2026 | 8 | 5 |
| 2027 | 8 | 5 |
| 2028 | 7 | 5 |
Esses valores representam os limites máximos estabelecidos pela agência reguladora e não correspondem ao número de interrupções efetivamente registradas no município.
Histórico de problemas
O fornecimento de energia em Araxá já foi tema de discussões em órgãos públicos.
Em 2024, a Assembleia Legislativa de Minas Gerais recebeu um pedido de providências para melhorias no fornecimento de energia no Distrito Industrial de Araxá.
Na resposta encaminhada ao Legislativo, a Cemig informou que incêndios em áreas próximas ao Distrito Industrial provocaram diversas interrupções no fornecimento de energia durante o mês de junho daquele ano. A companhia também informou que realizaria inspeções na rede, podas de vegetação e limpeza das faixas de segurança para reduzir novos problemas.
Consumidores também registraram reclamações
Além dos registros oficiais, consumidores de Araxá também relataram problemas recorrentes em plataformas públicas de atendimento.
Em setembro de 2025, moradores do bairro José Ferreira Guimarães registraram reclamações informando quedas constantes de energia ao longo do dia e oscilações de tensão, situação que, segundo os relatos, persistia havia semanas.
Outro consumidor relatou sucessivas interrupções entre o fim da tarde e o início da noite, manifestando preocupação com possíveis danos a equipamentos eletrônicos.
Embora essas manifestações demonstrem a insatisfação de consumidores, elas não representam, por si só, o número oficial de interrupções registradas pela concessionária.
Indicadores são diferentes das reclamações
Especialistas destacam que é importante diferenciar os indicadores técnicos da ANEEL das reclamações feitas pelos consumidores.
Enquanto o FEC representa a média de interrupções sofridas por cada unidade consumidora e o DEC indica o tempo médio sem energia, as reclamações refletem apenas os registros realizados pelos usuários junto aos canais de atendimento.
Uma única interrupção pode atingir milhares de consumidores e gerar centenas de reclamações. Da mesma forma, podem ocorrer interrupções registradas pela distribuidora sem que haja reclamações públicas.
Por isso, os dados oficiais de continuidade do serviço são apurados pela própria distribuidora e fiscalizados pela ANEEL.
Orientação da Cemig
A Cemig reforça que, ao identificar cabos de energia caídos ao solo, a população deve manter distância e jamais tocar ou se aproximar da fiação. A ocorrência deve ser comunicada pelos canais oficiais da empresa, como o telefone 116.