Executivo destaca pressão sobre os custos, dificuldade para contratar profissionais e necessidade de planejamento para enfrentar o segundo semestre
O gerente-geral de Compras do Grupo Zema, Rinaldo Miranda Bahia, afirmou que o varejo brasileiro enfrenta um dos cenários mais desafiadores dos últimos anos, marcado pela combinação de juros elevados, aumento dos custos, inadimplência e mudanças no comportamento do consumidor.
A análise foi feita durante participação no programa Conexão Imbiara Economia e Negócios, da Rádio Imbiara FM, quando o executivo detalhou os desafios de comandar a área responsável pelas compras de toda a rede, que atua em cinco estados brasileiros.
Com 28 anos de trajetória no Grupo Zema, Rinaldo iniciou a carreira como vendedor em Nova Serrana, passou pela gerência de lojas e pela gerência regional e, desde 2017, ocupa o cargo de gerente-geral de Compras. Atualmente, coordena uma equipe de dez compradores responsáveis por diferentes segmentos, como eletrodomésticos, móveis, telefonia, importados e Zema Moda.
Segundo ele, a área de compras é estratégica para o sucesso do varejo. "A área de compras é o coração da empresa. Se você compra errado, todo o restante do processo também será afetado", afirmou.
Durante a entrevista, Rinaldo explicou que os conflitos internacionais, a valorização do dólar e o aumento dos custos dos derivados do petróleo vêm pressionando fortemente a indústria, o que acaba refletindo no preço final dos produtos. Ele destacou que alguns itens registraram reajustes entre 10% e 30%, tornando as negociações cada vez mais difíceis. "O consumidor já está bastante pressionado. Muitas vezes, a empresa precisa decidir entre repassar o aumento e perder vendas ou reduzir sua margem para manter os preços competitivos", explicou.
Além disso, o executivo ressaltou que o varejo trabalha com prazos longos de financiamento ao consumidor, enquanto os fornecedores exigem pagamentos em prazos menores, aumentando a necessidade de capital de giro.
Outro ponto abordado foi o gerenciamento de estoques. Segundo Rinaldo, o Grupo Zema trabalha, em média, com cobertura de estoque entre 60 e 90 dias, buscando equilibrar a disponibilidade de produtos com o custo financeiro. Ele lembrou que manter estoque parado representa prejuízo, principalmente em um cenário de juros elevados. "O desafio é comprar a quantidade certa, no momento certo e para o mercado certo."

O programa Conexão Imbiara Economia e Negócios é transmitido todas as quintas-feiras na Rádio Imbiara 91,5 FM. Foto: Caio César/Portal Imbiara
Responsável também pelas compras da Zema Moda, Rinaldo explicou que esse segmento exige uma dinâmica completamente diferente da adotada para os eletrodomésticos. Enquanto uma geladeira pode permanecer meses em exposição, as coleções de roupas precisam acompanhar as tendências e as estações do ano. As compras para o inverno, por exemplo, começam meses antes da chegada da estação, exigindo planejamento e análise constante do comportamento do consumidor.
Outro desafio destacado pelo executivo é a retenção de profissionais. Segundo ele, a alta rotatividade no comércio aumentou significativamente nos últimos anos. "O perfil das novas gerações mudou. Hoje, as pessoas buscam mais qualidade de vida, horários flexíveis e avaliam muito a cultura da empresa. Isso exige que as empresas também se adaptem."
Ele afirmou que o comércio enfrenta dificuldades para contratar e manter funcionários, especialmente em funções que exigem trabalho aos finais de semana.

O gerente de compras do Grupo Zema, Rinaldo Bahia, com os apresentadores Carlos Nunes e Silvio Gonçalves. Foto: Caio César/Portal Imbiara
Apesar das dificuldades, Rinaldo acredita em um segundo semestre de crescimento moderado, impulsionado por datas importantes para o varejo, como o Dia dos Pais, a Black Friday e o Natal. Entretanto, ele avalia que o elevado número de consumidores endividados ainda limita uma recuperação mais consistente das vendas.
"O brasileiro é naturalmente otimista. Fazemos nosso dever de casa, investimos em promoções e planejamento, mas o cenário econômico ainda exige muita cautela", concluiu.