Clarissa Nagli conta como descobriu a escrita durante a pandemia e passou a transformar vivências pessoais em livros
A escrita pode ser uma forma de registrar experiências, organizar pensamentos e compartilhar histórias que podem inspirar outras pessoas. Foi durante a pandemia que a educadora física e consultora em saúde Clarissa Nagli descobriu uma nova possibilidade: transformar parte de suas vivências em textos e livros.
Segundo Clarissa, o primeiro contato aconteceu a partir de um convite para participar como coautora de uma obra. A experiência surgiu em um momento em que ela também refletia sobre o envelhecimento.
“Quando você faz 50 anos, para mim, me assustou muito, porque é muita idade. É pouca, mas é muita. Passou tão rápido.”
A partir dessa reflexão, Clarissa começou a pensar sobre como queria chegar às próximas décadas da vida e sobre a importância de manter a autonomia.
“Eu comecei a me preparar bem para enfrentar a velhice com dignidade. Eu falo que a gente tem que ser funcional. Funcionar bem, conseguir fazer tudo independente, sozinha, sem depender das pessoas.”
A experiência resultou em sua participação como coautora do livro “Abraça a Sua Evolução”, organizado por José Roberto Marques. Clarissa escreveu sobre seu próprio processo de transformação e sobre os cuidados necessários para envelhecer melhor.
“Eu falei de todo o processo que eu fiz, das minhas dietas, da minha consciência, que eu já estava envelhecendo, o que eu podia fazer para envelhecer melhor.”
O desafio também foi desenvolver o hábito da escrita. Acostumada com a atividade física, Clarissa conta que permanecer sentada para escrever por longos períodos não era algo natural para ela.
“Para eu ficar sentada escrevendo duas horas é algo desafiador. E eu consegui. E foi aí que eu comecei a ficar mais disciplinada para a escrita, para a leitura.”
Com o tempo, a experiência deixou de ser apenas uma participação pontual. Clarissa passou a se reconhecer como escritora e começou a participar de novos projetos literários.
“Hoje eu me considero escritora. Eu sou chamada para escrever.”
Para ela, registrar experiências também pode ajudar outras pessoas a perceberem que suas próprias histórias têm valor.
“Quanto mais pessoas eu puder despertar essa vontade de leitura, de escrever, dessa comunicação também. Essa conexão entre pessoas é muito importante.”
A proposta também está relacionada ao Vida Ativa 60+, projeto que reúne pessoas interessadas em envelhecimento ativo, leitura, escrita e troca de experiências. Clarissa acredita que iniciativas desse tipo podem ser ampliadas.
“Coisa boa a gente tem que replicar, né? A gente tem que passar para as outras pessoas e ajudar. A gente está aqui nesse mundo para servir.”
Durante a entrevista, foram apresentados relatos de outras mulheres que participaram de livros coletivos e encontraram na escrita uma forma de falar sobre suas trajetórias. Para Clarissa, essas histórias mostram que a literatura pode aproximar pessoas e criar novas possibilidades.
“A gente pensa que conhece as pessoas e pensa que conhece a si próprio. Num momento de reflexão durante a pandemia, a gente acaba descobrindo muita coisa.”
A escritora também reforça que a idade não precisa limitar novos projetos.
“Eu estou aqui nesse mundo para servir e ajudar o próximo.”
A proposta do grupo é justamente estimular pessoas a ler, escrever e compartilhar suas experiências, fortalecendo uma rede que já reúne participantes de diferentes cidades e até de outros países.