Controle populacional depende também de guarda responsável, adoção e fiscalização de maus-tratos
Araxá já realizou a castração de aproximadamente 12 mil animais nos últimos cinco anos, segundo informação apresentada pelo advogado Rodrigo Cruvinel durante o programa Vida de Pet, da Rádio Imbiara. Apesar do número expressivo de procedimentos, protetores relatam aumento da quantidade de cães e gatos em situação de rua no município.
De acordo com Cruvinel, o abandono continua sendo um dos principais fatores que dificultam o controle populacional. Segundo ele, protetores que atuam em diferentes regiões da cidade relatam a presença constante de novos animais nos locais onde são realizados trabalhos de alimentação e assistência.
O advogado defendeu a adoção de um conjunto de medidas para enfrentar o problema, incluindo educação sobre guarda responsável, punição aos maus-tratos, programas de castração, apoio a protetores e organizações não governamentais e incentivo à adoção. Ele destacou que a castração, embora seja uma importante ferramenta de controle populacional, não é suficiente quando novos animais continuam sendo abandonados.
Cruvinel também ressaltou que o trabalho realizado por protetores e ONGs tem impacto na saúde pública, já que animais abandonados podem ficar expostos a doenças e ainda provocar situações de risco em vias públicas. Na avaliação apresentada no programa, o combate ao abandono depende da atuação conjunta do poder público e da sociedade.
A população também é orientada a denunciar casos de abandono e maus-tratos. Segundo o advogado, as denúncias podem ser encaminhadas pelo Disque-Denúncia 181, com preservação da identidade do denunciante. Informações detalhadas sobre o local e as condições dos animais podem ajudar as autoridades no trabalho de fiscalização.
Outro assunto discutido no Vida de Pet foi a presença de animais de grande porte soltos em vias públicas de Araxá. Participantes relataram a ocorrência recorrente de cavalos e outros animais em avenidas e áreas de circulação de veículos.
Segundo Rodrigo Cruvinel, equinos, bovinos e muares soltos podem provocar acidentes graves ao entrarem repentinamente na pista. Durante o programa, foi relatada, por exemplo, a presença de três cavalos em uma avenida que margeia um canal. Outros pontos da cidade também foram citados por moradores.
A avaliação apresentada é de que alguns proprietários deixam os animais soltos em canteiros e áreas verdes em busca de alimentação. A prática, no entanto, pode colocar os próprios animais em risco e comprometer a segurança de motoristas e pedestres.
Cruvinel explicou que o município conta com serviço de recolhimento de animais de grande porte. Segundo ele, anteriormente o serviço era realizado por uma empresa contratada e, atualmente, o recolhimento é feito pela Secretaria Municipal de Agricultura.
O advogado também alertou que os proprietários podem ser responsabilizados caso fique caracterizada situação de maus-tratos. Animais expostos por longos períodos ao sol, sem água ou alimentação adequada, por exemplo, podem estar submetidos a condições incompatíveis com o bem-estar.
Além da fiscalização, os participantes defenderam a necessidade de identificar os responsáveis pelos animais, aplicar as penalidades previstas e cobrar eventuais despesas decorrentes do período de recolhimento.